Vacinação também é parte do turismo responsável

Vacinação também é parte do turismo responsável

Mari Campos

22 de setembro de 2021 | 14h39

Causou bafafá essa semana no Brasil (além das muitas vergonhas internacionais que temos passado, é claro…) o anúncio de que o arquipélago de Fernando de Noronha passará a exigir certificado de vacinação dos turistas que desejarem visitar o destino a partir de outubro. Do lado de cá, acho a prática corretíssima – e não somente para a ilha. O sucesso de qualquer campanha de vacinação depende do coletivo e não do individual; e não seria diferente no caso da Covid-19. Vacinação também é parte do turismo responsável, inclusive.

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Zelar pela segurança de um destino e suas comunidades é prática fundamental para o turismo sustentável. E no contexto da pandemia isso obviamente passa pela vacinação. Destinos estão reabrindo suas fronteiras e, para que essa reabertura seja segura a curto e médio prazo, não podem mesmo permitir que o vírus siga viajando livremente por aí. Ao longo da pandemia já aprendemos bem o que um único contaminado pode causar rapidamente em uma cidade…

Não à toa, boa parte dos destinos reabertos para o turismo internacional, em diferentes continentes, estão exigindo dos visitantes em potencial testes, certificados e a comprovação da vacinação contra a Covid-19. Quando visitar minha irmã que mora na Espanha eu também terei que apresentar meu comprovante de vacinação – ou sequer consigo embarcar no voo a Madri. E repito: acho corretíssimo.

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vacina e turismo

Foto: Pixabay

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Viagens seguras dependem de todos estarem seguros

UNWTO (Organização Mundial do Turismo) vem defendendo desde o ano passado que a vacinação em massa é a única saída possível (e responsável) para a recuperação do turismo no mundo. Eles vêm fazendo inclusive grandes campanhas para que nações mais ricas doem suas doses de vacina excedentes para nações mais pobres. Afinal, não estaremos seguros até que todos estejam seguros.

Do lado de cá, nós, turistas, mesmo completamente vacinados, também nos sentimos mais seguros viajando para um destino que esteja protegendo devidamente seus habitantes e visitantes, certo? O turista responsável e consciente não quer se contaminar durante a viagem nem muito menos correr o risco de transportar o vírus até o destino visitado.

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Por isso é preciso respeitar completamente quaisquer exigências sobre vacinação, testagem constante, apresentação de certificados etc para visitar diversos destinos. Quem está disposto a viajar durante a pandemia tem mesmo que seguir as regras em vigor (que, aliás, em alguns países andam mudando frequentemente).

No meu caso, por mais que a saudade apertasse todos os dias, os requisitos mínimos para eu começar a planejar a visita à minha irmã sempre foram não apenas eu conseguir tomar duas doses da vacina como também o destino em si já estar com ritmo avançado de vacinação (para efeito de conhecimento, a Espanha tem hoje mais de 75% de sua população completamente vacinada).

Viajantes e moradores “fully vaccinated” não eliminam os cuidados e “protocolos” sanitários, é claro; nem eliminam a necessidade de viajar sempre com um bom seguro viagem. Mas, sem dúvidas, tornam o planejamento de qualquer viagem muito mais viável em termos de segurança.

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aeroporto

Crédito: Pixabay

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Vacinação é fundamental para a reabertura eficiente de destinos

Países muito dependentes do turismo foram os primeiros a entender que a vacinação em massa é fundamental para a própria reabertura de suas fronteiras com sucesso. Diversas ilhas do Caribe e da Ásia, por exemplo, que têm no turismo sua principal fonte de arrecadação econômica, rapidamente priorizaram empregados do setor turístico em suas campanhas de vacinação ainda no começo deste ano.

O senão da recuperação efetiva nos praticantes desse modelo de administração das doses disponíveis ficou por conta de alguns países que apresentaram altos índices de vacinação em resorts mas níveis muito baixos de vacinação no destino em si. Este cenário não é nada sustentável; afinal, nesse caso, muitos turistas ficam com medo de deixar o resort durante sua estadia e não consomem produtos, alimentos nem serviços das comunidades locais.

Segundo a UNWTO, a saída mais rápida para a crise do turismo, aqui e lá fora, é ter doses suficientes de vacina para todo mundo no destino. Os altos índices de vacinação são hoje uma vantagem competitiva extremamente importante no setor.  Países com altos índices de vacinação têm atraído muito mais visitantes nos últimos meses – incluindo quatro ilhas caribenhas que estão atualmente entre os países com maiores taxas de vacinação da população.

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Então fica o alerta mais uma vez aqui na coluna: não atrase suas doses da vacina. Tome sua primeira e segunda dose assim que elas estiverem disponíveis para você na sua cidade. Sabemos que aqui no Brasil o processo foi complicado desde o começo, mas felizmente tem avançado significativamente nos últimos dois meses. Quanto mais pessoas 100% vacinadas tivermos no Brasil e no mundo, mais seguro para viver e mais seguro para viajar.

O turismo sustentável prevê atitudes responsáveis nas esferas ambiental, social, econômica e cultural. Pandemia, já deveríamos ter aprendido após um ano e meio dessa, é um conceito de abrangência global. Então, é óbvio, a pandemia só deixa de existir em um lugar quando estiver controlada globalmente (e poderá daí, eventualmente, se tornar uma epidemia em alguns lugares). Até lá, que sejamos todos turistas e seres humanos realmente responsáveis e conscientes, e batalhemos sempre pela proteção coletiva, seja nas nossas viagens ou no nosso cotidiano. Afinal, “sou porque somos”. Sempre.

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