Viagem: tendências para 2021

Viagem: tendências para 2021

Mari Campos

30 de dezembro de 2020 | 01h19

2020 foi esse ano tão duro e estranho para todos nós. E foi também o ano mais duro e estranho para a indústria turística, com tantas pessoas ficando sem viajar ao longo do ano, no Brasil e lá fora. Por outro lado, nunca falamos TANTO da nossa vontade e paixão por viajar como em 2020! Vou mais longe: nunca se discutiu tanto a responsabilidade de nossas viagens – o que definitivamente renderá bons frutos de 2021 em diante.Mas quais as principais tendências de viagem para 2021?

A última edição da ILTM, o maior e mais importante evento do mercado de viagens de luxo, realizado virtualmente no começo de dezembro, mostrou que o setor está realmente otimista para 2021. Ao longo de 2020 e da pandemia de Covid-19, diversos novos hotéis de luxo abriram suas portas no mundo e várias outras inaugurações do setor estão previstas para o primeiro semestre de 2021. Embora com bem menos frequência do que antes, o turista de luxo continuou viajando durante a pandemia – como já contei aqui -, mesmo que fosse para apenas se isolar em um outro endereço. E investiu ainda mais para garantir sua segurança nas viagens.

Mesmo em outros nichos mais econômicos do turismo, algumas tendências importantes estabelecidas ou fortalecidas em 2020 – como aumento das estadias prolongadas, turismo de isolamento, valorização de destinos “de natureza”, políticas de compra mais flexíveis, foco em serviços e segurança etc – devem permanecer em 2021, ainda que adaptadas . O que deve ser tendência em viagem em 2021, mesmo com a provável continuação do cenário pandêmico ao longo do ano? Veja a seguir.

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TENDÊNCIAS DE VIAGEM EM 2021

Os destinos da vez

Especialistas do setor são unânimes em apostar no turismo doméstico ainda mais forte em 2021 no Brasil todo, já que diversas restrições de viagem devem seguir em vigor e reaberturas de algumas fronteiras ainda fechadas para brasileiros não devem acontecer de forma rápida nem, muito menos, generalizada.

Erik Sadao, da Sapiens Travel, acredita que, além do turismo doméstico,  “destinos internacionais com fronteiras abertas aos brasileiros devem seguir como prioridade, assim como destinos com obrigatoriedade de testes PCR para entrada”. Ou seja: com o Brasil ainda sem um plano nacional de vacinação real e diversos países já começando seus próprios programas no final de 2020, é bem possível que ainda demore bastante tempo para que possamos viajar para qualquer parte. “Os planos de viagem para 2021 também deverão ser adequados a esses tempos e termos”, alerta Sadao.

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O chamado turismo de isolamento também deve ganhar mais adeptos, tanto aqui quanto lá fora.  Afinal, mesmo com a chegada da vacina em alguns países, a necessidade de distanciamento social permanecerá ainda por um bom tempo e muitos viajantes realmente se identificaram com a busca por lugares remotos e livres de hordas de turistas.

Portanto, destinos com ampla possibilidade de atividades ao ar livre e o mínimo possível de chances de aglomeração devem seguir em evidência.  “Destaque para destinos com grandes espaços abertos, como Escócia ou Patagônia, além da maior procura por villas e barcos privados no mercado de luxo também”, afirma Simon Mayle, diretor de eventos da ILTM (International Luxury Travel Market).

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Foto: Airbnb

Viagens misturando cada vez mais lazer e trabalho

Além da consagração das extended stays (estadias prolongadas, que tiveram o maior crescimento já registrado neste 2020),  o home office e o ensino à distância viraram parte das viagens de muita gente.  “As viagens em 2021 serão mais longas e mais tranquilas, e as pessoas tentarão aproveitar ao máximo cada experiência fora de casa”, diz Simone Scorsato, diretora da BLTA (Brazilian Luxury Travel Association).

Segundo pesquisa recente do Airbnb, a possibilidade de viver e trabalhar em qualquer lugar virou factível para muito mais gente, graças a tantas empresas seguirem adotando o home office. Além disso, a pesquisa encomendada pela plataforma de alugueis de temporada também estabeleceu como principais tendências do turismo para 2021 o desejo de explorar destinos hiperlocais (localizados a até 300km de casa) e de fazer viagens de reconexão. Segundo a pesquisa, 83% dos entrevistados são a favor de se acomodar também “fora de casa” como parte do cotidiano de trabalho remoto e 20% topariam realmente se mudar, seja temporária ou permanentemente, para outro local durante a pandemia.

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Uma grande notícia do setor é que sustentabilidade também virou aspecto fundamental na escolha do hotel para muito mais viajantes em 2020, e deve ganhar ainda mais espaço no planejamento das viagens em 2021. O @greenpressbr no Instagram, por exemplo, é um dos perfis que vêm destacando diversas iniciativas interessantes do turismo focadas em sustentabilidade, esperando conscientizar turistas sobre como nossas escolhas de viagem são fundamentais neste sentido.

