10 mudanças de atitude para sermos turistas mais sustentáveis em 2022

10 mudanças de atitude para sermos turistas mais sustentáveis em 2022

Mari Campos

30 de janeiro de 2022 | 14h56

Já entendemos (a duras penas, infelizmente) que transformar a indústria turística em uma atividade sustentável é o único caminho para continuarmos usufruindo por um bom tempo das nossas viagens e atrações turísticas como conhecemos. E, nesse contexto, é fundamental nunca subestimar o poder das ações individuais no contexto geral da sustentabilidade no turismo. Então, hoje, vou listar aqui 10 mudanças de atitude para sermos turistas mais sustentáveis em 2022 – ou, melhor, daqui pra frente. 

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Afinal, cada escolha que fazemos nas nossas viagens, do destino às atividades, da hospedagem aos prestadores de serviços, impacta de alguma maneira os locais que visitamos. O que precisamos daqui pra frente é que nossas escolhas de viagem deixem o máximo de impacto positivo possível. Turistas mais responsáveis são turistas mais sustentáveis e, consequentemente, melhores viajantes em geral e melhores cidadãos também. 

Fazer escolhas mais acertadas, pensando não apenas no nosso prazer pessoal ao viajar mas também no rastro de pequenos, médios e grandes impactos de todo tipo que deixaremos ao longo da jornada, demanda tempo e muita pesquisa. Sejam nossos ou dos nossos agentes e consultores de viagem especializados, esse tempo e essa pesquisa gastos são realmente fundamentais para consigamos, a longo prazo, gerar uma espécie de “efeito cascata” bem positivo com nossas viagens.

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Anavilhanas Jungle Lodge

Sustentabilidade e turismo regenerativo são a tônica do Anavilhanas Jungle Lodge. Foto: Mari Campos

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10 mudanças de atitude para sermos turistas mais sustentáveis 

No melhor estilo “de grão em grão”, confira aqui 10 mudanças de atitude simples que podemos tomar nas nossas viagens a partir deste ano, e que podem ser adaptadas facilmente para qualquer perfil de turista. Pouco a pouco, individual e coletivamente, vamos contribuindo para tornar nossas viagens mais responsáveis e mais sustentáveis.

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  1. Escolher com propósito

Todos nós temos a nossa “bucket list“, nossa lista de viagens de sonho. Fato. Mas escolher onde, como e quando viajaremos pode ter impacto direto nos destinos que visitamos. É fundamental que, a partir de agora, pensemos com cuidado sobre para onde o dinheiro que estamos gastando com aquela viagem está indo. Ao tomar nossas decisões de viagem – escolha da companhia aérea, do hotel, dos restaurantes, do receptivo, do operador dos passeios, de cada atração visitada etc – é importante avaliar cuidadosamente quem e como estará sendo beneficiado com nossos investimentos nas férias e escapadas. Peça informações, leia reviews, troque ideias, questione até estar seguro de estar tomando as melhores decisões – não apenas para o seu bolso, mas também para todos que podem ser afetados de alguma forma pela sua viagem.

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  1. Olho vivo para greenwashing

A gente já sabe que o chamado “greenwashing” vem sendo usado também por diversas empresas do setor turístico. Ele acontece quando a empresa propaga uma pretensa ideia de sustentabilidade que não é real no final das contas; quando discurso e ações não batem.  É preciso olho vivo para não comprar gato por lebre, para não se contentar com uma empresa que diga que é sustentável sem saber exatamente o que fazem pelo clima, pelo destino, pelas comunidades locais, como lidam com recursos naturais etc. Não dá mais para escolher hotel ou pousada que defina suas ações em sustentabilidade como “estimular hóspedes a não trocar as toalhas do banho todos os dias’, né? O velho e bom “walk the talk” é fundamental.

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  1. Não ter vergonha de questionar

Não tenha medo de ser “chato”. Questione o seu agente/consultor de viagens, o hoteleiro, o prestador de serviços, a companhia aérea e todos os demais envolvidos na sua viagem sobre todas as dúvidas que tiver. As próprias redes sociais nos permitem hoje chegar diretamente a tantas empresas (através de comentários e DMs, por exemplo) e gerar diálogo. Saber que certificações ligadas à sustentabilidade possuem, que projetos apoiam e financiam, como reinvestem a renda gerada por suas vendas etc, tudo isso é importante. Quanto mais informação a gente tem, mais tranquilos ficamos com as decisões de viagem que tomamos.

