Adriana Moreira/AE
Adriana Moreira/AE

Voo solo

Rochedos de granito majestosamente plantados no meio do parque Torres del Paine. Mais ao norte, gêiseres, o Salar de Tara e toda a geografia absurda do Deserto do Atacama. No meio do Oceano Pacífico, os moais cercados de mistérios da Ilha de Páscoa. Pois é. O Chile lá, desfilando convites para ser visitado, e você aí, sem companhia para atender ao chamado.

MÔNICA NÓBREGA , O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2012 | 03h08

Seja por receios mil - e cada um tem os seus, todos justificáveis - ou pela questão financeira, cair na estrada desacompanhado é um desafio que mesmo muitos viajantes experimentados hesitam em encarar. Ainda mais para ir a destinos como os citados acima, isolados. Como lidar com o fato de não ter com quem trocar a avalanche de sensações e comentários que explodem na cabeça feito pipoca na panela?

Driblar a solidão é algo muito pessoal, claro. Já outras questões têm soluções práticas. Dinheiro, por exemplo. Pode parecer que não, mas há, sim, como economizar. Uma das redes hoteleiras com mais experiência nos destinos chilenos, o Explora, lançou em 2010 o programa Solo Traveler, para dar desconto a quem viaja desacompanhado na baixa temporada. Hoje, significa US$ 3.600 no pacote de quatro noites sozinho em um quarto - que, de outra forma, custaria US$ 5.280 para uma única pessoa. A promoção vale até 15 de outubro, mas volta em 2013, a partir de abril.

Outro exemplo são os pequenos e elegantes navios de cruzeiros da Silversea (11-3078-2474). Embarcar sem companhia custa 25% a mais - e não o dobro, como de costume. Por 12 noites no navio Silver Wind, em um roteiro de Pireus, na Grécia, a Istambul, na Turquia, você fica sozinho em uma cabine dupla pagando US$ 5.299. Na costa brasileira, para a temporada que começa em novembro, o Grand Holiday, da Ibero, tem cabines individuais - ou seja, paga-se o mesmo valor cobrado para dividir cabine dupla.

Autora do livro Sozinha Mundo Afora (2011), com dicas para mulheres que viajam desacompanhadas, e com ao menos 25 viagens solo no currículo, a jornalista Mari Campos é uma expert no tema. Tanto que encontra brecha para tornar a aventura mais econômica até no quesito transporte. Ao chegar ao aeroporto, ela procura pelo serviço de shuttle. São vans ou micro-ônibus que passam nos principais hotéis e custam menos da metade do valor da corrida de táxi. Supercomuns em grandes cidades.

Já se o destino for isolado, como várias praias do Nordeste brasileiro, pode ser que a pousada que você reservou tenha transporte desde o aeroporto mais próximo por valores competitivos. "Além disso, dependendo do destino e da habilidade do viajante, dá para trocar o carro alugado por moto ou bicicleta", diz.

Milhão de amigos. Pensando bem, temos algo a dizer a respeito de solidão também. Pode parecer clichê, mas só fica sozinho quem quer. Alguma cara de pau para se aproximar das pessoas ajuda. Mas não é a única chance.

Criada no ano passado, a rede Colunching reúne interessados em encontrar companhia para almoçar ou jantar em 19 países. Com cadastro, você vê os lugares onde outros viajantes farão suas próximas refeições e combina de se juntar a eles. Ou faz seus próprios convites.

Outra boa ideia para fazer amigos é o pub crawl, um tipo de passeio noturno em que viajantes se reúnem para visitar bares. Os centros de informações turísticas costumam ter indicação. A internet também: basta pesquisar "pub crawl" e o nome da cidade em questão. Pronto, você encontrou sua turma.

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