Apaixonante Tahiti

Apaixonante Tahiti

Mari Campos

15 Janeiro 2019 | 16h51

Águas quentinhas, cristalinas e cheias de vida marinha em toda parte. Aqui, no espetacular atol de Tetiaroa. Foto: Mari Campos

 

 

Tahiti era um sonho antigo. Daqueles sonhos azuis, bem tropicais, acalentados com carinho por muito tempo. E foi somente neste dezembro de 2018 que o destino saiu da minha bucket list viajante para virar, enfim, realidade. Foi uma viagem a trabalho, curtinha, muito mais rápida do que eu gostaria, e com muito menos ilhas visitadas também; mas uma viagem linda o suficiente para eu cair de amores pela Polinésia Francesa e já ficar sonhando e planejando minha volta.


Nesta primeira incursão tahitiana, visitei apenas três ilhas (e muitos motus, como são chamadas as pequenas ilhotas que rodeiam as ilhas principais): Papeete. Bora Bora e Tetiaroa. Mais que cair de amores por seus cenários idílicos e um dos mares mais espetaculares que já vi na vida, caí de amores também por seu povo, pela doçura da simbologia de suas flores e por sua gastronomia sempre muito fresca e saborosa (com destaque para o “poisson cru”, uma espécie de ceviche banhado em leite de coco, sempre irretocável). Fui definitivamente “abraçada pelo Maná”, como dizem por lá (“maná” é um conceito mítico do Tahiti, relacionado ao poder universal, pureza, beleza, grandeza  e transcendentalidade).

Qualquer voo entre ilhas no Tahiti vira panorâmico. Foto: Mari Campos

São nada menos que 118 ilhas tomadas de vegetação abundante, mar turquesa e uma fartura espetacular em vida marinha, com abundância de peixes, corais, tubarões e arraias por toda parte – além das encantadoras danças tradicionais e mais de 190km de competições de canoas típicas. E, apesar de toda a aura de romance dos bangalôs sobre a água e outros cenários de sonho presentes em toda parte do arquipélago, vale ressaltar que o Tahiti é também belíssima opção para férias em família – cruzei ao longo da viagem com diversas famílias com crianças de diferentes idades (inclusive brasileiras) e todos foram só elogios à oferta de entretenimento infantil nas ilhas.

Papeete é a porta de entrada dos turistas internacionais ao arquipélago. A cidade fica na ilha principal, localmente chamada simplesmente de Tahiti. Além da ilha-irmã Moorea, o itinerário praticamente mandatório pelas ilhas da sociedade também inclui a deslumbrante e incontornável Bora Bora e o atol paradisíaco de Marlon Brando, Tetiaroa.

Piscina com areia do mar no Intercontinental Tahiti, em Papeete. Foto: Mari Campos

Papeete é uma ilha maiorzona e funciona bem para chegadas, estadias entre ilhas e também como day use de hotel antes de encarar o voo de volta, já que os voos internacionais normalmente partem tarde da noite. Ali fiquei hospedada por duas vezes no Intercontinental Tahiti, que fica muito convenientemente localizado literalmente ao lado do aeroporto (menos de 10min de carro)  – e, por isso mesmo, funciona muitíssimo bem também como day use para quem não quiser ou não precisar fazer pernoite por lá.  Tem um ótimo complexo de piscinas com areia da praia com serviço de praia eficiente, dois bons restaurantes e um pequeno spa que foi um bálsamo num dia de chuva entre minha estadia em outras duas ilhas.  Para me locomover por lá usei os ótimos serviços do simpaticíssimo Teiva da TEIVA VIP TOURS (tahitivip@gmail.com), que tem até wifi grátis nos seus carros para transfers e passeios.

Os bangalôs sobre o mar do Intercontinental Bora Bora Resort & Thalasso Spa realmente valem o quanto pesam. Foto: Mari Campos

Bora Bora foi o sonho tahitiano realizado. Aquele mar turquesa espetacular que a gente vê nas fotos de sites e revistas é real – e ainda por cima quentinho e lotado de vida marinha, com direito a areia muito branquinha por toda parte. Ali fiquei hospedada no excelente Intercontinental Bora Bora Resort & Thalasso Spa, todinho de bangalôs sobre a água,  e tive uma experiência incrivelmente superior à que esperava.  Sempre achei que bangalôs overwater eram overrated e paguei minha língua: não bastasse o incrível design dos enormes bangalôs do hotel, muitos deles com piscina privativa e tudo, a delícia de literalmente se jogar da cama à água ao amanhecer (ou a qualquer outra hora do dia) vale mesmo cada centavo do valor deste tipo de acomodação. Nadei com arraias em frente ao meu bangalô todo santo dia e podia ver o sol se por da minha varanda ou da minha própria piscina. O hotel tem ainda duas prainhas privativas, o spa Thalasso que lhe dá o nome, um delicioso lounge ao ar livre com música ao vivo todo por de sol, kids club, programa de atividades diário e três excelentes restaurantes – e transporte grátis para o outro Intercontinetal de Bora Bora (bem menos luxuoso), se alguém quiser variar o cenário.  O único defeito? Apesar dos preços polpudos das diárias, cobra pelas cápsulas de café no quarto (mas ao menos a água é cortesia).

As espetaculares vilas do The Brando, em Tetiaroa. Foto: Mari Campos

E o The Brando é o gran finale perfeito para qualquer viagem de luxo pelo Tahiti. Premiado como um dos hotéis mais luxuosos e também um dos mais sustentáveis do mundo todo, o The Brando cumpre mesmo o que promete. Localizado no idílico atol privativo de Tetiaroa, comprado por Marlon Brando nos anos 60 e até hoje propriedade da família do ator, o luxuoso resort produz 100% a energia que consome, trata sua água, produz mais mel que muitos apiários de maior porte e ainda por cima apoia diversas iniciativas de pesquisa e conservação. Suas 35 acomodações são todas em formato vila privativa de frente para o mar, com um, dois ou três quartos cada, incluindo banheiros espetaculares, com banheira externa e piscina privativa. A locomoção pela propriedade pode ser feita a pé, em bikes (cada vila tem as suas) ou em carrinhos de golf. O resort conta com dois restaurantes gourmet, dois bares e um luxuoso spa. As diárias podem ser somente café da manhã, mas todo mundo acaba optando pelo sistema all-inclusive, que inclui não somente todas as refeições e bebidas (incluindo frigobar completo e customizado) como também passeios diários pelo atol e uma massagem por dia. E, claro, com um serviço simplesmente irretocável. Um hotelaço daquele tipo realmente inesquecível.

Chegar ao Tahiti é longe, mas nada complicado. A ótima companhia aérea nacional, a Air Tahiti Nui, agora voa diariamente de Los Angeles para Papeete a bordo de Dreamliners novinhos em folha (e com serviço extremamente simpático), em um rota um pouco mais longa mas bastante plausível e conveniente para brasileiros (a rota mais curta, via Santiago e Ilha de Páscoa, tem também o inconveniente de não operar diariamente).  Testei e gostei bastante. Para voar entre as ilhas, a também nacional Air Tahiti opera voos sem frescura em aviões de médio porte. Como as ilhas são próximas, os voos são em geral bastante curtos – e extremamente panorâmicos, com uma sucessão de ilhotas e mar turquesa pela janelinha. Para chegar ao The Brando, é necessário utilizar a companhia aérea própria do hotel, a Air Tetiaroa.

Fiquem de olho que ainda vai ter muito mais Tahiti aqui e no MariCampos.com.  E mais informações em geral sobre Tahiti e suas ilhas no site oficial do turismo local.