Enoturismo em South Australia

Enoturismo em South Australia

Mari Campos

20 Junho 2018 | 16h58

O belo Daimler que me levou de vinícola em vinícola na região. Crédito: Mari Campos


Passei a maior parte de minha última viagem à Austrália em South Australia (Australia Meridional) e, confesso, desde antes de sair do Brasil meu maior interesse ali eram mesmo seus vales produtores de vinho. Em viagens anteriores ao país já tinha destrinchado outras regiões vinícolas australianas, do Hunter Valley à Tasmânia, mas faltava fazer com profundidade Barossa, Adelaide Hills e McLaren Vale, que são as grandes estrelas da cultura vitivinícola do país.

Foi um prazer imenso percorrer essas três regiões grudadas a Adelaide (de carro, a gente leva entre 40 e 1h30 de viagem entre Adelaide e cada uma delas, no máximo, dependendo do trânsito), que fazem a cidade ser considerada uma das dez mais importantes “capitais vinícolas” do mundo todo (atualmente ocupando a oitava posição no ranking que engloba também Bordeaux, Rioja, Napa Valley etc).

South Australia ganhou reconhecimento mundial por causa de seus vinhos, mas a verdade é que os australianos viajam para lá mais interessados por seus inúmeros festivais, pela costa super recortada por falésias (e um mar cristalino, bom para nadar com golfinhos e leões marinhos ou mergulhar com tubarões em alguns pontos) e pelo árido outback. Fiz de tudo um pouco por lá e dá para ver um pouco da minha viagem no meu instagram e também lá no meu MariCampos.com.

Produzir seu próprio vinho é uma das experiências que a gente pode ter por lá. Crédito: Mari Campos

Mas voltemos aos vinhos, por favor. Os vales de vinhedos ao redor de Adelaide concentram mais de duzentas vinícolas diferentes, de todos os estilos e tamanhos, das clássicas às hipsters, das gigantes às ultra boutique. McLaren Vale, a meros 40km do centro de Adelaide, fica localizado entre o Mount Lofty e as praias do golfo de St Vincent e sozinho é ocupado por mais de 65 vinícolas. Seus vinhos mais detacados são Shiraz e as vinícolas mais conhecidas internacionalmente são a Hugh Hamilton e a Wirra Wirra, que exportam para muitos países diferentes (inclusive Brasil). O vale ganhou espaço também no noticiário internacional quando inaugurou a nova sede da vinícola d’Arenberg: o edifício principal, em formato de cubo mágico retorcido, tem centro de degustação, restaurante e museu, tudo no mesmo belo e lúdico espaço. Mas ali há espaço também para vinícolas boutique cheias de bossa, como a hipster Alpha Box & Dice e a biodinâmica Gemtree, que tem até lhamas trabalhando por seus vinhedos. E, entre uma vinícola e outra, vale parar para almoçar no Salopian Inn, que abriga o delicioso restaurante da chef Karena Armstrong.

Adelaide Hills é uma das mais antigas regiões vinícolas da Austrália, com vinhedos que datam de 1839. Reúne em seus limites mais de 50 vinícolas, sendo a maioria em estilo boutique. Destaque para as vinícolas The Lane e Ochota Barrels (que conta ainda com um excelente bar e restaurante todo trendy, o Lost in a Forest, instalado dentro de uma antiga igreja) e para uma das novas destilarias de gin da região, a Unico Zelo & Applewood Distillery.

A piscina entre vinhedos do The Louise. Crédito: Mari Campos

Mas é Barossa Valley a grande estrela vinícola do país. Fica a cerca de uma hora de Adelaide e é uma das maiores regiões vinícolas do mundo. Além das vinícolas de peso, como a gigante Jacobs Creek, é também paraíso para foodies, com uma forte cultura farm-to-table e excelentes restaurantes – inclusive entre vinhedos. Há vinícolas boutique de jovens produtores como Yelland&Papas, vinícolas de médio porte como Murray Street e St Hugo, e as enormes e internacionalmente premiadas Jacob’s Creek, Yalumba e Seppeltsfield. Gostei muito mais de conhecer as vinícolas boutique da região, mas destaco duas experiências nas gigantonas que me agradaram muito: fazer degustação de vinhos fortificados (tipo Porto) vintage na Seppeltsfield (provei o do meu ano de nascimento, por exemplo, e os mais empolgados podem desembolsar uns bons punhados de dólares e levar uma valiosa garrafinha do ano escolhido para a casa) e fabricar seu próprio vinho na Jacobs Creek (atividade incrivelmente instrutiva e bastante divertida em família ou grupo de amigos). Restaurantes como Artisans of Barossa e fermentAsian também fazem qualquer escapa por lá ficar mais gostosa.

As três regiões – McLaren, Adelaide Hills e Barossa – são facilmente acessíveis em day tours a partir de Adelaide, mas eu recomendo MUITO hospedar-se ao menos uma noite (e preferencialmente duas) no belo The Louise, um luxuoso hotel boutique membro da Luxury Lodges of Australia e da Relais&Chateaux cujos quartos (todos em formato villa) estão rodeados por vinhedos.  A melhor pedida é apostar num dos tours customizados (que podem incluir o deslocamento já desde e para Adelaide) da excelente Barossa Daimler Tours, que eu testei e aprovei durante meu roteiro por lá: o itinerário é feito a bordo de um Daimler histórico, que já serviu à rainha Elizabeth em outros tempos, com um guia que é a maior simpatia. Programa perfeitinho, 100% recomendável pela paisagem, pela segurança, pela estrutura e pelas deliciosas vinícolas e restaurantes visitados.