Lower Manhattan renasce definitivamente

Lower Manhattan renasce definitivamente

Mari Campos

04 de novembro de 2019 | 19h58

Apesar de toda a aura business que ainda paira por lá, Lower Manhattan é hoje, definitivamente, um pedaço da cidade mais focado em lifestyle. A “nova” Nova York dos últimos anos trouxe nova vida para estar região, incluindo novas atrações, novos restaurantes, novos bares, novos espaços de compras e até mesmo novos hotéis.

Nesta minha última viagem à cidade em outubro passado – que contou com o apoio da NYCgo e da Copa Airlines durante parte da minha estadia na cidade – constatei mais uma vez que se hospedar em Lower Manhattan é um programão, principalmente para quem já conhece bem a cidade. Além de ter mais novaiorquinos e menos turistas que em outras regiões de Manhattan, ficar por ali facilita tanto para explorar os atrativos da própria ilha como também para se deslocar a alguns dos pedaços mais gostosos da cidade, como Brooklyn e Williamsburg, sempre cheios de novidades (como os ótimos e imperdíveis novos Time Out Market e Domino’s Park, só para começo de conversa).

O Oculus visto de dentro do Brookfield Place. Foto: Mari Campos

O impactante Oculus World Trade Center do arquiteto espanhol Santiago Calatrava tem mais de 74.322 mil m² de área total é, com forma que remete a uma árvore em pleno voo, representa bem o renascimento desta região de Nova York tão afetada pelos atentados de 2001. Além da impactante estética, o Oculus reúne ali dois complexos de compras interligados: o descolado Westfield e o luxuoso Brookfield Place. Neste último, além de ao menos espiar as belas vitrines das grandes marcas de luxo, vale super a pena ficar para almoçar no descolado Le District, um mercado no estilo Eataly, só que com sotaque francês. O local reúne quatro áreas: Café District (com café, patisseries, crepes, chocolates e afins), Garden District (com estações de cozinha típica francesa para comer in loco ou levar para casa), o Le Bar (com menu próprio de drinks e pratos tipo petiscos e tapas, perfeitos para a happy hour) e o delicioso Beaubourg, uma brasserie de excelentes pratos e coquetéis servidos tanto no ambiente interno como em um adorável pátio externo, com vista para o rio.

O gigante One WTC visto do Oculus. Foto: Mari Campos.

É ali também que fica o gigante One WTC, o edifício mais alto dos Estados Unidos, com 541,3 metros de altura em andares ocupados por escritórios. É ali mesmo que fica o mais novo observatório da cidade, o One World Observatory, no 102 o. andar do edifício. Também conhecida como Freedom Tower, a atração tem vistas panorâmicas para Manhattan e outros boroughs de Nova York, com bar, restaurante, experiências interativas e a possibilidade de fazer um tour guiado com moradores especialistas na cidade (em 2020, o One World Observatory perderá o posto de mais novo observatório da cidade em 11 de março de 2020 para o esperado Edge, que será o mais alto observatório do ocidente, no centésimo andar de um edifício na área de Hudson Yards, com direito a chão de vidro e tudo). Logo ao lado fica o tocante 9/11 Memorial, dedicado às vítimas dos atentados de 11 de setembro.

A icônica escadaria do Four Seasons New York Downtown. Foto: Mari Campos

Minha hospedagem na região se dividiu em dois hotéis de perfis bem diferentes: o luxuoso Four Seasons New York Downtown e o prático AKA Wall Street, em sistema flat. O Four Seasons New York Downtown, inaugurado em 2016, ocupa parte do novo edifício de 82 andares projetado pelo escritório Robert A.M. Stern Architects. São 189 quartos e suítes (alguns deles com vista para o One WTC) distribuídos entre o  7º e o 24º andares (157 unidades residenciais ocupam os andares entre o 38º e o 81º). O design interior ficou por conta do escritório canadense Yabu Pushelberg, valorizando os tons discretos de cinza, marrom, bege e bronze nos quartos, além do uso constante de madeira escura e muito mármore nos banheiros. O destaque absoluto fica por conta dos belíssimos móveis feitos sob medida para o minibar, com espelhos e jeito de cristaleira.

A escadaria sinuosa para o lobby já virou ícone do hotel, que conta ainda com obras de arte de Marc Quinn, Robert Longo, Hirotoshi Sawada e outros artistas espalhadas pelo hotel. No terceiro andar é a extensa piscina (com mais de 20 metros) do belo spa que chama a atenção. A propriedade conta ainda com uma sexy filial (com muito vermelho e veludo by Jacques Garcia) da CUT, a famosa steakhouse do chef Wolfgang Puck (o primeiro restaurante do chef na cidade) – ótima pedida também para um drink antes de sair para o jantar.

Instalações charmosas e perfeitas para longas estadias no AKA Wall Street, da Preferred Hotels. Foto: Mari Campos

Já o AKA Wall Street tem vibe mais residencial, para quem quer realmente se sentir em casa em estadias mais longas na cidade. A propriedade, que é membro da Preferred Hotels,  conta com concierge e recepção 24h mas é composta por flats ao invés de quartos de hotel, todos com espaçosos quarto, sala, banheiro e equipados com cozinha completa.  As enormes janelas garantem muita luz natural a todos os cômodos – e também pelas vistas da cidade nos andares mais altos.

Há academia, lavanderia com auto-serviço, cinema privativo e o Blue Ribbon Federal Grill, um novo restaurante dos Bromberg Brothers.  Vale destaque também o belo rooftop com vista panorâmica para Nova York – e  que serve todas as manhãs café, chá e pastries sem custos para os hóspedes.

Hospedar-se em Lower Manhattan garante também acesso rápido às comprinhas no Soho, aos passeios por Wall Street, aos barzinhos da Stone Street ou ao people watching no Battery Park. É dali que saem os ferries para a Estátua da Liberdade que, por sinal, inaugurou recentemente seu novo museu sobre o monumento, completamente gratuito (e com direito a um novo mirante, o “vista”, para apreciar a vista desobstruída para esta cidade que só melhora com o tempo.

Dá para ver mais da minha última viagem por Nova York nos destaques do meu instagram @maricampos.

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