Classe executiva à moda americana

Classe executiva à moda americana

Mari Campos

21 de agosto de 2019 | 22h41

Amplamente divulgada desde o começo de 2017, a United Polaris surgiu como uma necessidade de reinvenção da experiência de viagem internacional United Airlines em cabine premium. A ideia, segundo a companhia aérea americana, seria elevar os níveis de conforto e serviço da experiência de viagem internacional em classe executiva, do lounge ao pouso.

Detalhe da nova Polaris em espinha de peixe no voo que liga Paris a Washington DC. Foto: Mari Campos.

Desde o comecinho de 2017 a companhia aérea americana vem anunciando sua “nova” Polaris, mas eu não tinha dado a sorte até então de pegar nenhuma aeronave com o novo modelo de classe executiva deles. Hoje, todos os assentos de classe executiva em voos internacionais da United passaram a ser chamados de Polaris, mas o fato é que apenas algumas das aeronaves da companhia já estão de fato equipadas com o novo modelo de assentos. Apenas as aeronaves 777-300 e 787-10 dão ao passageiro a garantia de que voarão nos novos assentos Polaris; em todos os demais modelos de aeronaves, a United está ainda realizando um gradual processo de retrofit das cabines.

Detalhe da nova Polaris em espinha de peixe. Foto: Mari Campos.

Viajei neste agosto novamente na classe executiva United Polaris, e em dois segmentos bem distintos: Paris-Washington e Houston-São Paulo, nos trajetos de ida e volta a Las Vegas para participar da Virtuoso Travel Week.. No meu voo Paris-Washington, num 777-300, voei, enfim, na “nova Polaris”. Os novos assentos, distribuídos no chamado sistema “espinha de peixe”,  oferecem acesso direto ao corredor para todos os passageiros (o que eu considero fundamental) e se convertem em uma cama perfeita, com inclinação 180 graus e 2 metros de comprimento no total. Os assentos da nova United Polaris vieram com mais recursos para conforto e privacidade, com muito mais isolamento entre passageiros (outra coisa que também acho essencial, sobretudo quando não viajamos acompanhados) e incluindo melhores recursos de iluminação individual, apoios mais bem bolados e compartimentos perfeitinhos para guardar do computador à necessaire. A nova Polaris faz também mais uso do “mood lightening”, a cromoterapia na iluminação da cabine, que pode ajudar quem sofre mais com jetlag.  Gostei bastante.

Excelente divisão de compartimentos nos assentos da nova Polaris de Paris a Washington. Foto: Mari Campos.

Mas no voo de Houston para Guarulhos, num 767, não dei essa sorte; peguei exatamente a mesma configuração de classe executiva que já tinha pego há dois anos na mesma rota. Hoje, como ainda não existe nenhuma aeronave 777-300 ou 787-10 fixa nas rotas de e para o Brasil, voar na nova Polaris nestes trechos, por enquanto, é questão de sorte. E no meu caso não foi:  voei nos assentos antigos da executiva da United, em distribuição 2-1-2, com menos privacidade entre os passageiros e menos compartimentos práticos para guardar itens durante o voo – mas o assento reclinou até virar uma cama também. O inconveniente maior era que, sentada na janela, eu tinha que “saltar” sobre meu vizinho adormecido quando queria levantar ou ir ao banheiro, algo nada agradável.

O modelo antigo da Polaris nos voos ligando Houston a São Paulo. Foto: Mari Campos.

Detalhe da Polaris nos 767 que ligam Houston a São Paulo. Foto: Mari Campos.

As amenidades e serviços, no entanto, já parecem estar padronizados na frota toda. Nos dois voos tive acesso aos ítens caprichados de cama da Saks Fifth Avenue, incluindo o protetor de assento (mattress cushion), edredom, travesseiro grande e um travesseiro pequeno memory gel (especialmente útil para mim enquanto estamos sentados). A necessaire de bordo deste mês é temática do novo filme do Homem Aranha, com case, máscara para dormir e meias inspiradas no super herói, além de produtos para higiene e rosto da linha Sunday Riley.

Quanto à gastronomia, em todos os voos é possível tanto pedir a refeição completa passo a passo quanto a “express meal”, que já traz todos os itens da refeição de uma vez na bandeja. Encontrei nos dois voos menus caprichadinhos, com quatro opções diferentes de prato principal e boa carta de bebidas. Como o serviço de almoço demorou quase duas horas no total no voo de Paris a Washington (o que achei demorado demais para um voo de 8h), no trecho Houston-São Paulo resolvi pedir a express meal e gostei. A apresentação é menos interessante, mas a ideia é mesmo uma boa para quem quer aproveitar melhor o tempo de voo para dormir ou trabalhar (em cerca de meia hora eu tinha concluído minha refeição todinha). Uma pena que sirvam sempre as refeições com apenas um jogo de talheres.

Serviço de almoço no voo Paris-Washington. Foto: Mari Campos.

O serviço express do jantar de Houston a São Paulo. Foto: Mari Campos.

O mesmo processo de “Polarização” dos aviões está acontecendo também com os lounges da United, que estão sendo reformados. Hoje, apenas cinco lounges da United são de fato os novos lounges Polaris: Chicago (que também tem voos diretos para Guarulhos), Newark, São Francisco, Houston e Los Angeles. Os novos lounges ficaram mesmo excelentes, tanto no tamanho, quanto no design, iluminação e, principalmente, qualidade dos produtos oferecidos – do buffet de comida aos drinks, incluindo opções à la carte de almoço e jantar e um simpático menu de coquetéis inspirados na aviação nos lounges novos.

A entrada do ótimo lounge em Houston. Foto: Mari Campos.

Detalhe do lounge em Houston. Foto: Mari Campos.

O lounge de Houston, que usei antes do meu voo para o Brasil, foi bastante superior a todos os outros lounges United que usei durante a viagem de ida e volta, incluindo conexões; uma pena que minha conexão foi apertada e minha passagem pelo lounge foi rapidíssima, de cerca de 15 minutos apenas. Os novos United Polaris Lounges têm vistas panorâmicas dos aeroportos nos quais estão inseridos e, uma bela sacada sobretudo para quem viaja a negócios, neles também é possível solicitar para passar algumas peças de roupas a vapor.

De 25 outubro de 2019 até 28 de março de 2020, os voos da rota Rio de Janeiro-Houston serão realizados pela aeronave Boeing 767-400. De dezembro a fevereiro, a rota São Paulo-Houston também deve ser voada nos Boeing 777-200, com a nova Polaris. Tomara que a nova Polaris de verdade venha para ficar.

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