Maldivas para todo tipo de turista

Maldivas para todo tipo de turista

Mari Campos

21 de outubro de 2019 | 09h16

Nos últimos anos, as Maldivas entraram em todas as listas de “lugares para visitar”das grandes publicações internacionais. Afinal, o arquipélago, que é de uma beleza singular por si próprio, ainda é craque como poucos destinos em produzir hotelaria de primeira linha.

Por muito tempo os brasileiros pensaram nas Maldivas unicamente como um destino para casais em lua-de-mel; mas, devagarinho, estão começando a se conscientizar que trata-se de um destino que se adapta facilmente aos mais diferentes perfis de viajante. Na minha passagem por lá em setembro último, ao longo de quase duas semanas, pude constatar isso in loco em todos os hotéis nos quais me hospedei: muitos casais, sim, mas também muitas famílias, muitos grupos de amigos e até alguns solo travelers curtindo as águas paradisíacas destas ilhas, numa boa.

Da piscina direto para o mar nos bangalôs do Anantara Kihavah. Foto: Mari Campos

As Maldivas são um destino singular. Não apenas pela beleza surreal de suas praias e águas (prepare-se para ver corais incríveis, baby sharks, arraias, tartarugas e uma fartura impressionante de peixes, mesmo à beira-mar), mas também por uma peculiaridade: ali cada ilha é um resort diferente.  Assim, eis aí um destino em que a escolha da hospedagem é realmente definitiva para a experiência geral por ali. Durante sua hospedagem, tudo que você fará e consumirá, dos restaurantes aos passeios, será oferecido ou gerenciado pelo hotel que você escolheu.

Por isso mesmo, minha sugestão é não se hospedar durante toda a estadia no mesmo hotel. Hospedando-se em duas ou mais propriedades, você conhece diferentes ilhas, em diferentes atóis, com diferentes visuais e experiências possíveis. Apesar da cor da água ser maravilhosamente turquesa em todas elas, mesmo debaixo de chuva!, a geografia particular de cada ilhota proporciona cenários e experiências diferentes.

Durante minha viagem, me hospedei em quatro resorts/ilhas diferentes ao longo de quase duas semanas – e achei a decisão acertadíssima. Pude assim conhecer quatro ilhas diferentes, em três atóis diferentes, com paisagens e atmosferas bem distintas.   Os hotéis escolhidos foram o Soneva Fushi, o Anantara Kihavah, o Anantara Dhigu e o Niyama Private Islands Maldives.

Um dos deliciosos restaurantes do Soneva Fushi. Foto: Mari Campos

Os dois primeiros – Soneva Fushi(todo mundo de pés descalços o tempo todo!) eAnantara Kihavah – , que ficam no mesmo atol (0 Baa Atoll), distantes menos de meia hora em lancha um do outro, foram uma dobradinha sensacional. E foi neles que encontrei o fundo do mar mais espetacular da viagem todinha – ambas ilhas são rodeadas de barreiras de corais impressionantes, com alguns deles tão próximos da faixa de areia que até sem colocar a cabeça dentro do mar a gente já vê. Neles também nadei, sem nada programado, com baby sharks, tartarugas e arraias que simplesmente se aproximaram da praia e dos bangalôs. Ambos hotéis têm vibe super relax, extremamente focados em conservação e sustentabilidade, serviço simplesmente irretocável (incluindo “mordomo” para todos os quartos), restaurantes excelentes (incluindo um underwater no Kihavah) e imperdíveis observatórios astronômicos. Em ambos, casais, grupos de amigos, famílias com crianças pequenas (ambos têm imensos kids clubs) e solo travelers conviviam harmoniosamente, cada um no seu quadrado.

Fiquei hospedada também no Niyama Private Islands Maldives, um verdadeiro sucesso entre brasileiros. Encontrei inúmeros hóspedes conterrâneos durante meus dias por lá. Com vibe mais jovem e festiva, foi o hotel mais contemporâneo que conheci por lá.  Do décor dos quartos e bangalôs aos restaurantes (tem até dois bares com ares de balada), foi o hotel mais diferente.  É queridinho dos surfistas (Gabriel Medina incluído!) por uma peculiaridade: ocupa duas ilhas diferentes, sendo uma banhada pelas típicas águas calmas e mornas, bem piscininha-amor, das Maldivas, e a outra com uma extremidade perfeita para a prática de surf, cheia de ondas.

O Anantara Dhigu trouxe de brinde seu vizinho Anantara Veli. O Veli foi o único dos hotéis que conheci nas Maldivas que faz restrições a um dos públicos viajantes: o resort não hospeda crianças. Mas o Dhigu recebe casais, famílias, amigos e solo travelers, igualzinho aos demais resorts, com espaços e atividades para todos eles. Os dois resorts, instalados em ilhas praticamente anexas, são opções certeiras para quem quer conforto e qualidade na hospedagem nas Maldivas, sem cacifar um hotel de luxo. Quem se hospeda em qualquer um deles pode fazer uso também dos restaurantes e instalações do outro, o que achei excelente – e com conforto e rapidez, já que uma lancha leva e traz os hóspedes de um para o outro, dia e noite, em literalmente um minuto.

Foi mesmo muito interessante ver como os hotéis lá se esmeram para agradar os mais distintos perfis de hóspedes, criando ambientes acolhedores e harmônicos para todos eles. Recomendo muito.

Em tempo: voei às Maldivas com a Qatar Airways, experiência sobre a qual falo em detalhes aqui.

Dá para ler todas as minhas dicas para planejar sua viagem para as Maldivas aqui.

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