Tendências de viagem para 2022: o turismo redefinido

Tendências de viagem para 2022: o turismo redefinido

Mari Campos

19 de dezembro de 2021 | 19h59

Não temos mais dúvidas de que a pandemia não apenas mudou nossas vidas completamente como também transformou de forma importante a indústria turística. Sabemos também que a pandemia ainda está longe de acabar (como diversos países europeus e os EUA bem nos mostram essas semanas…) e que avançar velozmente nas campanhas de vacinação é essencial para a retomada sadia das nossas viagens. Especialistas do setor têm mencionado um novo apelo ao analisar tendências de viagem para 2022: o turismo redefinido.

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Um relatório publicado recentemente pela Hilton Hotels confirma esse movimento. O estudo lista tendências globais e tenta entender como a pandemia pode ter mudado o comportamento de parte importante dos viajantes internacionais, interferindo diretamente no seu perfil de viagens. O relatório descreve mudanças significativas nas preferências dos hóspedes dos hotéis do grupo, apoiado por dados internos receita e reservas, pesquisas de terceiros e avaliações dos próprios hóspedes.

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aeroporto

Crédito: Pixabay

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Tendências de viagem para 2022: o turismo redefinido

Outros estudos e análises recentes do setor também acreditam que as mudanças de vida geradas pela pandemia criaram maior consciência sobre turismo sustentável e responsável em mais viajantes do que nunca. E mostram aumento realmente significativo no número de turistas que não apenas têm maior entendimento do que é de fato o turismo sustentável como também na própria busca (online ou via agentes de viagem) por mais conhecimentos nessa área.

Relatório recente da Booking.com afirma que mesmo no Brasil os turistas querem cada vez mais entender como seus investimentos no turismo estão sendo usados nos destinos e nas comunidades locais (81% dos brasileiros entrevistados no estudo).

E a ausência das viagens por tanto tempo também vai continuar trazendo esse sabor de “primeira vez” para muita gente que retoma enfim os projetos de férias postergados. Viajantes, principalmente no mercado de luxo, estão buscando muito mais envolvimento com os destinos, questionando mais posturas e linhas de conduta de hotéis e prestadores, pondo mais foco na gastronomia local e, sobretudo, na manutenção de seu bem-estar.

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Torres del Paine

Foto: Mari Campos

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Foco no prazer e no bem-estar

The 2022 Traveler: Emerging Trends and the Redefined Traveler, a Report from Hilton examina macrotendências que devem continuar a prosperar em 2022. “O mundo e o setor de hospitalidade passaram por muitas coisas nos dois últimos anos. E, como este relatório revela, as necessidades e os interesses dos viajantes também mudaram”, disse Chris Nassetta, presidente e diretor executivo da Hilton.

Segundo o relatório, viajantes nutriram novos hobbies e novas paixões durante a pandemia que modificaram de maneira importante suas preferências. Da jornada pelo pão perfeito à nova paixão pelas plantas, por exemplo, muita gente espera inclusive levar essas novas prioridades e hobbies também para suas viagens, buscando experiências mais específicas e, muitas vezes, personalizadas. Segundo o estudo, até as melhorias e reformas feitos em casa estão mudando a perspectiva das pessoas também sobre o próprio design dos hotéis.

Além disso, o estudo da Hilton mostra também uma consciência muito maior sobre a importância da saúde física e psicológica para todas as esferas da vida. Após quase dois anos imersos em cenários constantes de doença e luto, nada mais natural que as pessoas se preocupem mais com a própria saúde e desejem levar um vida mais saudável e equilibrada também em suas viagens.

Não à toa, a hotelaria vem fazendo um movimento nacional e global intenso para tentar incorporar o bem-estar em todos os aspectos da estadia. Foi-se o tempo em que um hotel podia dizer por aí que investia no bem-estar dos hóspedes por ter academia e spa. Viajantes estão, enfim, muito mais exigentes também nesse setor e esperam mais foco e inovações mais criativas nessa área.

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Crédito: Four Seasons/ Divulgação.

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Mudanças comportamentais estendidas às viagens

Segundo os relatório recentemente apresentados por diferentes empresas do setor (incluindo as duas já mencionadas aqui no texto), as mudanças nas nossas relações com a tecnologia e o trabalho e o anseio imenso pela retomada da socialização e fortalecimento de laços pessoais também se estendem em 2022 às viagens.

O conceito de flexibilidade entrou de vez no universo do viajante. A pandemia nos fez entender que tudo pode mudar de uma hora pra outra e o turista agora entende que precisa não apenas valorizar opções de viagem e acomodação com cláusulas flexíveis para cancelamentos e remarcações, como também que ele próprio precisa ser mais flexível em suas viagens, pelo menos enquanto este cenário de profunda instabilidade existir.

O anseio por mais contato com amigos e familiares e a retomada da socialização também vai interferir no comportamento do turista no ano que chega. A pandemia separou famílias e amigos e isso deve se refletir também num aumento considerável na procura por opções de viagem e acomodações capazes de reunir familiares e grupos de amigos com preferências distintas. O crescimento da busca por casas e villas – de preferência com serviço de hospitalidade agregado – já foi bastante importante em 2021, e deve crescer ainda mais em 2022.

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A busca pela eficiência tecnológica segue sendo a saída para o caos também nas viagens. Check-in e check-out sem contato, menus em QR code, aplicativos e chats para contato com os hóspedes e chaves digitais, por exemplo, seriam um caminho sem volta.

As linhas cada vez mais tênues entre trabalho e lazer devem seguir em 2022, com tanta gente ainda sem previsão de voltar  ao trabalho presencial e um número importante de crianças e adolescentes em sistemas híbridos de ensino. E isso deve seguir gerando estadias mais longas, hóspedes passando mais tempo nas acomodações, consumindo mais produtos e serviços na hospedagem escolhida e, consequentemente, novas modificações estruturais em hotéis que ainda não se adaptaram e esse novo perfil de viajante.

Mas especialistas são unânimes em ressaltar: mesmo o turista satisfeito com a flexibilidade trazida pelo trabalho remoto quer definitivamente ser capaz de estabelecer um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional no novo ano.  Será que a gente consegue?

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