Marius Prinsloo/NYT
Marius Prinsloo/NYT

Volta ao mundo antes dos 35 anos

Americano decidiu montar um plano para conseguir visitar simplesmente todos os países do planeta

Chris Guillebeau*, The New York Times

12 Maio 2009 | 02h40

Tive minha primeira experiência com viagens internacionais aos 6 anos. Mamãe me levou para as Filipinas e acabamos morando lá por dois anos. Aos 22, fui para a África trabalhar para uma organização humanitária. Tempo em que também viajei muito para a Europa. Lembro que estava num vagão de trem quando tive a ideia maluca de visitar 100 países antes de completar os 30 anos.

Comecei a fazer contas e vi que essa jornada custaria mais ou menos o mesmo que comprar um utilitário esportivo novo, cerca de US$ 30 mil. Vários amigos meus estavam comprando carrões, mas isso não me entusiasmava. Queria gastar meu dinheiro visitando lugares que nunca imaginei poder conhecer.

Meu périplo pelos 100 países começou em 2006 e terminou em dois anos. Mas, por volta do país 50, tive outra ideia mirabolante: "Por que parar no 100? Agora estou com 30 anos e meu novo objetivo é visitar todos os países do planeta antes dos 35." Alguns dos meus amigos acham que enlouqueci. Isso porque já quase cheguei ao fim da lista de países de fácil acesso e logo vou ter de arrumar um jeito para ir ao Chade, ao Pacífico Sul e à Ásia Central.

Para colocar meu plano em prática, recorri às milhas - tenho meio milhão. Como reforço, fiz 13 cartões de crédito que oferecem bônus de milhagem. Também aguardo patrocínio de companhias aéreas, mas até isso ocorrer pago tudo do meu bolso. Dinheiro que ganho com a venda de meus produtos pela internet e de consultorias para empresas.

Sem esquecer do adiantamento que recebi pelo meu primeiro livro.

Tanto tempo de estrada me tornou um viajante esperto. Porque às vezes tudo acontece diferente do planejado. No verão passado, por exemplo, acampei perto de Hong Kong e decidi ir para Karachi. Não tinha os documentos, mas quis arriscar. Vesti a única camisa bonita que tinha e tomei um avião na base da conversa.

Em Karachi, os funcionários da imigração ficaram alarmados porque eu não tinha visto. Passei mais de uma hora no escritório de um supervisor, que disse que estava dando um jeito para me mandar de volta. Então fiz o que qualquer viajante faria: paguei US$ 150 por um documento que o funcionário americano chamou de visto.

Outra vez, na Mongólia, um turista ficou com o meu quarto na pensão. Detalhe: minhas coisas já estavam no local. Acho que o sujeito mostrou um monte de dinheiro ao gerente, que resolveu me botar na rua.

Depois que comecei a viajar com mais frequência, alguns mitos também foram desfeitos. Antes achava que a primeira classe era a melhor coisa do mundo. Mas descobri que, em voos domésticos, isso não é verdade. Aliás, quando viajo pelos Estados Unidos, muitas vezes troco meu cartão de embarque com passageiros da econômica. Já em voos internacionais a história é bem outra. Afinal, posso ser um ex-trabalhador de uma organização humanitária, mas não sou santo a esse ponto.

 

Em depoimento a Joan Raymond

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