Cada vez mais turistas estão felizmente prestando atenção no quanto destinos, hotéis e prestadores de serviços turísticos em geral se envolvem com os diferentes aspectos da sustentabilidade, indo muito além da conversa de “evitar trocar toalhas diariamente para preservar recursos naturais”.

O conceito de staycation (como é chamado no mercado o ato de tirar uns dias de folga em um hotel na sua própria cidade) também deve seguir fortalecido no novo ano. Ser turista na nossa própria cidade pode ser muito bom! Este tipo de “escapada”, tão prática, passou a ser visto com muito mais naturalidade em 2020 – e diversos hotéis, seja no Brasil ou no exterior, estão lançando campanhas focadas exclusivamente neste tipo de hóspede “local”.

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Foto: Mari Campos

O hóspede é rei

Depois de toda a ruptura causada pela pandemia em 2020, especialistas acreditam que veremos em 2021 mais viagens em família, mais viagens focadas no bem-estar/wellness e maior procura por experiências de viagens realmente autênticas. Apesar de tanto distanciamento social compulsório (e fundamental) destes tempos, o turista deve buscar em 2021 relações mais humanas em suas viagens, envolvendo-se de alguma maneira de forma mais direta com o destino visitado e a comunidade local.

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O foco dos serviços do turismo em geral, da hotelaria aos passeios, se coloca mais do que nunca centrado no viajante, com esforços contínuos de customização e personalização. “Veremos em 2021 também a maior humanização dos serviços e a valorização da diversidade e das relações pessoais entre locais e visitantes”, diz Simone Scorsato. Conexão com o outro, em tempos de tão pouca socialização, tornou-se mesmo fundamental.

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Segurança em primeiro lugar

A lição que todo viajante aprendeu em 2020 é que é essencial ter conhecimento pleno das regras de cancelamento, adiamento e remarcação dos serviços envolvidos nas suas viagens. Comprar serviços facilmente canceláveis durante uma pandemia é regra de ouro.

É preciso realmente ficar informado, e em detalhes, sobre todos os custos e condições para conseguir cancelar, adiar ou remarcar tais serviços (voos, hotéis, tours etc) se houver necessidade – e felizmente hotéis, pousadas e companhias aéreas em geral estão adotando regras muito mais flexíveis nestes tempos. “Boas políticas de cancelamento e reembolso em geral serão cada vez mais valorizadas na hora de escolher um produto ou serviço de viagem”, afirma Simone Scorsato.

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A importância do agente de viagens também ficou mais evidente do que nunca em 2020. Quem tinha viagens compradas através de bons agentes teve infinitamente menos dor de cabeça ao cancelar, adiar ou remarcar suas viagens no começo da pandemia.

Nos casos nos quais as regras não eram claras – afinal, primeira vez que o mundo lidava com uma pandemia no nosso tempo – e que o viajante mal sabia como proceder (sobretudo no auge da crise no setor, no primeiro semestre), a assistência prestada por esses profissionais teve valor realmente inestimável. Nada mais justo que entrem em 2021 ainda mais fortalecidos e respeitados.

Além disso, com tantos países já iniciando seus processos de vacinação no final de 2020 e como ainda não sabemos quando nem como a vacinação deve ocorrer no Brasil, a exigência de testes negativos para embarque e ingresso em outros países deve continuar por muito tempo. Agora temos inclusive a obrigatoriedade de apresentação de mais um teste negativo para voltar ao Brasil (resolução válida a partir de 30/12/2020). Mais do que nunca, viajar com um bom seguro de saúde, que REALMENTE atenda suas necessidades nestes tempos, é imprescindível.

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Depois de muito se falar internacionalmente sobre a criação de um “passaporte de saúde” para controlar quem poderia ou não voltar a viajar a cada destino, a coisa está mesmo cada vez mais próxima de virar realidade.  A IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo) anunciou em novembro passado que seu IATA Contactless Travel Pass/App deve ser lançado em 2021, provavelmente ainda no primeiro semestre.

Em princípio, com a função de verificar de forma unificada mundialmente a autenticidade dos testes de Covid-19 apresentados pelos passageiros em aeroportos. Mas acredita-se que, futuramente, provavelmente verificaria também os certificados de vacinação contra a Covid, que podem se tornar obrigatórios para entrada em alguns países e até mesmo para embarque em alguns voos (como já anunciado pela companhia australiana Qantas) . Vale saber que um outro aplicativo, o CommonPass, já está sendo testado por algumas companhias aéreas americanas e europeias com estes mesmos propósitos.

Voltaremos a viajar, sim. De minha parte, com mais responsabilidade do que nunca. Feliz 2021!

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