Four Seasons São Paulo abre suas portas à boa mesa

Four Seasons São Paulo abre suas portas à boa mesa

Mari Campos

10 Outubro 2018 | 21h05

Os lagostins impecáveis do restaurante Neto: receita italiana com sotaque e matéria prima brasileira. Foto: Mari Campos

A espera finalmente terminou: o primeiro hotel Four Seasons do Brasil abre suas portas oficialmente nesta segunda, dia 15 de outubro. O Four Seasons São Paulo, instalado no Parque da Cidade, traz uma nova faceta da hotelaria de luxo para a cidade, cheio de detalhes – do design ao estilo de serviço – que o diferenciam bastante de qualquer outro hotel deste mesmo mercado na cidade (dá para ler mais sobre o hotel em si no meu texto sobre ele para o Hotel Inspectors).

E, para paulistanos ou não, para hóspedes ou não, a melhor novidade sobre essa inauguração é a chegada a São Paulo de duas belíssimas opções para comer e beber bem: o restaurante Neto e o bar CajuSP. Ambos chegaram sob o comando do sempre excelente chef Paolo Lavezzini (ex-Fasano Rio) e cheios de brasilidade em seus menus (e também em seu belíssimo décor).

O CajuSP faz a linha botequim-chic, ocupando um sinuoso balcão aberto para o lobby e, contrariando a onda atual dos novos bares, sem nada de “parafernália de mixologia” à vista. A sacada do CajuSP está mesmo na qualidade: uma tremenda equipe de mixologistas (liderada pelo bartender Paulo Ravelli) elaborou uma carta redondinha de drinks clássicos e signature, com foco nos ingredientes tropicais – e uma louvável coleção de cachaças. O menu de petiscos conta com clássicos dos botequins brasileiros, do bolinho de bacalhau ao frango à passarinho, com o toque contemporâneo e infalível de Lavezzini. Gostei de tudo, tudo mesmo que provei ali – e também da excelente trilha sonora.


Dos drinks da casa, recomendo o Porn Star, que leva aperol, e o cítrico Penicilinum, ambos excelentes, muito equilibrados (R$38 cada). E o que mais gostei: ao contrário de alguns outros hotéis paulistanos, cujos bares intimidam quem não está hospedado no hotel pelo próprio design e concepção, o CajuSP é todo aberto para o lobby, desenhado para ser acolhedor e inclusivo (no sentido amplo dessa palavra) mesmo. Vai funcionar todos os dias e tem tudo para virar um hit na happy hour dos arredores.

O Porn Star, que deve virar um hit do CajuSP, leva aperol. Foto: Mari Campos

E para o restaurante Neto (o nome mesmo já é uma homenagem a todos os paulistanos descendentes de imigrantes italianos), o chef criou um menu de pratos bem tradicionais italianos, mas todos com toques brasileiros, utilizando basicamente produtos locais. “Nossa ideia foi adaptar o produto brasileiro da mais alta qualidade dentro da gastronomia italiana”, diz Lavezzini. E fizeram isso com maestria:  até o delicioso azeite servido no couvert é nacional.  Do meu jantar, as massas ganharam absoluto destaque – e também me chamou bastante atenção alguns pratos do menu serem desenvolvidos para serem propositalmente compartilhados à mesa (inclusive algumas carnes). Meus favoritos foram os lagostins com couve-flor, pistache siciliano, lardo de colonnata e tucupi (R$ 60) e o tagliolini de farinha artesanal de feijão preto, alho, azeite, couve manteiga e bottarga (R$ 75).

Mas o que eu mais gostei do Neto foi o conceito: a gastronomia de primeira linha é servida em um ambiente absolutamente sem afetações. Pé direito alto, iluminação direta (já deu de comer em restaurante escurinho, né?!), garçons super treinados mas cheios de liberdade para interagir informalmente com os clientes, e algumas enormes mesas comunais, pensadas para serem compartilhadas tanto por famílias e grupos de amigos como também por completos desconhecidos.

Dica importante para quem quiser seguir a sugestão: o Neto é pequeno e, para o jantar, reservar é altamente recomendável.