Nota do Canadá de dez dólares tem mulher negra e museu de Direitos Humanos

Nota do Canadá de dez dólares tem mulher negra e museu de Direitos Humanos

Canadá lança nota com Museu Canadense dos Direitos Humanos e homenagem à ativista negra. Ela é a primeira mulher em cédula do país

Nathalia Molina

19 Novembro 2018 | 23h00

Começou a circular hoje a nota de 10 dólares canadenses. A nova cédula é a primeira a prestar homenagem a uma mulher. Além da ativista negra Viola Desmond, ela destaca o Museu Canadense dos Direitos Humanos (Canadian Museum for Human Rights) no verso. Além de bonita, de cor púrpura, a nota exibe essas imagens pela igualdade racial.

Nova nota do Canadá, com  Museu Canadense dos Direitos Humanos e ativista negra Viola Desmond – Fotos: Bank of Canada/Divulgação


Empresária negra, Viola Desmond se tornou um símbolo na luta contra a discriminação racial no Canadá depois de se recusar a se retirar da área exclusiva para brancos num cinema em 1946. A empresária foi presa e condenada a pagar uma multa por desafiar a segregação racial vigente na época. O episódio inspirou a luta pelos direitos dos negros no país.

A irmã de Viola, Wanda Robson, participou da apresentação da nota no Dia Internacional da Mulher (8 de março) deste ano, em Halifax. A ativista negra nasceu nessa cidade da província da Nova Scotia.

Lançamento da nota de 10 dólares canadenses no Dia Internacional da Mulher, com a participação de Wanda, irmã de Viola Desmond – Foto: Bank of Canada

Na nova nota roxa, a foto de Viola aparece ao lado de um mapa estilizado de Halifax com sua cidadela. Acima, a marca registrada até na bandeira do Canadá: folhas de maple.

Viola Desmond na nota canadense, com o mapa de Halifax, sua cidade natal

No verso da cédula, está em destaque o Museu Canadense dos Direitos Humanos (Canadian Museum for Human Rights – CMHR), com a pena de uma águia no alto, numa alusão à luta pelos direitos das Primeiras Nações, povos que viviam no país antes da chegada dos europeus. Essa é uma das causas abraçadas pelo CMHR em suas exposições. Também aparece na nota um trecho do capítulo da lei canadense sobre direitos e liberdades.

No verso da nota, o museu em Winnipeg pelos direitos humanos, a pena em alusão aos primeiros povos do Canadá e um trecho sobre direitos e liberdades

Museu Canadense dos Direitos Humanos

A história de Viola é contada na coleção permanente do Canadian Museum for Human Rights, desde sua inauguração em 2014. Localizada em Winnipeg, na província de Manitoba, a instituição é totalmente dedicada a pensar e promover os direitos humanos.

“Os canadenses agora vão carregar uma história sobre direitos humanos nos seus bolsos”, afirmou John Young, presidente e CEO do CMHR. Para ele, o lançamento da nota é uma oportunidade de estimular por todo o país questionamentos e conversas sobre temas como racismo e reconciliação. Em 2008, o Canadá criou uma comissão (Truth and Reconciliation Commission) para levantar documentos e criar um histórico sobre os primeiros povos, numa tentativa do país de se reconciliar com seu passado. Tudo isso faz parte do acervo permanente do museu.

Entre as temporárias lembro que já falei aqui da exposição sobre Mandela no Museu Canadense dos Direitos Humanos; segue em cartaz até janeiro de 2019.


* Nathalia Molina é jornalista de viagem e especialista em Canadá. Também escreve o Como Viaja, com dicas e experiências no Brasil e no exterior. Acompanhe pelo instagram @ComoViaja, pelo facebook ComoViaja e pelo canal do Como Viaja no YouTube