Exposição sobre Mandela no Museu Canadense dos Direitos Humanos

Exposição sobre Mandela no Museu Canadense dos Direitos Humanos

Museu Canadense dos Direitos Humanos homenageia Nelson Mandela com exposição até outubro de 2019, em Winnipeg. Réplica da cela onde o líder africano ficou preso e projeções sobre regime de segregação racial estão entre os destaques

Nathalia Molina

09 de julho de 2018 | 12h47

Talvez pouca gente saiba (eu mesma desconhecia) que Nelson Mandela é uma das seis pessoas que já recebeu o título de cidadão canadense honorário. Mas está longe de me causar espanto. Afinal, Mandela foi a principal liderança em defesa dos direitos humanos do século 20, condição que lhe valeu o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

O líder político e ex-presidente da África do Sul é novamente reverenciado no Canadá, agora como tema da exposição Mandela: Struggle for Freedom (Mandela: Luta pela Liberdade), em cartaz no Museu Canadense dos Direitos Humanos, em Winnipeg. A mostra conta com o apoio do Museu do Apartheid, de Joanesburgo. A exibição fez sucesso e foi prorrogada até 14 de outubro de 2019.

Quando estive pela primeira vez em Winnipeg, numa parada do trem de Toronto a Vancouver em 2010, o Museu Canadense dos Direitos Humanos estava sendo construído. Quatro anos depois, voltei a essa cidade, localizada no centro do país, na província de Manitoba. Fui, então, à inauguração do museu no Canadá.

Exposição sobre Mandela no Museu Canadense dos Direitos Humanos – Fotos: Jessica Sigurdson/CMHR/Divulgação

Nelson Mandela, que completaria 100 anos no próximo dia 18 de julho, deixou a prisão de Robben Island em 1990, mesmo ano em que visitou o Canadá para agradecer pelo apoio recebido de lideranças e do povo canadense em sua luta pelo fim do apartheid.

Uma réplica da cela onde Mandela passou 18 dos 27 anos em que esteve preso representa parte importante da mostra em Winnipeg. O visitante pode entrar nesse ambiente, cujas paredes exibem projeções nas quais são contadas as trajetórias de repressão e de resistência que envolveram a África do Sul, vítima do regime oficial de segregação racial entre 1948 e 1994.

Um muro com leis baseadas única e exclusivamente no tom de pele dão a dimensão do que era permitido ou não fazer nos anos do apartheid.

Com elementos interativos e digitais, a exposição apresenta também cartas censuradas do líder sul-africano, uma urna usada na primeira eleição democrática — que elegeu Mandela presidente do país em 1994 — além de referências à resistência do Soweto, o bairro-símbolo da luta contra a discriminação racial.

Christopher Till, fundador e diretor do Museu do Apartheid, esteve presente na abertura da exposição em Winnipeg, que ficaria em cartaz, a princípio, até 6 de janeiro de 2019. Till destacou que a luta de Mandela em defesa dos direitos dos negros na África do Sul encontrou ressonância em muitos outros países. “A vida dele é um exemplo de luta contínua contra os abusos de direitos humanos que prevalecem em muitas parte do mundo. E essa exposição pode servir como grito de guerra.”

 


* Nathalia Molina é jornalista de viagem e especialista em Canadá. Também escreve o Como Viaja, com dicas e experiências no Brasil e no exterior. Acompanhe pelo instagram @ComoViaja, pelo facebook ComoViaja e pelo canal do Como Viaja no YouTube