A dor e a delícia de ter um espírito livre
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A dor e a delícia de ter um espírito livre

amandanoventa

28 Abril 2014 | 00h34

A pessoa de espírito livre vive um grande dilema. Sofre por ter que ouvir um “de novo?” quando diz que vai viajar no mês que vem, sofre por tentar convencer as pessoas de que é normal viajar tanto. Mas ao mesmo tempo, é a pessoa mais feliz do mundo quando viaja, sempre achando que aquele é o lugar mais lindo que já esteve. Mesmo tendo estado em outros lugares “mais lindos do mundo”.

Não é fácil ter um espírito livre. As pessoas não estão acostumadas. Continuam achando que o normal é apenas o pacote: estudar, trabalhar, namorar, casar e ter filhos. E qualquer coisa fora disso, você desandou.

Mas ser normal tem um conceito diferente para cada um. Deixa eu explicar… Por exemplo, se você sonhou a vida inteira em casar e ter filhos, isso é normal para você. Eu nunca sonhei com isso, portanto me parece a coisa mais normal do mundo não ter filhos. Ou então para você pode ser normal todas as noites depois do trabalho, se dedicar à pintura de um quadro. Pra mim não é, simplesmente porque nunca pretendi fazer isso. Mas não vamos tentar um convencer o outro do contrário, ok? O legal é respeitar. Eu já me vi em conversas com as minhas amigas sobre as flores que deveriam usar no casamento delas. E, me desculpe, mas eu não tenho a mínima ideia ou interesse em decoração de casamento. Mas as respeito e ainda dou minha opinião feliz da vida quando solicitada.

E quem está te falando tudo isso não é uma mochileira-hippie-doidona-uhu, mas uma mulher formada em Engenharia, com uma carreira internacional, que fez MBA e hoje é gerente em uma das empresas mais conhecidas do Brasil. Quer coisa mais “normal” do que isso? Mas mesmo assim eu não convenço as pessoas. E me nego a abandonar meu espírito livre, seguindo com meu dilema da dor e delícia de ser assim.


DOR

As pessoas podem não te levar tão a sério. Minha técnica para provar que elas estão erradas a meu respeito foi sempre estudar, ter uma carreira bacana, ser educada… tudo para esconder meu espírito livre e para me darem um pouco de razão. Mas tentar provar que você não é uma louca o tempo todo cansa, né? Aí parei.

Sua família pode discordar do seu estilo de vida. Meses atrás quando mudei de emprego, cogitei comprar um carro pois meu trabalho fica longe de casa. Meu pai disse que se eu não tivesse ido a Machu Picchu e Cancun, teria conseguido comprar um. Assunto encerrado. Hoje ando de ônibus feliz e contente. Não troco nenhuma das minhas viagens por nada.

Pode ser difícil encontrar um namorado(a). Até um tempo atrás eu escondia dos homens o quanto queria viajar para lugares inóspitos, morar fora do país de novo e até que não estou preocupada com casamento e filhos. Tudo isso sempre assustou aqueles de “vida normal”. Mas hoje não escondo mais nada. Na verdade, serei infeliz se me relacionar com alguém que não me conhece de verdade. E ainda tem a questão de afinidade: provavelmente, não vou me apaixonar se ele tiver uma vida normalzinha e não gostar da minha vida maluquinha.

DELÍCIA

Você tem amigos em qualquer parte do mundo. Quando você viaja e abre sua mente para o novo, você se comunica, conhece pessoas novas e interessantes e que podem se tornar amigos para sempre. Sabe aquela viagem que você quer fazer pra Europa? Então, que tal ficar na casa daquela amiga londrina que você conheceu na última viagem? E as dicas sobre a Índia com aquele seu amigo indiano?

Você se torna uma pessoa mais interessante. Apesar das pessoas não te darem moral com as suas ideias muito “loucas”, acredite: elas vão ouvir as suas histórias com brilho nos olhos e até um pensamento de “puxa, se eu tivesse coragem…”. Sem contar, que você sempre terá assunto em qualquer lugar, com qualquer pessoa, em qualquer situação.

Os relacionamentos amorosos são menos tediosos. As pessoas de espírito livre quando se encontram, naturalmente planejam aventuras, finais de semana interessantes e viagens dos sonhos juntas. E de tanto se aventurarem por aí, ficar em casa tranquilas vendo um filminho, já é sair da rotina.

Mas enquanto você decide o que é normal e o que não é, se deve assumir seu espírito livre ou não, se casa ou compra uma bicicleta, se sai do seu emprego insuportável ou daquele relacionamento infeliz com aquela pessoa que não te deixa fazer nada, vou ali comprar minha passagem para aprender a surfar na Costa Rica. Depois te conto como foi.

 

Este post foi originalmente publicado no meu blog Amanda Viaja mas achei que seria uma ótima maneira de me apresentar aos leitores do Estadão. É com muito prazer que a partir de hoje começo a escrever aqui no Amanda Viaja. Espero que você goste e que me acompanhe nessa nova jornada.

Amanda é viajante por profissão. Acompanhe através do Instagram em @amandanoventa, pelo Youtube em Amanda Viaja e Facebook em Amanda Viaja.

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