Ilha de Páscoa sem stress

Ilha de Páscoa sem stress

Mari Campos

20 de junho de 2019 | 09h24

Tão fascinante quanto isolada, a Ilha de Páscoa (rebatizada recentemente de Rapa Nui pelo governo chileno) é aquele tipo de destino que nos cativa assim que pisamos por lá. “Descoberta” pelo explorador holandês Jacob Roggeven num domingo de Páscoa no século XVII e anexada ao Chile (apesar de distante mais de 3500km de sua costa) no século seguinte, a ilha é mais polinésia que qualquer coisa; e os habitantes Rapa Nui são extremamente orgulhosos de suas origens.

Repleta de paisagens arrebatadoras e conhecida internacionalmente como “umbigo do mundo”, a Ilha de Páscoa/Rapa Nui nos intriga até hoje com suas principais figuras, os moais, gigantescas estátuas vulcânicas de até 10 metros de altura espalhadas por toda a ilha, legado de um povo cuja cultura escrita praticamente desapareceram com o passar dos séculos. Assim como as pirâmides do Egito, até hoje há diversas teorias sobre como os moais (que podiam pesar até 80 toneladas) teriam sido transportados de Rano Raraku (a região da ilha hoje chamada pelos turistas de “fábrica de moais”, já que teoricamente era ali que as figuras eram concebidas e construídas) para outros cantos da ilha – e ninguém está seguro sobre nenhuma delas.

Turistas em frente ao Ahu Tongariki, um dos principais altares de moais da Ilha de Páscoa. Foto: Mari Campos.

Apesar de geralmente cara, posso garantir que a Ilha de Páscoa vale definitivamente o investimento. Distante 5h de voo desde Santiago, tem relevo vulcânico bastante sinuoso e é cercada por mar muito azul, quase denim – e um convite constante à aventura em trekkings e rotas em bicicleta e à cavalo. Mas os mais preguiçosos e sedentários também encontram seu cantinho, já que há enorme oferta de confortáveis tours em vans por toda a ilha. Alugar um carro para curtir a ilha por conta própria também é um programão e nos dá total liberdade para parar o tempo todo, a qualquer momento, para desfrutar das vistas panorâmicas incríveis aqui e ali.

Enquanto os passeios acontecem por toda a parte, a ilha tem uma única cidade, Hanga Roa, que concentra o aeroporto, restaurantes, bares, cafés, lojas e a maioria dos hotéis. Caí de amores por ela assim que a visitei pela primeira vez e volto feliz de cada reencontro com essa ilha, essas paisagens e esse povo, e não foi diferente neste último maio. Desta vez, fiquei hospedada no Hotel Hangaroa, um hotel a dez minutos de caminhada do centro de Hanga Roa que propõe diferentes sistemas de hospedagem, de bed&Breakfast à pensão completa. A grande sacada é que ele inclui também, dependendo do pacote escolhido, até duas excursões diferentes por dia, deixando a viagem à ilha muito mais tranquila – é só chegar, fazer check in e curtir, já que o próprio hotel vai sempre propor a escolha de dois tours diferentes para o período seguinte (há opções desde passeios em van para pura contemplação até trekkings mais puxados). Com três dias inteiros na ilha (quatro noites de hospedagem) dá bem para conhecer todas as principais atrações. E tendo as excursões já incluídas, dá pra curtir a ilha absolutamente sem stress entre um tour e outro. O hotel também empresta bikes e quadricilos, os quartos são gostosos e há também piscina e um bom spa. Dá pra ter mais informações sobre o hotel e ler minha review completinha sobre o Hotel Hangaroa aqui.

Um dos cantinhos com vista ao mar do Hotel Hangaroa. Foto: Mari Campos

Os passeios mais imperdíveis pela ilha são os passeios a Rano Raraku (a “fábrica de moais”), o tour ao vulcão Rano Kau e a aldeia cerimonial Orongo e o chamado “island tour”, que visita as principais construções de moais da ilha, como Ahu Tahai, Anakena Beach e Ahu Tongariki. O por do sol no Ahu Tahai é um clássico na ilha e, geralmente, o primeiro passeio de quem desembarca por lá; afinal, fica logo ao lado do centrinho de Hanga Roa (e o por do sol ali é mesmo imperdível). Mas para quem tem mais tempo por lá,  há a possibilidade de conhecer diversos outros ahu (os altares de moais) diferentes, cavernas e fazer trekkings em vulcões distintos. Em algumas épocas do ano são realizados passeios para ver o dia nascer atrás do Ahu Tongariki também. E, dependendo das condições climáticas, há oferta de gostosos passeios em barco às ilhotas vizinhas, passeios em caiaque e snorkeling e mergulho próximos à ilha (o snorkel, aliás, vale super experimentar não pela vida marinha em si mas pela própria cor da água, que é muito particular na ilha de Páscoa. E os tours geralmente incluem empréstimo de wet suit, para dar conta da água gelada que rodeia a ilha).  E, claro, se o tempo estiver firme e quente, nada mal curtir uma prainha em Anakena Beach, por exemplo.

Comer bem é praticamente garantia nos restaurantes da cidade, principalmente para quem gosta de pescados e frutos do mar: há ampla oferta de grelhados e ceviches fresquíssimos por toda parte. No próprio Hotel Hangaroa o que mais me chamou a atenção foi a gastronomia caprichadíssima do café da manhã ao jantar, com foco nos ingredientes locais – recomendo muito um almoço ou jantar em um de seus restaurantes, mesmo para não-hóspedes.

O por do sol matador da ilha. Foto: Mari Campos

A cidadezinha de Hanga Roa mudou muito nos últimos anos e ganhou muito mais bares, cafés, restaurantes e lojas do que tinha há cinco ou seis anos. Muitos estrangeiros fincaram bandeira por ali e abriram seus pequenos negócios – mas a ilha não perdeu de nenhuma maneira seu charme peculiar. Há também mais um supermercado e um novo mercado de artesanato, que ficou muito mais gostoso e interessante (apesar de não haver fartura de produção, infelizmente).

A ilha é boa de visitar o ano todo, já que costuma ter temperaturas sempre agradáveis, com mínimas geralmente de mais de 15 graus mesmo no inverno. Janeiro e fevereiro costumam ser os meses mais quentes, cheios e também os mais caros, em grande parte por causa do festival Tapati Rapa Nui, que movimenta (e lota!) a ilha toda. Convém apenas evitar o mês de maio, que costuma ser o mais chuvoso – peguei realmente tempo feio e bastante chuva nesta última visita por lá, infelizmente.

Vale ficar de olho que agora é preciso preencher uma autorização eletrônica (FUI – Formulário Único de Ingresso) antes de embarcar para ilha e a permanência máxima de um turista por lá foi fixada em 30 dias.

Dá pra conferir aqui minha review completa sobre minha hospedagem no Hotel Hangaroa.

Mais sobre minhas viagens à Ilha de Páscoa você encontra aqui.

 

Mais conteúdo sobre:

ChileIlha de Páscoa