Manifestação com rave: faz sentido no país vibrante que é o Líbano
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Manifestação com rave: faz sentido no país vibrante que é o Líbano

amandanoventa

24 de outubro de 2019 | 10h44

Eu estou chocada com as manifestações no Líbano. Chocada no bom sentido. Maravilhada define melhor. Estive no país há um mês e ver agora as manifestações sendo feitas com direito à música eletrônica, só confirma as impressões que tive do lugar.

O vídeo de um DJ tocando na cidade de Trípoli durante a manifestação viralizou pela internet (e eu já assisti umas cinco vezes de tão legal que é). Não satisfeita, também estou acompanhando um perfil no instagram @livelovebeirut que vira e mexe entra ao vivo com a transmissão do protesto e dá-lhe música eletrônica de fundo. 

Mas antes que venha algum desinformado com aquele papo de que “isso não é manifestação e sim festa blá blá blá”, adianto que está rolando protesto pesado sim, com direito a bombas de gás e tiros de borracha. Segundo o jornal The Guardian, milhares de libaneses também bloquearam as estradas principais queimando pneus. 

Tudo começou porque o governo queria taxar o uso do whatsapp no país. Mas acabou se transformando em algo bem maior e um quarto da população do Líbano foi para as ruas contra a corrupção. Famílias com crianças, jovens, idosos… Repito: é um quarto do país se manifestando.

Foto de reprodução instagram @livelovebeirute

Mas falando de turismo, já que esse blog é sobre isso, Beirute é uma cidade vibrante – é todo mundo lindo, eles são apaixonados pela vida noturna e ainda tem o mar mediterrâneo que dá aquele clima de férias de verão. Deve ser por tudo isso que a cidade vem recebendo tantos turistas que já descobriram a magia de Beirute. Numa só noite conheci tanto um grupo que vinha de Dubai quanto um grupo que vinha da Europa só pra passar o fim de semana na cidade. Um lugar onde ainda se pode beber na rua, fumar em lugares fechados e voltar pra casa andando de madrugada sem risco nenhum.

Sem contar que as baladas do Líbano já entraram diversas vezes para as melhores do mundo. Neste ano, a população de Beirute viu uma de suas ruas mais famosas pela noite – a Uruguai Street – renascer depois de ter fechado em 2016 por problemas econômicos. Com o crescimento do turismo a rua volta a funcionar. São dezenas de bares, pubs e baladas no centro da cidade, naquele belíssimos edifícios antigos e restaurados. Um charme só. Energia também.

Porque os libaneses gostam de sair à noite, gostam de festa. Me hospedei num Airbnb de uma libanesa que saía todos os dias para tomar uma cerveja com os amigos. Numa dessas, ela me convidou pra ir junto. Foi o máximo! Em poucos lugares do mundo me senti em casa como em Beirute. E te garanto: eles não são diferentes de nós, brasileiros (mesmo estando do outro lado do mundo). E ainda tem uma gentileza como bônus extra – bebemos a noite toda e Celine fez questão de pagar a conta porque, segundo os libaneses, “você está no Líbano”. No dia seguinte, fui almoçar e tomar uns drinks com outras libanesas e mesma coisa – saí sem pagar a conta.

É por isso que não me surpreende ver como essas manifestações estão sendo feitas no Líbano. Depois de tudo o que vivi e das pessoas que conheci, assisto de longe à Revolução (como eles têm chamado esses protestos) com a mesma sensação de quando estive lá: que vontade de ser um pouco libanesa!

Amanda Noventa é produtora de conteúdo de viagem. Acompanhe no instagram @amandanoventa