Como o perfil do viajante brasileiro mudou na pandemia

Como o perfil do viajante brasileiro mudou na pandemia

Mari Campos

22 de fevereiro de 2021 | 09h17

Quase um ano depois da declaração internacional de pandemia da Covid-19, a gente já pode dizer com segurança que quase tudo mudou na nossa vida desde então, né? E no que tange nossas viagens, as mudanças seguramente foram gigantes também – tanto que tem muita gente que sequer voltou a viajar nesse período. Mas, da mesma forma que muitas mudanças da hotelaria nestes meses devem permanecer em um cenário pós-pandemia, já tem gente apostando que algumas das mudanças causadas pela pandemia no turista brasileiro vieram também para ficar.

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Foi nessa vibe que o Airbnb divulgou recentemente um estudo encomendado especialmente para avaliar como (e o quanto) a pandemia mudou o perfil do viajante brasileiro. O gigante dos aluguéis de temporada contratou as agências Somos e Novelo para promover uma pesquisa entre viajantes das classes AB residentes em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife, que já tenham viajado desde o começo da pandemia.

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Campos do Jordão. Foto: Mari Campos

Mudanças no perfil do viajante brasileiro na pandemia

Como previsto, o carro tem sido o meio de deslocamento preferido pela maioria – e me junto em definitivo a essa estatística (todas as minhas escapadas na pandemia têm sido no meu próprio veículo). Destinos razoavelmente próximos de casa ainda estão entre os favoritos da maioria. Mas a principal mudança de comportamento do viajante brasileiro durante a pandemia, segundo o estudo, foi a migração da exploração de um destino em si para a exploração da própria acomodação escolhida para a viagem.

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Ou seja: o brasileiro dá cada vez mais importância à hotelaria e indústria da hospitalidade em geral. E isso faz mesmo sentido. Como nas nossas viagens agora passamos muito mais tempo na própria acomodação do que passeando, e nos preocupamos muito mais com a segurança sanitária do local escolhido (seja hotel, pousada ou imóvel de temporada), para muita gente a escolha do “onde ficar” passou a ter importância fundamental em qualquer viagem – independente do destino ou da duração da escapada. Não há toa, vários novos hotéis que abriram as portas em plena pandemia estão sendo cases de sucesso – tanto lá fora quanto aqui no Brasil.

Isso vem ao encontro dos resultados de outros estudos recentes do setor que mostram que o brasileiro que viajou em algum período desse quase um ano de pandemia está investindo significativamente mais na acomodação do que tinha por hábito em suas viagens pré-Covid. Afinal, quem viaja para seguir no distanciamento social passa mesmo muito tempo mais na acomodação. E sabemos que o fator “segurança sanitária” passou a ser essencial para a maioria também, independente do orçamento disponível para a viagem.

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Casa de temporada em Ilhabela. Foto: Mari Campos

Viajar sem tirar férias

A tendência de “viajar sem tirar férias” também cresceu, com cada vez mais gente viajando para manter o equilíbrio e saúde mental, mas sem deixar de lado home office/home schooling – e isso também influencia, e muito, a escolha da acomodação ideal para as escapadas possíveis nestes tempos. Incluindo a escolha frequente de retornar a hotéis, pousadas, imóveis de temporada que já conheciam desde antes da pandemia.

A escolha do hotel/pousada ou imóvel de temporada nas viagens da pandemia passou a ser mais criteriosa, valorizando não apenas conforto e qualidade de serviço e instalações, como também a existência de mais áreas abertas e maior privacidade/exclusividade no local (menos chance de aglomerações).

Segundo o estudo encomendado, o turismo de isolamento segue em alta, com preferência constante dos entrevistados por acomodações um pouco mais afastadas dos grandes centros urbanos, com áreas abertas/contato com a natureza, e o mínimo contato possível com outras pessoas. E a expectativa do setor é que essa tendência se intensifique nos próximos meses.

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Mas deixo aqui uma reflexão nesta semana: sabemos que combater o overtourism é fundamental para que a cadeia do turismo seja sustentável a longo prazo. Mas seríamos realmente capazes de manter essa tendência de comportamento em viagem também no pós pandemia? Pelo que ando vendo nas últimas semanas (Carnaval, principalmente), tenho minhas (sérias) dúvidas.

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