Como andam as viagens internacionais na pandemia

Como andam as viagens internacionais na pandemia

Mari Campos

18 de outubro de 2021 | 08h21

Estou na Espanha desde a semana passada. Estudei aqui em outros tempos e venho todos os anos visitar minha irmã. No ano passado, foi essa justamente a primeira viagem que cancelei na pandemia – tinha vinda programada em 20/03/2020, e pouco mais de uma semana antes houve a declaração da OMS e os planos de viagem foram por água abaixo. Mas como andam as viagens internacionais na pandemia agora?

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Depois de tanto tempo de isolamento, seguido de apenas cuidadosas viagens de carro pelo Brasil nos últimos doze meses, agora, após minha segunda dose da vacina e com a vacinação bastante avançada na Espanha (80% da população já está completamente imunizada e idosos começando a receber a terceira dose), achei que valia a pena vir matar as saudades da família. E, com cuidado e muita disciplina, tenho tido dias realmente bem felizes por aqui.

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aeroporto

foto: Mari Campos

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Como foi a viagem para a Espanha

A preparação para viajar à Espanha após minha segunda dose da vacina contra a Covid-19 foi exatamente a mesma que venho sugerido a leitores e seguidores que também estão começando a retomar suas viagens com a campanha de imunização nacional finalmente avançando. Fiz um compilado resumidinho de dicas para essas viagens mais longas na pandemia nos destaques do meu Instagram @maricampos.

Passado o período de 15 dias da segunda dose da vacina, fundamental para nossa imunização, fiz o ciclo de planejamento de viagem mais curto que consegui. Quando menor o ciclo de planejamento, mais conhecimento temos sobre as regras e burocracias em vigor em um destino, já que as mesmas têm mudado com frequência ao longo da pandemia.

No meu caso, como tinha bastante flexibilidade, só comprei passagem e defini a viagem um mês antes da partida. E obviamente o fiz através de uma boa agência de viagens; afinal, a curadoria e a expertise desses profissionais especializados se faz mais necessária do que nunca. A informação é a maior aliada de nossa segurança e bem-estar, sempre.

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avião

foto: Mari Campos

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Importante o cuidado em cada etapa

Ao invés de ir para o aeroporto de Guarulhos com o serviço de shuttle que normalmente usava, e para não ter stress com cancelamentos de carros por aplicativo nem motoristas com a máscara com o nariz de fora, usei os serviços de transporte executivo/privativo da Shift Mobilidade Corporativa.  Ótimos carro e motorista,  serviço redondinho, chegando com folga e tranquilidade ao aeroporto – recomendo.

Preferi um voo direto São Paulo-Madri para lidar o mínimo possível com voos, aeroportos e burocracias. Se a gente faz escala em outro país, tem que seguir as burocracias de entrada no outro país também, obviamente. E aeroportos e aviões ainda são espaços extremamente complicados em tempos de pandemia, que nos demandam energias e cuidados extras para garantir nossa segurança e a dos demais.

A recomendação das companhias aéreas tem sido chegar no aeroporto com quatro horas de antecedência para voos internacionais, justamente pela demora que a checagem atual de documentos e certificados pode causar.

Usar uma máscara tipo pff2/N95 bem ajustada O TEMPO TODO, por exemplo, é essencial. É fundamental retirarmos as máscaras ÚNICA e RAPIDAMENTE para comer e beber, seja no aeroporto ou dentro do avião. E vale lembrar que essas máscaras pff2 de qualidade certificada agora são bastante acessíveis, devem ser trocadas no máximo a cada 10 horas de uso, mas podem ser reutilizadas por até 10 vezes com intervalos de pelo menos 3 dias entre os usos. O pesquisador Vitor Mori, do Observatório da Covid-19 no Brasil, tem um fio ótimo sobre isso no Twitter (@vitormori).

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Vale lembrar também que é essencial ainda adquirir um seguro de viagem internacional com proteção contra a Covid-19. Há diferentes tipos de seguro viagem vendidos hoje em dia e é preciso comprar um que realmente te proteja durante toda a sua estadia. A recomendação dos bons agentes e consultores de viagem é comprar o seguro viagem com validade de pelo menos 14 dias após sua data de retorno para o Brasil.

