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7 maneiras de não ser um viajante babaca

amandanoventa

14 Março 2016 | 08h37

Eu sei que você deve estar achando que este texto não é para você. Mas é tão fácil cometer uma babaquice durante a viagem e não perceber por estar envolvido com o momento. Além disso, viajar dá aquela sensação de que ‘tudo pode’ que às vezes a gente acaba se confundindo e achando que pode ser um babaca também. Será?

Veja o básico do babaca durante uma viagem:

1. A sua foto não pode ser mais importante do que a sua viagem

A foto poderia ser algo saudável, que você faz para registrar um momento que queira guardar. Mas aí colocamos vaidade no meio e tudo começa a girar em torno da foto e não do momento. Confesso ter ficado com vergonha quando Mick Jagger e um jornalista que acompanha a turnê dos Stones criticou o uso de celular nos shows do Brasil dizendo: “Os brasileiros podem ser belos. Mas será que precisam ficar fazendo selfies durante o show inteiro, com as costas para o palco?” Pois é, #somostodosbabacas.


Levando essa vergonha para o mundo das viagens, a mais recente que tivemos foi o caso da multidão de turistas tirando fotos com um golfinho que apareceu morto numa praia argentina. A princípio disseram que o golfinho havia morrido na areia uma vez que os turistas preferiram tirar fotos a devolvê-lo no mar. Depois concluiu-se que ele já havia chegado morto e todos ficaram aliviados, como se o fato de tirar foto com um golfinho morto amenizasse o ponto bizarro a que chegamos só para ter uma foto (e postar, claro).

2. Seu desconforto durante o vôo não justifica a sua babaquice

É fácil ser babaca no avião porque você passa pelo menos uma hora se sentindo uma sardinha enlatada e começa a se achar no direito de ser um babaca para se vingar de todo o desconforto que está passando. Portanto, atenção para algumas regrinhas básicas para resistir e não se comportar como um babaca: não coloque os pés no descanso de braço de quem está na sua frente; pais devem prestar atenção a seus filhos e tentar mantê-los sob controle; e o mais babaca de todos: quando o avião parar, lembre-se que quem está sentado à sua frente tem prioridade de saída, portanto dê passagem. Eu já postei aqui uma lista dos passageiros mais irritantes durante um voo. Mas, na dúvida, lembre-se: seu desconforto não justifica sua falta da educação.

3. Achar que em outro país as pessoas são obrigadas a entender português

A justificativa é a máxima: “Quando eles vão para o Brasil nós temos que falar inglês. Agora eles que se esforcem para entender o que a gente fala”. Já vi essa situação dezenas de vezes. Uma delas no aeroporto francês Charles de Gaulle, no qual dois brasileiros (que estavam errados) entraram numa discussão com uma agente do aeroporto e começaram a discutir em português, bradando esse argumento. Amigo, deixa eu explicar uma coisa, o mundo é assim: alguns idiomas se tornaram mais importantes que outros e o português não foi um deles. E assim como você não entende um idioma que nunca aprendeu, a pessoa também não vai entender o seu querido português. No máximo vai ter um brasileiro por perto assistindo tudo aquilo com vergonha e te achando um babaca.

4. Se hospedar na casa dos outros e achar que eles têm que te servir

Você não quis pagar um hotel, então vamos fazer o possível para não incomodar? Que tal comprar um vinho para a anfitriã, ajudar com a louça, manter tudo limpo e organizado e, principalmente, fazer o possível para passar despercebido? Seja cordial e gentil.

5. Chegar em outro país e ficar contrariando os costumes achando que o certo é o que você faz

Vai por mim, nada do que você reclamar sobre a cultura de outro país vai mudar os costumes. Eles nunca vão achar que um turista chegando em seu país e reclamando de algum costume estará certo (na maioria das vezes, você não está certo mesmo). Alguns países têm costumes irritantes para nós, evoluídos brasileiros-latinos-americanos-ocidentais. Quer um exemplo? Na China é extremamente irritante o fato dos chineses não fazerem fila e simplesmente entrarem na sua frente. E reclamar não vai mudar isso. É um hábito que vem de muitos anos de miséria na China, onde os chineses disputavam a comida que oferecida a eles. Ninguém sabe ou lembra disso na hora que um chinesinho entra na frente na fila do restaurante. A gente só se irrita e diz que é um absurdo. Mas esse é o típico caso “aceita que dói menos”. Ninguém vai mudar um hábito de séculos porque um turista está reclamando.

6. Não dar gorjeta porque, afinal, você é brasileiro e no Brasil não temos esse costume

Isso é a mesma coisa que desrespeitar um costume. Nos países onde a gorjeta é um hábito comum, todo mundo paga e não reclama (o ideal é 20% do valor da conta). Se você vai viajar, já tem que incluir isso no seu orçamento de viagem. Não pega bem não pagar a gorjeta só “porque no Brasil ninguém faz isso”. Você vai parecer um babaca que não sabe viajar.

7. Achar que porque você está de férias, você tem passe livre para ser um babaca

Aquele cara que sai falando alto, que sai causando, que quer se aparecer e não está nem aí para o que os outros pensam, afinal, ninguém o conhece, não é mesmo? Esse tipo de babaca é o mais comum, aquele que acha que porque está viajando pode ser um babaca sem medo de ser feliz. Brasileiros são fanfarrões e já integraram a lista de piores turistas. Mas não estão sozinhos. Barcelona não agüenta mais os turistas italianos bêbados e barulhentos e, em Roma, houve um episódio de turistas americanos entrarem na famosa Fontana di Trevi para se banhar.

Mas não importa a nacionalidade. Cabe a cada um de nós não ser o babaca do avião, da foto e do desrespeito à cultura. O bom viajante sabe que uma viagem pode trazer liberdade para ser o que quiser. E mesmo assim ele escolhe não ser um babaca.

Amanda escreve sobre viagens. Acompanhe o blog através do Facebook em Amanda Viaja e pelo instagram @amandanoventa.

 

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