É seguro alugar um imóvel de temporada na pandemia?

É seguro alugar um imóvel de temporada na pandemia?

Mari Campos

21 de setembro de 2020 | 01h39

Passados seis meses de pandemia (e de uma quarentena mal resolvida no Brasil), muita gente anda pensando em suas primeiras escapadas em tempos de Covid-19. Acompanhando esse movimento de reabertura de destinos e hotéis nas últimas semanas, já comentei aqui sobre a nova tendência do turismo de isolamento, sobre que cuidados tomar ao escolher um hotel durante a pandemia e que posturas adotar para ser de fato um bom hóspede nesses tempos tão complicados.

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Muita gente está pensando em fazer suas primeiras viagens da pandemia para destinos próximos, para os quais possam viajar de carro mesmo, e alugando imóveis de temporada para tentar manter ao máximo a prática do ainda tão necessário distanciamento social. Não à toa, a procura por aluguéis de temporada na pandemia cresceu muito mais que a procura por hotéis tradicionais no mesmo período. Entretanto, algumas pessoas têm demonstrado receios, já que os imóveis de temporada não estariam sujeitos à fiscalização de protocolos de higiene e segurança como a maioria dos hotéis, resorts e pousadas.

Na semana passada, conversei com representantes das três maiores empresas do setor no Brasil – Airbnb, VRBO (antigo Alugue Temporada) e Booking (que tem uma divisão somente de aluguel de casas e apartamentos) – e também com viajantes e profissionais da saúde para tentar trazer mais luz à essa discussão.  Afinal, neste começo de retomada de viagens para quem já se sente seguro para voltar a viajar, está claro que aspectos ligados a higiene e limpeza dos imóveis tornaram-se mais importantes do que nunca.

LEIA MAIS: Cinco dicas para alugar com mais segurança um imóvel de temporada na pandemia.

 

Foto: Mari Campos

Como anda a procura neste mercado

Pesquisa Booking.com anterior à pandemia (2019) já vinha observando tendências de hospedagens em acomodação não-tradicional (casas, apartamentos, villas, chalés etc) em mais de um terço dos viajantes brasileiros (40%). E tem mesmo gente alugando imóveis de temporada neste 2020 para se manter isolado em outro endereço desde o começo da pandemia.

Segundo o Airbnb, a tendência neste momento tem sido por casas inteiras no campo e em cidades menores de praia, em destinos localizados até 300 km dos centros urbanos. Segundo o grupo, nesse caso os hóspedes procuram viajar de carro com a família e ficar mais perto da natureza, longe de multidões ou alta rotatividade de hóspedes, seguindo em distanciamento social.

Mesmo em maio já tinham observado um aumento de mais de 150% na procura por destinos a até 300 km de distância de casa em relação ao mesmo mês do ano passado. Aproveitando essa tendência, atualizaram a plataforma de modo que a mesma agora mostre alternativas próximas às pessoas, em localidades por vezes fora dos roteiros mais óbvios.

Na VRBO, a procura por imóveis de temporada na plataforma em junho foi 120% maior que no mês de maio, com destaque para destinos como Bertioga, São Paulo, Angra dos Reis, Camaçari, Campos do Jordão, Petrópolis, Atibaia, Ipojuca,  Búzios,  Gramado e Cabo Frio.

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Foto: Mari Campos

O que as empresas estão fazendo

O Airbnb foi o pioneiro no setor de compartilhamento de acomodações nesse sentido. Ainda no final de abril apresentaram internacionalmente seu Protocolo Avançado de Higienização,  o primeiro guia padronizado e sobre higienização no segmento. Desenvolvido em parceria com o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) americano, esse protocolo ficou disponível no Brasil desde junho, com diretrizes que procuram orientar os anfitriões sobre como higienizar corretamente todos os cômodos de uma casa durante a pandemia. As acomodações que seguem corretamente os padrões deste protocolo estão sendo certificadas.