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Salamanca

foto: Mari Campos

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Como anda o turismo na Espanha

Com o país alcançando 80% da população completamente imunizada com as duas doses das vacinas contra a Covid-19 (e iniciando a aplicação da dose de reforço para idosos), a Espanha vem retomando o turismo de visitantes estrangeiros nos últimos meses.

Para os brasileiros, a entrada no país é bastante desburocratizada: basta estar 100% vacinado há pelo menos 15 dias (é preciso apresentar o certificado do ConectSUS gerado com QR code em inglês ou espanhol) e preencher um formulário sanitário online no site do governo espanhol, que também gera um QR code obrigatório  – conferido tanto na hora do embarque como no ato de entrada no país.

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Na chegada pelo aeroporto internacional de Madrid (Barajas) a gente agora passa obrigatoriamente por dois controles distintos: o controle imigratório, para conferência de documentos de viagem, comprovação de estadia, seguro viagem obrigatório etc, e o controle sanitário, para comprovação de vacinação e QR code gerado pelo governo espanhol para autorizar nossa entrada.

Não é regra (alguns são liberados imediatamente, como eu fui), mas muitos passageiros têm sido encaminhados, logo após apresentar o QR code para as autoridades sanitárias, para um teste rápido de antígeno feito no próprio aeroporto mesmo, sem custos para o turista. Dando negativo, o viajante é liberado no ato para recolher sua bagagem e seguir viagem.

Para circular pelo país, não há exigência de um passaporte sanitário – esse controle já é feito pelas autoridades de saúde direto nos aeroportos, portos e estações de trem e ônibus.

Com a vacinação tão avançada no país, já não há mais obrigatoriedade de andar de máscara nas ruas e parques. Mas, com a variante Delta circulando por aí, felizmente muita gente ainda o faz. Para ingressar em quaisquer espaços fechados, atrações turísticas, supermercados, lojas etc, o uso de máscaras obviamente segue obrigatório.

Tem sido muito interessante observar que aqui (especialmente na linda cidade de Salamanca, onde minha irmã mora) a maioria das pessoas fica com as máscaras postas em bares, cafés e restaurantes até a comida chegar à mesa – e a recolocam imediatamente ao final da refeição, mesmo que sigam à mesa papeando. Em clubs e casas noturnas o uso de máscaras também é obrigatório.

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Salamanca

foto: Mari Campos

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Flexibilidade, paciência e disciplina

Estou usando um chip internacional da O Meu Chip (que entrega em casa, no Brasil, antes da viagem, e funciona zero burocracia na hora que a gente chega ao destino informado no ato da compra) para ficar o tempo todo conectada. Recomendo bastante; internet realmente rápida e sempre constante. O chip para Europa (que estou usando) ainda inclui ligações telefônicas locais ilimitadas e permite roteamento para outros aparelhos, quando necessário. Assim, vou mostrando um pouco do dia-a-dia da viagem no meu instagram @maricampos tranquilamente.

É importante lembrar que viajar nesses tempos exige bastante flexibilidade (de tempo e de finanças), paciência e disciplina o tempo todo. Algumas atrações turísticas ainda estão fechadas em função da pandemia e outras tantas operam com grandes restrições ou limitação de público.

Mas as ruas, restaurantes e cafés estão cheios, e – há exceções, é claro – mas a maioria dos espanhóis que vejo estão se comportando de maneira disciplinada e correta. Boa parte dos cafés, bares e restaurantes ganharam espaço das ruas para fazerem suas “terrazas” ao ar livre nestes tempos, o que é mesmo um delícia.

Assim, tem sido muito bom passar esses dias aqui e observar como a vacinação avançada realmente leva as pessoas de volta às ruas com segurança – e, para desespero dos negacionistas, reaquece sobremaneira a economia (a Espanha, graças a uma das mais bem sucedidas campanhas de vacinação da Europa,  tem uma das melhores projeções de crescimento econômico para 2022).

Com cuidado, cautela, vacinas e senso de coletividade, retomar pouco a pouco nossas viagens tem sido um imenso prazer.

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