Turismo de isolamento sustentável

Turismo de isolamento sustentável

Mari Campos

06 de agosto de 2021 | 16h37

Escrevo o texto de hoje em uma casinha realmente adorável, instalada em um sítio em Minas Gerais a 1.500m de altitude. Para onde quer que eu olhe, um verdadeiro mar de montanhas exuberantes se abre à minha frente, num cenário realmente espetacular, a qualquer hora do dia, sob qualquer condição climática. 

SIGA A MARI CAMPOS TAMBÉM NO INSTAGRAM @MARICAMPOS!

Mais uma vez, pratico aqui o turismo de isolamento, uma modalidade turística que se converteu em uma verdadeira necessidade para viajarmos de maneira realmente responsável e segura enquanto combatemos essa terrível pandemia. E com um alento ainda maior desta vez: estou praticando turismo de isolamento sustentável de verdade, sem a tal “sustentabilidade de fachada” tão comum em parte da indústria da hospitalidade. 

LEIA TAMBÉM: A urgência do turismo sustentável

.

Turismo de isolamento sustentável

Turismo de isolamento sustentável. Foto: Mari Campos

.

Turismo de isolamento em Minas Gerais

A Morada Alto da Montanha Cascavel, cujas estadias são comercializadas através de plataformas de aluguel de temporada, fica na cidade de Córrego do Bom Jesus, a 170km (2h30 de carro) de São Paulo (bem pertinho de Gonçalves).  São impressionantes 37.000m2 de vegetação exuberante e montanhas a perder de vista praticamente só pra gente, proporcionando um real turismo de isolamento sustentável.

Digo “praticamente” porque o casal de donos também mora no sítio; mas em uma casa suficientemente afastada para que ambas partes tenham total privacidade. O fotojornalista Emiliano Capozoli e a estilista Fernanda Formigari se mudaram para lá durante a pandemia buscando viver uma vida mais sustentável e prazeirosa. A mudança deu tão certo que esse ano eles construíram a Morada (que está toda novinha) justamente para receber viajantes em busca de sustentabilidade e turismo de isolamento.

VEJA TAMBÉM: 7 hotéis e pousadas sustentáveis no Brasil

.

.

A casa realmente proporciona um turismo de isolamento associado à sustentabilidade verdadeira em cada passo. A gente pode levar de casa as compras alimentícias necessárias para o preparo das refeições durante os dias de aluguel de temporada, mas também pode comprar diretamente dos produtores e negócios locais, se preferir. De quarta-feira em diante, apesar do sítio ficar (felizmente!) bastante distante da cidade, existem até empresas locais (incluindo pizzaria) que fazem delivery de refeições ali. 

A Morada Cascavel tem cama de casal (com ótimos jogos de cama e banho, por sinal), banheiro grande com ducha e banheira, lareira, televisão com chromecast, wifi de boa qualidade, canto de relax, mesa de refeições, cozinha e uma enorme varanda com mesa, cadeiras e rede – tudo extremamente bem ventilado. Há gramado logo ao lado e área para fogueira também. Para quem viaja com crianças, eles instalam também um sofá-cama na casa – e pets também são sempre bem-vindos. 

A melhor parte: além de ser realmente sustentável, há vista panorâmica para as montanhas de absolutamente todos os cômodos – inclusive da banheira e do chuveiro!  Além de trabalhar remotamente com vistas espetaculares, também pude todas as manhãs ver o sol nascer bem à minha frente, literalmente sem sair da cama.

LEIA TAMBÉM: 10 hotéis e pousadas para turismo de isolamento no Brasil

.

Turismo de isolamento sustentável

Foto: Mari Campos

.

Aluguel de temporada sustentável

Emiliano e Fernanda desenharam absolutamente tudo referente à casa, sempre partindo do princípio da sustentabilidade – mas sem abrir mão do conforto e da necessidade de isolamento social trazida por esses tempos. E transformaram o local num excelente exemplo de turismo regenerativo

A mão de obra foi local, assim como os materiais e as muitas peças de demolição utilizados na casa. Construíram um biodigestor (cujo resíduo final aduba sua agrofloresta), um sistema solar de aquecimento de água excelente (banho quentíssimo!), um viveiro, um projeto de reflorestamento (já plantaram mais de 200 árvores no local) e recuperaram e protegeram a nascente de água local (há água fresquinha e 100% potável em todas as torneiras da casa).  Não há plástico em nada e até as muito charmosas amenidades que oferecem aos hóspedes (sabonete, hidratante, espuma para banheira etc) são regionais, veganas, cruelty-free e plastic-free. 

LEIA TAMBÉM: Como a pandemia fortaleceu o trabalho remoto

.

.

Eu optei por simplesmente mudar o endereço do home office enquanto me hospedo aqui, trabalhando e relaxando com essa vista impressionante como colírio e refresco mental. A região é pacata e bastante segura, com muitos atrativos para contato constante com a natureza, como trilhas e cachoeiras, além de muito espaço para caminhar tranquilamente sem absolutamente nenhum outro turista à vista. 

Mas quem quiser um pouco mais de atividade durante a estadia pode ajudar nas tarefas do sítio no melhor estilo turismo rural (colheita de tomates ou pinhão, manejo do café, corte de lenha etc), ou pedir aos proprietários para intermediar a busca por prestadores de serviço locais para fazer trilhas guiadas ou passeios à cavalo, por exemplo. 

A adoção de práticas sustentáveis para o turismo é uma necessidade incontornável, como já sabemos.  Não apenas hotéis, pousadas, operadores, receptivos, companhias aéreas etc precisam se adaptar urgentemente, como nossa adaptação como turistas em cada uma de nossas escolhas de viagem é simplesmente inadiável – inclusive para que possamos continuar aproveitando a prática das atividades turísticas que conhecemos. Eu tenho tentado levar isso muito à sério – e espero que vocês também 🙂

SIGA A MARI CAMPOS TAMBÉM NO INSTAGRAM @MARICAMPOS!

.

.

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.