O encanto da chilena Pirque

O encanto da chilena Pirque

Mari Campos

28 de maio de 2019 | 08h57

Detalhe da charmosa Alyan Wines, uma das vinícolas mais gostosas dos arredores de Santiago. Foto: Mari Campos

Santiago é uma escapada e tanto para os brasileiros. E muita gente anda voltando à cidade pela segunda, terceira ou enésima vez, seja para aproveitar um final de semana prolongado ou mesmo uma paradinha rápida antes ou depois de curtir algum outro destino chileno. E foi exatamente isso o que fiz antes e depois da minha mais recente viagem à Ilha de Páscoa, neste maio. Mas, desta vez, depois de explorar uma das minhas ilhas prediletas do planeta, resolvi montar base em Pirque.

Pirque é uma comuna pacata dos arredores de Santiago, em pleno Vale do Maipu. Pequena e sossegada, fica literalmente colada a Santiago, mas com jeito de cidadezinha pequena, de ritmo lento e gente muito simpática em todo canto. É em Pirque que estão concentradas as vinícolas mais próximas para quem quer fazer uma visita rápida, sem percorrer grandes distâncias desde a capital chilena (fica a meros 45 minutos do aeroporto de SCL) – como a vinícola boutique Haras de Pirque, uma das mais conhecidas da região (e que eu também já conhecia de outros carnavais).

A Haras de Pirque, aliás, tem um restaurante que vale super a visita para almoço. É uma excelente alternativa à ideia de fazer o tour + degustação pela vinícola em formato de ferradura (apesar de ser hoje do grupo Antinori, o dono original tinha tanta paixão por cavalos que até o shape da sede foi uma homenagem a seus animais favoritos). Provar vinhos da casa durante o almoço é muito mais gostoso (em todos os sentidos) que fazer a visita guiada tradicional. A ótima chef do restaurante Hussonet criou um menu bastante variado, sempre com ingredientes locais e muito frescos – e quem não souber o que pedir pode aceitar a sugestão do menu degustação de cinco passos, que achei excelente  (em torno de 60 dólares com um vinho harmonizado em cada passo). O ambiente é charmoso e descontraído, com serviço bem simpático, e janelões com vistas lindas para os vinhedos.

O palácio das Majadas de Pirque e seu belo jardim. Foto: Mari Campos

Mas a grande surpresa desta vez foi a vinícola familiar Alyan Wines. Tocada pelo casal que dá nome à empresa e seus filhos, a Alyan é linda, com os Andes sempre à vista, e cheia de cantinhos cuidadosamente planejados para receber os visitantes de maneira bem informal e descontraída – bem diferente do que acontece na maioria das vinícolas da região. A visita por lá também foi a mais gostosa que fiz nos arredores de Santiago: com direito a muito bate-papo sobre tudo (inclusive vinhos rs) enquanto somos guiados pelos diferentes ambientes internos e externos da propriedade. Cada etapa da degustação acontece em um ponto diferente da propriedade e a degustação final vem acompanhada de uma imensa tábua de queijos e frios locais deliciosos. A melhor pedida é fazer a visitação no último horário, às 16h (convém reservar), para pegar o por-do-sol ao final do passeio.

Pirque tem também lojinhas, cafés e pequenos restaurantes e um delicioso mercado, o Mercado Origen, que vende produtos orgânicos locais e outras delícias preparadas ali mesmo, incluindo queijos e sorvetes artesanais. No mercado funciona também uma cafeteria, com direito a espaço para bater-papo, usar internet etc.

O café da manhã à la carte imbatível do Majadas de Pirque está incluído nas diárias. Foto: Mari Campos

Para ficar por lá mesmo, é boa pedida se hospedar no Majadas de Pirque, um hotel boutique de design super contemporâneo que ocupa o maior e mais lindo jardim da região. Passei algumas noites ali e gostei bastante da experiência. Embora não tenham TV nem ar condicionado, os quartos são novinhos e bastante espaçosos, com design caprichado, camas excelentes e varandas com vistas lindas para o parque. Os hóspedes têm livre acesso ao parque todo e podem visitar o belíssimo palácio histórico da propriedade (também chamado de castelo), que funciona mais para eventos e reuniões corporativas, mas acaba de ganhar uma gostosa cafeteria. Infelizmente o site deles é muito ruim para o turista e a maioria dos internautas sequer consegue encontrar a hotelaria ali. Mas acredite: o hotel da propriedade, que eles chamam de “Residência”, está em pleno funcionamento o ano todo.

Quem não quiser ficar para dormir pode – e deve! – ficar para almoçar ou jantar no excelente restaurante do hotel, aberto todos os dias para café, almoço e jantar. Jantei ali em duas noites diferentes e gostei de tudo que comi, além do serviço super cálido. O café da manhã à la carte, incluído nas diárias, merece menção especial: a gente seleciona de uma imensa lista de itens o que deseja no dia seguinte e voilà: tudo está pronto na hora marcada, do granola caseiro aos deliciosos ovos do jeito que o hóspede quiser.

Voei desta vez a Santiago com a Sky Airlines e usei novamente o ótimo serviço de transfers da Blacklane, empresa que atua no mundo todo e que eu sempre recomendo para os trajetos aeroporto-hotel-aeroporto.

Dá pra ler mais sobre Chile, Santiago e vinícolas chilenas aqui.

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