As belezas da província de Salta

As belezas da província de Salta

Mari Campos

19 de fevereiro de 2019 | 21h57

Um trecho da incrível Quebrada de las Conchas. Foto: Destino Argentina

Nós, brasileiros, somos habituées na Argentina há muito tempo. Figurinhas facilmente reconhecíveis, e aos montes, em Buenos Aires, Bariloche ou Ushuaia. Nos últimos tempos, invadimos também outros cantos, como Mendoza e seus belíssimos vinhedos. Mas ainda existem pedacinhos argentinos nos quais ainda não somos um número de visitantes tãaaaaao expressivo quanto na capital porteña ou na região dos lagos, por exemplo.

No final do ano passado, passei uma semana conhecendo melhor alguns destinos da província de Salta, no norte da Argentina. Com 300 dias de sol por ano e escassez de chuvas, as paisagens por ali vão de picos nevados a dunas desérticas – e incontáveis vinhedos, é claro. É na província de Salta que se produzem com fartura os chamados vinhos de altitude, algumas vezes cultivados a mais de dois mil metros acima do nível do mar – com destaque para a uva Torrontés, que virou emblemática da Argentina.

As estradas são bastante acidentadas, frequentemente em zigue-zague, levantam muita poeira o tempo todo e há cascalho e terra em boa parte dos trechos –  mas a beleza natural compensa.  O relevo naturalmente esculpido pela erosão e movimentações tectônicas tem aspecto desértico, com formações impressionantes, como o paredão todo esculpido da Quebrada de las Flechas ou a Garganta del Diablo e o Anfiteatro (de acústica impecável!), na Quebrada de las Conchas. Aquele tipo de paisagem que a gente só entende, só se dá conta da grandiosidade, ao ver com os próprios olhos.

O edifício principal do hotel de luxo Grace Cafayate. Foto: Destino Argentina

Salta é o aeroporto de chegada e partida e a maior cidade da região, mas Cafayate é, de longe, a melhor base para hospedagem: a maioria das visitas fica na própria cidade ou em seu entorno e há ampla oferta de tours, além de ser muito fácil e prazeroso visitar as bodegas também em bicicleta. Há boa infra hoteleira,  como o colonial Patios de Cafayate (precisando de um upgrade nos quartos mas em uma belíssima propriedade propriedade) e o contemporâneo Grace Cafayate (esse sim um hotelaço!), ambos cenicamente instalados em meio a mares de vinhedos.

O Grace faz parte de uma rede de hotéis boutique de luxo com propriedades também na América do Norte, na África e na Europa. Ocupando uma antiga “estância”de mais de 1300 acres, tem acomodações em estilo quarto e também “villas”, com direito a muito espaço e vista para os vinhedos até mesmo das banheiras – e a arquitetura contemporânea se mescla perfeitamente com o entorno dramático da propriedade rodeada pelas montanhas do Valle de Calchaquí (o hotel tem também uma propriedade anexa, La Estancia de Cafayate, que possui clubhouse, campos de polo e imensas vilas para venda em estilo residências).

Cafayate tem também bons restaurantes (que vão muito além das empanadas salteñas), muito verde e arquitetura colonial espanhola, sem perder os ares de “cidadezinha do interior”. Sair à noite para aproveitar os barzinhos e restaurantes dos arredores de sua pracinha principal é um programão! Para incluir na lista de visitas, vale saber que a Bodega El Esteco é dona de alguns dos mais antigos vinhedos de Cafayate e que a Piatelli Vineyards é o endereço mais que perfeito para um almoço delicioso, com vista arrebatadora (minha melhor refeição da viagem toda).