Não tem jeito. Vamos ter que fazer viagens mais sustentáveis.
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Não tem jeito. Vamos ter que fazer viagens mais sustentáveis.

amandanoventa

21 de dezembro de 2020 | 11h47

Estamos atrasados na discussão sobre turismo sustentável. Meu palpite é que, além da falta de conhecimento, a gente lida com um egocentrismo de “estou de férias e não quero pensar em mais nada além do meu próprio prazer”. 

Ainda não engoli o fato de ter feito um episódio sobre o assunto no meu podcast ‘Por Trás da Selfie‘ (afinal eu também tô tentando aprender) e este ter sido o de menor audiência até hoje. Mas enquanto não supero, trago a notícia de que o mundo já está pensando sobre isso e que essa é a tendência de turismo para os próximos anos, principalmente depois de uma pandemia em que o setor foi duramente afetado.

Todo fim de ano as principais publicações de viagem – Lonely Planet e National Geographic – fazem uma lista com os melhores destinos para viajar no ano seguinte. Este ano, claro, as listas vêm com um viés mais inspiracional por conta da pandemia. Mas ainda assim, na hora de sugerir as próximas viagens, a preocupação de ambas as publicações foi o turismo sustentável.

Mas o que turismo sustentável tem a ver com 2021 enquanto a gente ainda vive uma pandemia?

Tem muito. Mas para responder essa pergunta primeiro a gente tem que lembrar que sustentabilidade não se refere só ao meio ambiente. Tem também o lado humano da coisa. Turismo sustentável, por definição inclusive da World Tourism Organization, é aquele que tem impacto não só ambiental mas também na cultura e economia dos lugares que você está visitando. E 2020 foi um ano de desafio para as comunidades locais. Pensa que o turismo é a primeira ou segunda fonte de renda externa para países subdesenvolvidos e que esse ano tudo parou.

Foi por isso que a Lonely Planet este ano, ao invés de simplesmente fazer uma lista de melhores destinos, decidiu enaltecer lugares e pessoas que têm um compromisso genuíno com sustentabilidade, comunidade e diversidade. Então o que entrou pra lista foi o programa de conservação de Rwanda que ajuda gorilas em extinção, a acessibilidade da Costa Rica que permite que pessoas mesmo numa cadeira de rodas consigam ter experiências de aventura, a diversidade cultural de San Diego com comunidades hispânicas, indígenas e de minoria formando 59% da população; El Hierro nas Ilhas Canárias como um destino de turismo feito para todas as idades, o restaurante Hiakai na Nova Zelândia como melhor comida indígena e até empresários e criadores de conteúdo que fazem diferença no mundo.

A Nat Geo foi na mesma linha, valorizando também destinos com comunidades resilientes e inovadores na conservação ambiental sem esquecer que a tendência de turismo pós-pandemia é para mais experiências ao ar livre e menos grandes metrópoles e lugares fechados.

Ou seja, a gente pode até chegar atrasado pro play da viagem sustentável. Mas não vai ter como fugir porque o mundo já está pensando e falando sobre o assunto e, sem nem perceber, você vai ser influenciado (olha aí você lendo meu texto). Mas é a influência boa, aquela que a gente precisa. Fica tranquilo.

Amanda Noventa é engajada em ajudar mulheres a viajarem e serem independentes. Também é podcaster no Por Trás da Selfie e fundadora da Fuga. Siga @amandanoventa no instagram.

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