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O irresistível ‘free wi-fi’

amandanoventa

26 Julho 2015 | 20h39

Semanas atrás, revistas e jornais estrangeiros estampavam a notícia: ‘O Taj Mahal agora tem free wi-fi’. A internet gratuita no ponto turístico mais visitado da Índia faz parte de um programa do país para trazer acesso à internet a 346 milhões de indianos até 2018. A iniciativa é boa. E também funcionou como uma bela estratégia de marketing para enaltecer e divulgar a maior atração turística de seu país. Além do Twitter apontar #tajwifi em seus trending topics assim que a notícia foi divulgada, imagine agora quantos turistas do mundo irão tirar uma foto em frente ao templo indiano e imediatamente postar nas redes sociais? Está aí a maior propaganda.

Algumas questões e polêmicas foram levantadas desde que o fato ocorreu – se era certo ou errado colocar o wi-fi num lugar para se contemplar e não para se conectar, como os visitantes estão reagindo a isso, se o pau-de-selfie no Taj Mahal vai aumentar, enfim. É a mesma coisa que colocar wi-fi nas ruínas de Machu Picchu, no Cristo Redentor, no caminho de Santiago de Compostela e tantos outros lugares pelo mundo vistos como turísticos e até ‘sagrados’.

Eu sou dessas que acha que deveria ter wi-fi em absolutamente todos os lugares. Que deveria simplesmente estar no ar. Basta saber usar.

No entanto, quando fiquei em Cuba por dez dias sem nenhum acesso à internet, a vida (e a viagem) seguiram normalmente sem nem lembrar do que era ficar online. Nos momentos em que precisei falar com a minha família, usei o telefone e pronto. Eu realmente não senti falta de me conectar. Mas e se a internet estivesse ali, disponível para eu usar de vez em quando, num café qualquer de Habana Vieja? Bom, eu provavelmente teria aproveitado a cortesia. É quase irresistível mandar uma foto para o grupo de amigos no whatsapp para mostrar como é lindo o pôr-de-sol, mostrar que um autêntico mojito cubano é mais gostoso ainda e que você está mais feliz do que nunca. Qual o problema em compartilhar essa felicidade, mostrar novos lugares e instigar as pessoas a também viverem a experiência?


A mesma coisa pode acontecer no Taj Mahal. Não vejo mal em tirar uma foto e compartilhar com os amigos, desde que isso não seja mais importante do que a própria viagem.

O presidente indiano foi inteligente e deixou o wi-fi free por apenas vinte minutos – fazendo um grande favor aos descontrolados. Afinal o problema não está em ter, mas em como se usa o wi-fi.

Fazer uma viagem esperando a próxima conexão à internet, se preocupar mais com a postagem do que com o ‘ao vivo’, compartilhar nas redes sociais mais do que viver o momento me parece uma inversão de valores do viajante. Eu gosto de pensar que o wi-fi tem que ser livre, mas nem por isso irresistível.

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