Museu Canadense dos Direitos Humanos, em Winnipeg

Museu Canadense dos Direitos Humanos, em Winnipeg

No Canadá, museu para os direitos humanos fica em Winnipeg: conheci a cidade quando estava sendo construído e voltei na inauguração. Exposições temporárias usam interatividade e mostram diferentes partes do mundo

Nathalia Molina

11 de novembro de 2016 | 12h17

Durante o trajeto do The Canadian, trem de Toronto a Vancouver, uma das paradas foi em Winnipeg. Tive tempo para explorar a área perto da estação, chamada de The Forks. Na ocasião, parei para fotografar uma estátua de Mahatma Gandhi e vi, no fundo do plano, um guindaste. Estava sendo construído ali um museu para os direitos humanos, o Canadian Museum for Human Rights (CMHR), numa tradução livre, Museu Canadense dos Direitos Humanos.

Minha primeira visita a Winnipeg – Foto tirada pela minha amiga canadense Marie-Julie Gagnon

A estátua foi um presente do governo da Índia à associação de amigos do então futuro museu. Quatro anos depois, voltei à cidade na província de Manitoba e tive a oportunidade de conhecer o CMHR num evento para a imprensa, antes de sua inauguração para o público.

Naquela noite festiva de 2014, tivemos uma palhinha da proposta do museu. Deu para apreciar bem as linhas do projeto do americano Antoine Predoc, que se destaca com facilidade na paisagem de Winnipeg. O arquiteto misturou pedra, aço, vidro e concreto para dar forma à construção sustentável, que custou em torno de 350 milhões de dólares canadenses.

Arquitetura do Museu Canadense dos Direitos Humanos – Fotos: Nathalia Molina @ComoViaja

 

Como são as exposições do museu em Winnipeg

A instituição pretende fomentar a evolução, a celebração e o futuro dos direitos humanos, de acordo com a descrição no site do próprio CMHR. Com montagens que levantam diferentes perspectivas, tanto com o uso de objetos quanto de recursos multimídia, a instituição propõe interatividade com o público. Se você está se perguntando — como eu fiquei — como seriam e do que tratariam as exposições do Canadian Museum for Human Rights, as exibições temporárias dão uma boa amostra.

A exposição sobre Mandela fez sucesso e foi prorrogada até 14 de outubro de 2019. Com o apoio do Museu do Apartheid, de Joanesburgo, Mandela: Struggle for Freedom (Mandela: Luta pela Liberdade) exibe uma réplica da cela onde o líder passou 18 dos 27 anos preso, além de projeções mostrando o regime de segregação racial vigente na África do Sul entre 1948 e 1994.

Empowering Women (Empoderando Mulheres), em cartaz até janeiro de 2017, mostrou a importância de cooperativas de artesãs para transformar as comunidades onde elas vivem. Uma experiência de realidade virtual leva os visitantes até a Guatemala.

Para o aniversário de 150 anos do Canadá em 2017, o museu fez Points of View (Pontos de Vista), com fotografias inscritas pelo público sobre quatro temas: direitos humanos e meio ambiente; inclusão e diversidade; reconciliação; e liberdade de expressão.

Até julho de 2018, Freedom of Expression in Latin America (Liberdade de Expressão na América Latina) tinha peças de arte e depoimentos para contar a história de pessoas que fizeram da arte um instrumento para trazer à tona a verdade e levar as pessoas à ação.

A participação do público é fundamental para o papel do CMRH ser efetivo, como está descrito no site da instituição: “Criando encontros inspiradores com os direitos humanos, iremos engajar canadenses e visitantes internacionais numa experiência imersiva e interativa que ofereça tanto a inspiração quanto as ferramentas para fazer a diferença na vida dos outros”.

Museu Canadense dos Direitos Humanos em Winnipeg – Foto: Aaron Cohen/CMHR/Divulgação

 

 


* Nathalia Molina é jornalista de viagem e especialista em Canadá. Também escreve o Como Viaja, com dicas e experiências no Brasil e no exterior. Acompanhe pelo instagram @ComoViaja, pelo facebook ComoViaja e pelo canal do Como Viaja no YouTube