Aventura sustentável no Serengeti

Aventura sustentável no Serengeti

Mari Campos

18 de dezembro de 2019 | 17h15

Depois das minhas aventuras quenianas, como contei na coluna passada, resolvi esticar a viagem e explorar também um pouco da Tanzânia, outro país da África Oriental que faz uma excelente dobradinha com o Quênia (são vizinhos). Desta vez, meus dias na Tanzânia também seriam 100% focados em safári, e também seguindo a linha de me hospedar somente em camps e lodges sustentáveis, focados em preservação e conservação da vida selvagem.

Acabei visitando três áreas diferentes do país – duas porções diferentes do Parque Nacional do Serengeti e arredores do parque nacional Tarangire – me hospedando em três safári camps da mesma rede: os camps da Nimali Africa. Os camps da Nimali são todos com quartos em formato tenda muito confortáveis e 100% sustentáveis, com mínimo impacto nas áreas onde estão inseridos, e totalmente voltados para preservação e conservação de vida selvagem. E todos sem cercas separando a propriedade das reservas e parques nos quais estão. Tudo com muito conforto – e com lavanderia incluída nas diárias!

Sundowners pós safári no Nimali Tarangire. Foto: Mari Campos

Como eu estava antes no Quênia, voei de Nairobi ao aeroporto internacional Kilimanjaro e dali rumei para a reserva Tarangire. Com os rígidos controles de velocidade das estradas na Tanzânia, foram quase quatro horas de carro do aeroporto até Tarangire, onde fica o Nimali Tarangire. O camp tem apenas oito tendas, todas elas muito confortáveis, com todas as facilidades comuns à hotelaria: banho quente e frio com chuveiro de ótima qualidade, roupões, roupa de cama de qualidade. Cada tenda tem também uma simpática varandinha. A tenda principal reúne lounge e restaurante (onde funciona o wifi) e a propriedade tem também uma gostosa piscina aberta para Tarangire, da qual podemos avistar algumas espécies que se aproximam do camp. O Parque Nacional Tarangire é um parque nacional na região de Manyara, cortado pelo rio Tarangire, que é a principal fonte de água doce para os animais da região – o que garante bom avistamento de animais selvagens durante os game drives. O local é também uma base boa para quem quer curtir as paisagens do lago Manyara e a cratera do Ngorongoro.

Mas é claro que meu interesse maior era mesmo o Parque Nacional do Serengeti. Classificado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, o Serengeti abriga a maior migração de mamíferos do mundo, considerada uma das maravilhas do mundo natural. Por isso mesmo, o Serengeti é considerado um dos melhores lugares do mundo para fazer safári e ver de pertinho animais selvagens das mais variadas espécies. Seus mais de 1.5 milhão de hectares de savana – seu nome vem do idioma Maasai, significando “planícies infinitas”- abrigam uma infinidade de lodges, camps e hotéis. E é  preciso escolher bem onde você fará base; dependendo da época do ano, sua experiência de safári estará completamente ligada à localização do seu lodge ou camp no parque.

Café da manhã com vista no Nimali Central. Foto: Mari Campos

Ali, o Nimali tem dois safári camps bem diferentes: o simpático Nimali Central, na região central do Serengeti (a mais cheia por ter muitos hotéis, lodges e camps por ali), com apenas dez tendas e que passará por um super upgrade no ano que vem, e o incrível Nimali Mara, o camp de luxo do grupo, que fica na porção norte do parque nacional, já quase na divisa com o Quênia.  Além da paisagem espetacular (ali as savanas são repletas de rochas) e da proximidade com Maasai Mara (que garante muitos animais à vista), uma das maiores vantagens do Nimali Mara é a existência de pouquíssimos lodges e camps na região, o que nos dá frequentemente a sensação de estar explorando sozinho as savanas.

