Whistler, no Canadá: com ou sem esqui

Whistler, no Canadá: com ou sem esqui

Whistler, no Canadá, vale com ou sem esqui. O destino perto de Vancouver tem pontos interessantes tanto na estação quanto na vila

Nathalia Molina

31 de janeiro de 2017 | 12h25

Acordei me sentindo em Whistler. no Canadá. Daria para dizer que foi influência da caneca de café. Mas não. O bondinho vermelho do Peak 2 Peak realmente me acompanha nas manhãs desde que voltei do país em dezembro. Só que hoje, em pleno verão brasileiro, senti o frescor da neve. Como é bonita aquela vila no alto das montanhas de British Columbia. Com ou sem esqui, dentro ou fora da estação, é um lugar com vários pontos interessantes para visitar.

Ainda que você, como eu, não tenha nenhuma habilidade com os esquis, as ruas nevadas, as construções charmosas, o vai e vem de roupas e touquinhas coloridas e, principalmente, os picos com gelo fazem de Whistler um lugar encantador. E ainda é pertinho de Vancouver — veja guia gratuito com dicas de Vancouver.

Até as nuvens ajudaram a desenhar a paisagem do meu primeiro dia em Whistler – Fotos: Nathalia Molina @ComoViaja

Café da manhã com Canadá, nas canecas de Whistler e Vancouver

Fica pertinho de Vancouver, cerca de 120 quilômetros ao norte. É possível ir até lá sem alugar um carro. Há linhas de ônibus ligando a cidade no Pacífico ao destino nas montanhas. Passam de hotel em hotel em Whistler deixando os visitantes, que embarcam no aeroporto ou em pontos centrais de Vancouver. O mesmo vale para o retorno.

Outro fato interessante, uma surpresa para mim, é que Whistler não é tão fria durante o inverno. Enquanto em outras regiões canadenses, as mínimas podem chegar a 30 graus negativos, lá as médias mais baixas variam entre 2 graus negativos e 8 graus negativos em janeiro, mês tradicionalmente mais gelado. Na montanha, a mínima pode ser de 12 graus negativos.

Eu peguei uma friaca atípica no Canadá, nada que minhas super roupas térmicas não dessem conta. Nevou até em Vancouver, algo nada comum. Então, em Whistler, encarei até 13 graus negativos na vila — em dezembro, a média mais baixa costuma ficar em torno de 5 graus negativos. No dia congelante (meu primeiro lá), o céu estupidamente azul — bluebird, como eles dizem por lá — me distraiu da temperatura. Este inverno está mais frio mesmo. Para hoje, está prevista mínima de 9 graus negativos na vila, por exemplo.

A estação e a vila

Para você entender melhor o destino, Whistler Blackcomb é o centro de esportes na neve local. Foi batizado com a junção dos nomes das suas duas montanhas. Sim, experimentei esquiar (e adorei). Não podia ficar com medo de cair — saiba como é a aula de esqui na estação.

Vamos lá, coragem!

No entanto, vi que quem não sobe nos esquis ou numa prancha de snowboard pode perfeitamente aproveitar Whistler Blackcomb. Dá para fazer um frozen citytour, passeando pelas montanhas e tomando o Peak 2 Peak, o bondinho que ilustra minha caneca. Esse foi certamente um dos pontos altos (sem trocadilho) da minha última viagem ao Canadá, quando fui convidada pelo Como Viaja a visitar lugares nas províncias de Ontario e British Columbia.

Mas Whistler não é apenas uma estação. Você deve estar acostumado a ver o destino nos jornais e nas revistas brasileiras quando saem reportagens sobre esqui. Eu mesma, já editei algumas delas em cadernos especiais de férias aqui no Viagem, por exemplo. É muito bacana, Whistler Blackcomb certamente tem de estar entre as opções dos viajantes brasileiros, pela excelente estrutura e pelos 50 anos de existência da estação, completados em 2016.

Só que é bom que você saiba, se ainda não descobriu, que Whistler é o nome da vila também. Pequenina e charmosa, no alto das Montanhas Costeiras, em British Columbia. Na Resort Municipality of Whistler, vivem em torno de 10 mil habitantes.

O centrinho só para pedestres

Desde a Olimpíada de Inverno, realizada em Vancouver e Whistler em 2010, o destino segue ganhando atrativos, como o Audain Art Museum (inaugurado em 2016 com perto de 200 obras de arte e galerias para exposições temporárias) ou o Squamish Lil’wat Cultural Centre (sobre as culturas de dois povos que habitavam a região antes da chegada dos europeus, os squamish e os lil’wat). Outra opção além do esqui é ir ao Scandinave Spa Whistler, para alternar quente e frio em tratamentos e banhos no meio da natureza.

Há ainda várias opções de bares e restaurantes para curtir o movimento constante, no alto da montanha ou na vila, numa refeição ou no après-ski (como é chamada a happy hour na neve). Whistler, aliás, é agitada dia e noite. Se você se hospedar no centro da vila, como eu que fiquei no Crystal Lodge, vai ouvir o burburinho nas ruas. Se gosta de tranquilidade, Whistler tem uma área afastada, mais chique: Upper Village, com apartamentos e hotéis. Ah, e não esqueça de conferir as chocolaterias locais. A maior parte das atrações do destino são conectadas por uma área de pedestres, chamada de Village Stroll.

Com tudo isso, Whistler atrai aproximadamente 2,7 milhões de visitantes ao ano. É um destino para grupos de amigos ou famílias que misturam esquiadores (iniciantes ou experientes) com quem prefere só contemplar a beleza da paisagem. Posso dizer que não falta nada em nenhum dos quesitos.


* Sou jornalista de turismo há mais de 20 anos. Escrevo o Como Viaja e apresento o Como Viaja | podcast de viagem, com dicas e experiências no Brasil e no exterior, ao lado de Fernando Victorino, também jornalista e locutor. Acompanhe mais novidades e curiosidades no Instagram @ComoViaja

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