O ano do teatro em Chicago

O ano do teatro em Chicago

Mari Campos

15 de fevereiro de 2019 | 17h55

O skyline de Chicago refletido na obra de Anish Kapoor. Foto: Mari Campos

Estou chegando hoje de mais uma viagem a Chicago, minha cidade favorita nos EUA. Eis aí um destino para o qual tento voltar todos os anos, e a cada viagem encontro ali uma cidade ainda mais vibrante e surpreendente. Desta vez, pisando ali no gélido inverno da região, passei os primeiros quatro dias envolvida em trabalho, conferindo as novidades relacionadas a 2019 ter sido escolhido como “o ano do teatro em Chicago”.

Não que Chicago ainda precisasse de pretextos para atrair turistas. Uma cidade linda, de arquitetura fascinante, parques incríveis, instalações de arte pública por toda parte, bairros cheios de personalidade e alguns dos melhores museus das Américas – e com cervejarias artesanais (a maior quantidade dos EUA), clubs de jazz, bares, restaurantes (22 deles estrelados no Michelin) e hotéis para ninguém botar defeito. Mas Chicago sempre vai além e nos surpreende; então escolheu esse ano para mostrar a nós, turistas, que a cidade também é craque em oferta teatral de todo tipo.

Detalhe do luminoso de Hamilton, um dos maiores sucessos teatrais em Chicago. Foto: Mari Campos

São mais de 250 teatros espalhados pelos distintos bairros de Chicago, além de diversos outros espaços públicos e privados que se convertem frequentemente em palcos para performances específicas. Para quem não sabe, Chicago tem cinco teatros premiados no Tony Awards, a maior organização itinerante da Broadway do país e mais premieres internacionais que qualquer outra cidade. “Para você realmente se apaixonar por Chicago, você precisa ir ao teatro; é ali que a cidade revela sua verdadeira e destemida alma”, defende Mark Kelly, do Chicago Cultural Center.

A iniciativa de focar na produção teatral na cidade ao longo do ano todo é pioneira nos EUA e inclui espetáculos (teatro, dança, ópera, improviso etc) e eventos especiais abertos ao público em centenas de locais, incluindo teatros, parques e bairros da cidade toda.  Até o site da liga teatral da cidade, o ChicagoPlays.com, ganhou cara nova. As iniciativas incluíram também descontos polpudos nos ingressos na Chicago Theatre Week (até 17 de fevereiro agora) – embora os ingressos para produções da Broadway na cidade já sejam sensivelmente mais baratos que em outros destinos, como Nova York (meu ingresso de cara para o palco para assistir o imperdível musical Hamilton, por exemplo, custou menos da metade do assento similar na Big Apple).

Hamilton, aliás, é um sucesso de público tão impressionante em Chicago que vai ganhar ali sua primeira mostra permanente, a partir de seis de abril: a Hamilton: The Exhibition, com interações de 360 graus.

O interior do belo Auditorium theatre, aberto para tours. Foto: Mari Campos

Tive a chance de assistir novamente a performances da hilária The Second City (de onde surgiram grandes nomes do Saturday Night Live, por exemplo), além de outros espetáculos, de competentes produções locais como How to Catch Creation a discutíveis shows de mágica no Chicago Magic Lounge, de Dowtown aos bairros mais afastados. Recomendo muito também a visita guiada ao Auditorium Theatre, o mais antigo teatro em funcionamento na cidade (a visita pode ser reservada online).

O programa anual ainda envolve programas públicos relacionados ao teatro e exibições no (lindo!) Chicago Cultural Center, eventos teatrais em toda a cidade durante a Night Out in the Parks e displays teatrais na Expo 72. A cidade vai ganhar também neste primeiro semestre sua unidade do Teatro Zinzanni, instalado dentro do hotel Cambria Chicago Loop, bem no coração da cidade. Bônus especial: quem visitar a cidade durante o verão vai ter a chance de participar de diversas performances gratuitas no belíssimo Millennium Park.

A cidade continua sendo um dos destinos mais badalados dos EUA pela hotelaria de luxo (nesta última viagem testei e aprovei o Trump Chicago, que fica num dos melhores pontos de downtown, com vistas panorâmicas para Chicago de todos os quartos), pela gastronomia (tem nada menos que 22 estrelas Michelin) e pelos rooftop bars, como o novíssimo Z bar, instalado no The Península Chicago – afinal, todo mundo quer tirar vantagem do belo e inconfundível skyline da windy city.

Vem mais sobre Chicago por aqui, é claro. Enquanto isso, dá pra ler mais sobre  a minha Chicago também aqui.

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