Lucineia Nunes/Estadão
Lucineia Nunes/Estadão

Vinhos inesquecíveis na graciosa Beaune

Cidade medieval é conhecida como a capital do vinho da Borgonha

O Estado de S.Paulo

11 Julho 2017 | 03h56

Beaune é parada obrigatória para os apreciadores de vinho. Separe a taça e aventure-se por uma das mais encantadoras regiões vinícolas da França. A cidade medieval e com ar interiorano é conhecida como a capital do vinho da Borgonha e está no centro da rota dos grands crus, como os emblemáticos Romanée-Conti, Montrachet e Corton.

A 40 minutos de Dijon, Beaune tem apenas 23 mil habitantes e recebe 1 milhão de turistas ao ano, conquistados pelos parreirais que serpenteiam entre encostas, muralhas da Idade Média, castelos e vinícolas.

Os vinhedos ocupam 30 mil hectares, 6% da produção francesa, e as principais uvas cultivadas são a chardonnay e a pinot noir. Em Beaune, as vinícolas ficam nas vilas e não junto aos parreirais. Por isso, os passeios guiados apresentam os vinhedos e depois seguem para as degustações da bebida.

Um tour pela Côte de Beaune – com visita a um ponto turístico da cidade, aos vinhedos, a três vinícolas com degustação de até 12 rótulos, mais almoço – sai por 198 euros, organizado pela empresa Divine Bourgogne Tours, com direito a guia que fala português e carro com Wi-Fi.

Uma das paradas é na vinícola Prosper Maufoux, que tem uma adega subterrânea construída no século 15, com teto baixo e forte cheiro de carvalho. A degustação de alguns vinhos, com queijos e embutidos, é feita na loja.

Outra experiência interessante e divertida é realizada na vinícola Bouchard Ainé & Fils – uma degustação harmonizada de vinhos e chocolates. O passeio percorre a adega, que foi dividida em estações para despertar os cinco sentidos. Na sala dos aromas, por exemplo, todos são desafiados a descobrir os ingredientes dentro dos potes, como canela, anis e café. Em outra ala, as texturas são representadas com tecidos que vão do áspero ao aveludado. Em cada sala, vinho e bombom formam um casamento perfeito na boca, como um branco de sabor amanteigado servido com um chocolate com ganache de mel. A atividade custa 22 euros e é organizada pela guia brasileira Aline Mendonça.

Leilão. Aline nos acompanhou a um dos principais pontos históricos, o Hospices de Beaune. O lugar é um patrimônio da cidade e tem sua história ligada aos vinhos locais. Construído em 1443 pelo chanceler Nicolas Rolin e sua mulher Guigone de Salins, o Hôtel Dieu (ou Hospices de Beaune), nasceu como um hospital filantrópico para tratar dos doentes pobres, vítimas da peste negra, que ficavam ali sob os cuidados de freiras.

O hospital funcionou ali até 1996, quando foi transferido a um edifício mais moderno. O antigo espaço virou museu, que preserva a estrutura e as características originais, como os telhados coloridos, o pátio, obras de arte, a cozinha e a farmácia usadas pelas freiras e os quartos que abrigavam os doentes.

A riqueza de detalhes impressiona. Na sala principal, onde ficavam os pobres, o teto é um casco de navio ao contrário. Observe como eram as acomodações, os instrumentos médicos, as lareiras góticas e o piso com as iniciais do casal fundador.

ENTENDA O RÓTULO

Os vinhos produzidos na região da Borgonha são classificados em quatro tipos:

 

Regionais: são os da base da pirâmide, mais simples, feitos com blend (mistura) de uvas cultivadas em diferentes vilarejos.

 

Villages: logo acima, são feitos à base de uvas de um mesmo vilarejo, que tem seu nome estampado no rótulo.

 

Premier cru: é uma bebida de guarda, que se preserva por mais tempo e traz o nome do vilarejo, a classificação e o lote estampados no rótulo.

 

Grand cru: é um vinho realmente especial e caro.

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