Realmente não existe nenhum sistema de fiscalização sobre o cumprimento de normas e orientações fornecidas aos anfitriões, ato justificado pelo enorme volume de propriedades afiliadas. Estas orientações abrangem sugestões como intervalos mínimos de 24 horas entre uma reserva e outra para os anfitriões que adotam o Protocolo de Higienização, e de pelo menos 72 horas para os anfitriões que optaram por não se comprometer com esse protocolo. A dra. Paula Bicudo, médica do Hospital Universitário da USP, destaca a extrema importância desta prática: “Isso garante tempo suficiente para arejar bem o imóvel e fazer a limpeza realmente adequada para este período de pandemia”.

Leia também: Procura por aluguéis de temporada cresce mais que por hotéis na pandemia. 

A Booking.com afirma que tem atualizado continuamente o atendimento oferecido ao público, dando maior visibilidade às informações sobre limpeza e higiene nos anúncios das propriedades na plataforma. Para isso, a empresa atualizou seus filtros de pesquisa (como faixa de preço, amenidades disponíveis etc), incluindo um novo filtro chamado “medidas de saúde e segurança”. Assim, o viajante pode encontrar as acomodações que implementaram e/ou reforçaram seus protocolos de higiene e segurança mais rapidamente.

A Booking diz também que vem oferencendo apoio a proprietários e parceiros de acomodação, insistindo sobre a importância dos protocolos de saúde e segurança, insistindo que destaquem em seus anúncios o que estão fazendo para proteger os hóspedes durante a pandemia. Mas também não há aí um sistema de fiscalização em vigor; a melhor medida continua sendo ficar atento às avaliações e comentários de outros hóspedes recentes das propriedades desejadas, cujos depoimentos podem ser lidos nos próprios anúncios (na Booking.com todas as avaliações de viajantes são verificadas, com hóspedes que se hospedaram de fato em cada acomodação por meio da plataforma.

Veja também: Como funcionam os hotéis durante a pandemia.

A gigante VRBO (que no Brasil chegou a ser chamada de Alugue Temporada por algum tempo) afirma que vem monitorando de perto todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde e das autoridades locais a fim de garantir a segurança de seus proprietários e viajantes. A empresa orientou parceiros para que seguissem as recomendações oficiais de tais órgãos, além de elaborar uma lista de sugestões para limpeza dos imóveis em sua página oficial.

Aqui também não há nenhum tipo de inspeção ou fiscalização, mas a empresa informa que tem fornecido constantemente informações aos proprietários dos imóveis sobre as melhores e mais seguras formas de higieniza-los. Agora é possível encontrar com mais facilidade na plataforma informações sobre como exatamente estão fazendo a limpeza do local, se oferecem check-in e check-out sem contato, se a propriedade está ficando indisponível por 24 horas entre duas reservas etc.

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Foto: Mari Campos

Lembretes importantes

Mesmo escolhendo o imóvel com o maior cuidado e atenção, informando-se sobre os protocolos seguidos pelo anfitrião e sobre o intervalo entre check outs e check ins, lendo as reviews de hóspedes recentes etc, alguns outros cuidados são importantes nas tentativas de fazer da viagem uma experiência realmente mais segura nestes tempos.

A dra. Paula Bicudo, médica do Hospital Universitário da USP, sugere cuidados importantes ao alugar um imóvel de temporada na pandemia. “Lembre-se de levar toda a roupa de cama e banho que precisará; não é recomendável usar o que for oferecido pela casa. E lave bem com água e sabão todos os utensílios do imóvel como pratos, copos, xícaras e talheres antes do uso”.

A médica também recomenda dar prioridade por  imóveis bem arejados e ventilados, de preferência com alguma ventilação cruzada, para boa circulação de ar, e com área externa, mantendo a casa sempre bem arejada durante a estadia. “Tenho visto mais de uma família alugando imóveis juntas agora, mas é preciso ter muito cuidado.  O ideal é alugar o imóvel somente com as pessoas que moram juntas e estão passando a quarentena juntas. Duas famílias juntas somente se as duas famílias estiverem realmente isoladas na quarentena; e, neste caso, é preciso garantir que pelo menos cada família utilize um banheiro diferente na casa”, aconselha Paula.

LEIA MAIS: Cinco dicas para alugar com mais segurança um imóvel de temporada na pandemia.

 

 

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