Além disso, o Nimali Mara é um camp novinho e bonito até dizer chega: são dez tendas muito, muito espaçosas, instaladas na base de uma colina rochosa, com vista panorâmica para o Serengeti – diante da minha passavam todos os dias búfalos e girafas, sem a menor cerimônia. As tendas têm todas uma parede enorme de vidro em frente às belas varandas (com sofazinhos, mesa, cadeiras e uma deliciosa swing bed) para garantir que a gente tenha sempre a vista panorâmica pro parque seja dentro ou fora dela. Cada tenda conta com um belíssimo closet, cama king, área de living, área de trabalho (tudo com muitas tomadas e entradas usb) e banheiros enormes, com pias duplas, chuveiro duplo e deliciosas banheiras de cobre diante de janelas de vidro que podem ser abertas para a vida selvagem. Há telefone e wifi de ótima qualidade em todas elas e, raridade nos safari camps, serviço de quarto dia e noite. E cada tenda conta com um funcionário dedicado, como uma espécie de mordomo, que cuida de absolutamente tudo, da entrega do café com cookie no wake up call de manhã cedinho ao serviço de lavanderia. Na minha estadia, o adorável John-John foi simplesmente perfeito: discreto e muito atencioso, cuidou para que tudo saísse perfeito.

Café da manhã em pleno Serengeti no Nimali Mara. Foto: Mari Campos

As áreas comuns do camp foram construídas respeitando as rochas da colina principal, que aparecem inclusive lindamente no bar. Por ter muitas colinas rochosas, o camp também virou queridinho dos leões, que vira e mexe se instalam ali nos arredores, para deleite dos turistas. Há living, piscina e restaurante, tudo com vista panorâmica para o parque. As refeições são excelentes (mesmo!), e sempre servidas no maior capricho – inclusive com louças lindamente africanas. O serviço é ponto altíssimo do camp, em todas as esferas, dos guias e motoristas à gerente geral que está sempre circulando entre os hóspedes para garantir que tudo esteja do agrado. O camp é também excepcional em criatividade na hora de promover cafés da manhã, almoços, sundowners e jantares ao ar livre, incluídos nas diárias com “game package”:  almocei em plena savana com leões a curta distância, jantei à luz de velas à beira da piscina e tive happy hour com por do sol e café da manhã vendo o dia amanhecer, tudo do alto de uma das colinas rochosas do parque, lindamente decorado e impecavelmente servido. Um camp realmente memorável – e com excelentes motorista e guia para os game drives pelo Serengeti. E dá para fazer safáris panorâmicos de balão ali pertinho também.

Em tempo: o Serengeti faz uma dobradinha per-fei-ta com Maasai Mara, no Quênia. É entre uma área e outra que acontece anualmente, majoritariamente de julho a outubro, a chamada Grande Migração, com milhões de animais atravessando o rio na fronteira entre Quênia e Tanzânia no período. Mesmo fora deste período, os avistamentos de vida selvagem nos dois parques nacionais são realmente excepcionais – assim como o birdwatching.

Banheira com vista para a vida selvagem? No Nimali Mara tem. Foto: Mari Campos

Quem quiser, também pode montar base antes ou depois dos safáris em Arusha, uma cidade movimentada (e com ótima infra) a uma hora de carro do aeroporto internacional de Kilimanjaro. Arusha tem também bons restaurantes e ótimos mercados Maasai para compra do artesanato típico da região e pode ser um interessante day tour na chegada ou saída do país.

Quem cuidou de tudo da minha viagem foi a Gamewatchers Safaris, uma operadora africana que se encarrega de reservas de aéreos locais, transfers, reservas de camps e lodges e tooooda a logística para viajar por diferentes cantos da Tanzânia. E foi tudo redondinho, zero stress, sempre com ótimo atendimento. Eles trabalham também com viagens para outros cantos do país (como Zanzibar, por exemplo) e também outros países africanos.

Como chegar: voei com a South African Airways de São Paulo a Nairobi, no Quênia, com conexão em Joanesburgo, e fiz os trechos entre Quênia e Tanzânia com as companhias locais Safarilink e Precision Air.  Mas é possível também voar com a própria SAA diretamente à Tanzânia (Dar Es Saalam), com conexão em Joanesburgo.

Dá para ler mais sobre minhas aventuras africanas e os melhores camps e lodges de safári aqui.

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