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Turismo de isolamento sustentável

Sítio Alto da Cascavel. Foto: Mari Campos

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  1. Lembrar das compensações de carbono

Embora compensações de carbono muitas vezes possam ser usadas também como greenwashing por algumas empresas, elas são importantes, sim, no saldo final de nossas escapadas. E nós também temos o dever de buscar alternativas de viagem que causem menos emissões sempre que der. Buscar alternativas a voar quando possível, priorizar companhias aéreas com frotas mais jovens e aeronaves mais eficientes, levar menos bagagem, priorizar caminhadas (ou pedaladas) sempre que viável no destino e até manter seu carro sempre com a revisão em dia são medidas que, mesmo minimamente, ajudam a gerar menos emissões nos nossos deslocamentos.

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  1. Privilegiar destinos e operadores sustentáveis

Hoje não é nada difícil encontrar quais destinos estão sendo administrados de maneira mais sustentável e valorizando os direitos humanos fundamentais. A virada do ano trouxe diversas listas de “destinos sustentáveis para visitar em 2022″ em diferentes publicações. Um bom agente de viagens também é sempre capaz de nos indicar quais hotéis, restaurantes, receptivos, operadores e atrações de um determinado destino são mais sustentáveis, responsáveis e éticos no seu funcionamento geral. Se pudermos privilegiar esses destinos e fornecedores, melhor para todo mundo.

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  1. Privilegiar o Slow Travel 

A pandemia trouxe um crescimento importante na tendência do slow travel, com mais gente se hospedando por mais tempo num determinado lugar e realmente se conectando melhor com os destinos e suas comunidades – ao invés de ficar apenas procurando lugares de uma lista para “ticar”. Viagens mais longas ou, pelo menos, com maior tempo de permanência num mesmo destino, são também mais sustentáveis, sim – ambiental e socialmente, já que temos a chance de nos “engajar” muito mais com as comunidades e a cultura local, consumir localmente etc.

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Soneva Fushi

Sustentabilidade está no DNA dos hotéis Soneva. Crédito: Soneva Fushi

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  1. Fugir do overtourism e da alta temporada

Claro que alguns lugares estão na lista de desejos viajantes de todo mundo. Mas se der para fugir de destinos que neste momento ainda incentivam o chamado “overtourism“, sem providências concretas para minimizar os impactos negativos do descontrole e excesso de turistas, melhor. Privilegiar lugares melhor administrados turisticamente ou lugares ainda pouco frequentados também é importante, ajudando inclusive e “re-distribuição” do turismo a longo prazo. Se puder, viaje também fora da alta temporada do destino que deseja conhecer.

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  1. Cuidar das comunidades locais

Buscar o “turismo regenerativo” (que não apenas preserva, mas é capaz de deixar destinos ainda melhores graças à nossa visita) é fundamental. Principalmente para que a sustentabilidade a longo prazo atinja também as comunidades locais. Turismo tem que construir e não destruir.  Hoje em dia são muitos os operadores, hotéis, lodges e camps que fazem trabalhos incríveis com as comunidades de seus arredores, do Rio de Janeiro à Amazônia, das savanas africanas ao outback australiano. Tento trazer ao máximo esses bons exemplos pra cá e para o meu instagram @maricampos. Consulte sempre seu agente/consultor de viagem sobre esse tópico também. O turismo é motor importantíssimo para mudanças sociais positivas em todo lugar.

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  1. Manter o foco na economia sustentável

Tudo o que a gente já sabe sobre economia sustentável em casa tem que ser praticado sempre que possível nas nossas viagens também. Abolir plásticos descartáveis, valorizar produtos reutilizáveis, consumir energia de maneira responsável, desperdiçar menos água, ingerir menos produtos de origem animal… tudo isso são práticas importantes também nas viagens, e que a longo prazo podem fazer diferença importante em destinos que visitamos.

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10. “Go local”

Conhecer a proveniência do que compramos ou consumimos durante uma viagem também é importante para a sustentabilidade do turismo como indústria. De lembrancinhas genéricas a artesanato e até metais e pedras típicos de um lugar, por exemplo, é importante valorizar fabricantes locais e que sejam, principalmente, bastante transparentes as suas fontes/origens de seus produtos – e também sobre a forma como são produzidos. Valorizar artesãos locais e pequenos fornecedores independentes também pode ajudar muito a manter a sustentabilidade econômica de destinos visitados.

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LEIA MAIS sobre sustentabilidade no turismo aqui. 

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