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Como continuar viajando depois do que aconteceu com as turistas argentinas

amandanoventa

07 Março 2016 | 10h00

Quando vi o que aconteceu com as duas amigas argentinas que viajavam pelo Equador e foram mortas por dois homens, logo lembrei da minha viagem com duas amigas pelo México, que também não é o país mais seguro do mundo. Poderia ser comigo e com as minhas amigas. É inevitável para quem gosta de viajar se colocar no lugar das duas turistas.

Isso se mostrou com o comentário de mulheres na internet e através da hashtag #viajosozinha onde centenas delas se colocaram no lugar das turistas e acalentaram uma discussão necessária sobre segurança e assédio durante uma viagem. Os principais pontos levantados foram: as mulheres não viajavam “sozinhas” só porque não tinham a companhia de um homem; não dá para culpar a mulheres pelo que aconteceu com a justificativa de que elas “se colocaram naquela situação” e, por fim, todos temos o direito de viajar com segurança independente do gênero.

Algumas leitoras me mandaram mensagens querendo que eu escrevesse sobre o assunto. Quem acompanha o blog há um tempo já percebeu que eu sou uma grande incentivadora de que as mulheres viajem, seja como for. Mas quando acontece esse tipo de barbárie, fica mais difícil fazer o meu trabalho, porque nada muda o fato de que ficamos com medo.

Fiquei pensando sobre isso. Sobre o que me movia a continuar viajando mesmo com medo e cheguei a algumas conclusões:


O lado bom do medo

Eu me apego ao fato de que se estou com medo é porque meus instintos de proteção estão ligados. É o medo que faz com que você evite andar na rua em certos horários, aceite caronas de estranhos, não beba demais com desconhecidos, etc. É triste, mas o medo acaba nos protegendo.

Estar na companhia de um homem não é necessariamente estar mais segura

A sensação que a gente tem ainda é a de que estaremos mais seguras na companhia de um homem que conhecemos. Não vou negar que quando viajo com o meu namorado, me sinto bem mais tranqüila, sem precisar ficar com o radar ligado o tempo todo. Mas, analisando racionalmente, os riscos são os mesmos. Basta lembrar de notícias como a do casal de britânicos que foi morto na Tailândia em 2014, o estudante brasileiro que desapareceu no Peru por um crime que ainda está sendo investigado ou o casal de franceses que foi assassinado na fronteira com o Brasil em 2010.

Vivendo num país violento

Acho que você já deve ter percebido que a maneira como você se comporta durante uma viagem não é muito diferente do que você faz no dia-a-dia no Brasil. Isso porque vivemos num país tão violento que acaba nos forçando a encontrar maneiras de se proteger o tempo todo.

Uma notícia pouco comentada foi a morte de uma turista também argentina na praia de Copacabana no mês passado. Ela estava na areia com mais duas amigas às duas da manhã quando foram abordadas por dois homens que acabaram roubando suas bolsas e esfaqueando a turista. Nós ouvimos tantas notícias como essa que nossos instintos já sabem que estar na praia esse horário pode não dar certo. Assim como não andar por certas ruas de madrugada, não aceitar carona de estranhos, ir de táxi e não a pé, etc. Esses são alguns exemplos de estratégias de proteção que temos adotado no nosso dia-a-dia e ampliado para as viagens.

Para continuar seguindo em frente, carrego o pensamento de que coisas terríveis podem acontecer comigo enquanto viajo, mas coisas terríveis podem acontecer comigo nas ruas de São Paulo. Já o inverso nem sempre é verdadeiro; há surpresas e experiências incríveis que só numa viagem.

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