As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Como eu me sinto quando entro no avião e vejo uma criança ou um bebê

amandanoventa

01 Fevereiro 2016 | 09h28

“Tomara que ele não chore”. Esse é o meu primeiro pensamento ao ver aquele bebê ou criança sendo acomodado pela mãe no colo ou num banco qualquer do avião. A mãe deve desejar a mesma coisa, afinal, ninguém quer ver o próprio filho estressado.

Não tenho filhos e nenhuma vontade de ser mãe. Sou apenas uma passageira comum nos voos mundo afora. No entanto, não pude deixar de me chocar com os comentários de um artigo do New York Times sobre famílias que viajam de avião com crianças.

“Horrível”, “irritante”, “desagradável” foram algumas das palavras usadas pelos leitores que descreveram como é viajar com crianças – sejam seus próprios filhos ou de algum outro passageiro. Um leitor se destacou por seu comentário com 200 curtidas dizendo: “Famílias com crianças pequenas deveriam ser cobradas a mais por toda a destruição que causam com a sua atitude ‘bebê a bordo’(…). Mantenham seus filhos em casa até que eles completem sete anos ou vão de carro, pais egoístas”.

Além da grosseria do comentário, que injustiça desejar que os pais fiquem em casa só porque têm crianças pequenas. Não tenho dúvidas do stress gerado durante uma viagem dessas (para os pais e para os filhos). Mas, além de muitas vezes os pais simplesmente precisarem viajar, consigo ver inúmeras vantagens ao tirar uma criança de seu ambiente comum. Apenas para citar algumas aqui: crianças podem notar diferenças culturais, de idiomas e sotaques, adquirindo noções de respeito ao próximo; descobrem que no mundo existe praia, montanha, deserto, animais selvagens, construções diferentes das que vê em casa; podem entender melhor a geografia e história dos lugares e até se tornarem mais tolerantes pois terão um melhor entendimento do que significa, afinal, a palavra ‘mundo’. E se os filhos são bebês… Gente, deixem os pais se divertirem e descansarem um pouco.


Cabe a nós, passageiros, entendermos que crianças choram, crianças fazem coisas de crianças e que às vezes fogem do controle dos pais. Como passageira frequente nos vôos, acredito que cada um de nós pode fazer o seu papel: a companhia aérea pode tentar acomodar a família da maneira mais confortável para evitar transtornos (geralmente os colocam no fundo ou na frente do avião), os pais podem acalmar os filhos e ensinarem noções de comportamento em vôos; e o restante dos passageiros podem ser compreensivos, educados e quem sabe até solícitos?

Meu comentário favorito na matéria do New York Times dizia assim: “Por que não podemos ajudar os outros dentro de um avião como em qualquer outro lugar? Aquela criança chorando pode ter algum problema médico ou uma dor de ouvido. Portanto levante-se, coloque a mão no ombro da mãe estressada e pergunte ‘posso te ajudar?’. É incrível como o voo pode ficar bem melhor para todos os envolvidos, incluindo para você”.

Desejar que as crianças fiquem em casa pode até ser mais fácil, mas ainda são a gentileza e respeito ao próximo que continuam fazendo diferença para que tenhamos um mundo mais tolerante.

Acompanhe o blog e as aventuras de Amanda através do Facebook em Amanda Viaja e pelo instagram @amandanoventa.

Mais conteúdo sobre:

criançasfilhosviagemviajar