Vacinas e Viagens: o que vem por aí

Vacinas e Viagens: o que vem por aí

Mari Campos

05 de abril de 2021 | 19h37

Países com índices de vacinação avançada começam a finalmente ver maior movimentação no turismo, ainda que majoritariamente na esfera doméstica – e já começam a ser “aceitos” em mais destinos internacionais. O principal exemplo, é claro, são os Estados Unidos, que vêm batendo recordes mundiais de vacinação diária de seus cidadãos há algumas semanas e gerando novas ondas de demanda na indústria turística.

São eles os responsáveis pelo recente boom de buscas em agências de viagens e consolidadores de hotéis e passagens aéreas. O Skyscanner, por exemplo, registrou em março último um impressionante aumento de 75% no volume de reservas no site, basicamente graças ao mercado americano.

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Por aqui no Brasil, infelizmente, seguimos com lentidão na vacinação e ainda sem o governo federal comprar sequer doses suficientes de vacina para todos os cidadãos brasileiros. “Já não se trata apenas de esperar a vacina aqui, mas de entender que todas as medidas de contenção da contaminação e aceleração das vacinas é urgente, imperioso”, diz Mariana Aldrigui, pesquisadora na EACH/USP e presidente do Conselho de Turismoda FecomercioSP.

De qualquer maneira, observar como as coisas andam se alinhando em termos de vacinação e viagens no cenário internacional é importante, sim, porque pode também nos servir de guia para o que deve acontecer a curto e médio prazo com relação ao turismo em geral.  Vacinação é fundamental para retomarmos nossas viagens por aí? Sim! Sem a menor sombra de dúvidas. Mas ser vacinado vai significar imediata e automaticamente trânsito livre para o brasileiro mundo afora? Não exatamente. 

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Four Seasons Anguilla

Crédito: Four Seasons Anguilla

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Viagens internacionais estão liberadas?

É importante lembrar que fronteiras internacionais de diversos países seguem fechadas para o turismo internacional. E que novas fronteiras se fecharam recentemente para os turistas brasileiros (inclusive na América do Sul!) face ao descontrole generalizado da pandemia por aqui. Diferentes países suspenderem inclusive os voos com origem no Brasil.

Mesmo nos EUA, com a vacinação avançada (a partir dessa semana, maiores de 16 anos já podem ser vacinados no país todo!), a recomendação nacional por lá é ainda de máxima cautela com viagens a turismo por enquanto. O CDC (Centers for Disease Control and Prevention) americano liberou os norte-americanos já completamente vacinados para viagens domésticas, mas segue recomendando que ainda sejam evitadas as viagens ao exterior nesse momento para conter novas ondas da doença e evitar o aparecimento de novas variantes. 

No caso de viagens internacionais, mesmo americanos que já estejam 100% vacinados seguem obrigados a apresentar testes PCR negativos para poder retornar ao seu país a partir de qualquer destino visitado. Afinal, embora pessoas que já estejam 100% vacinadas sejam majoritariamente protegidas contra os casos mais graves da doença, é possível (segundo a maioria dos estudos feitos até hoje) que elas ainda estejam suscetíveis a se contaminar com o vírus e, consequentemente, contaminar pessoas não vacinadas. 

Importante: apesar do auê feito nesses últimos dias com algumas manchetes “caça-cliques” em alguns portais brasileiros, o novo informe do CDC americano não muda absolutamente NADA para brasileiros que desejem viajar aos EUA.

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Qatar Airways

Foto: Qatar Airways

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Máscaras devem continuar obrigatórias?

Sim. O uso de máscaras ainda é obrigatório no dia-a-dia em boa parte dos destinos nacionais e internacionais, e também em aviões, trens, ônibus e outros meios de transporte coletivos. E é essa a recomendação geral da OMS também.

Por enquanto, à exceção de alguns poucos destinos específicos do planeta  (como Nova Zelândia, por exemplo, que controlou magistralmente a pandemia desde o começo e vive praticamente sem casos há algum tempo), ainda não existe nenhum tipo de previsão a curto ou médio prazo sobre quando máscaras deixarão de ter uso obrigatório determinado na maior parte do mundo- exatamente pelos motivos citados no item anterior. 

Nestes tempos, a melhor receita continua sendo, em qualquer circunstância, dar preferência a atividades ao ar livre,  manter o distanciamento social, usar máscaras de boa qualidade o tempo todo (preferencialmente do tipo pff2/N95 em ambientes fechados) e seguir os conselhos da OMS (além das regras estabelecidas por cada destino, é claro).

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Soneva Fushi

Soneva Fushi. Foto: Mari Campos

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Vacina pode ser exigida para viajar?

Comprovantes de vacinação ainda não são exigidos para reservar hotéis nem embarcar em voos para nenhum destino. Mas é possível que a cena mude internacionalmente nos próximos meses, até o começo do verão do hemisfério norte.

Afinal, a vacina já começa a abrir algumas portas neste 2021 – como na Islândia, por exemplo, que divulgou recentemente que está aberta para o turismo de viajantes que já estejam 100% vacinados, isentos de quarentena (e possivelmente isentos também de testes em alguns destinos). Israel também deve anunciar em breve que reabrirá o turismo para turistas internacionais 100% vacinados a partir do final de maio.

A União Europeia ainda considera a proposta de uma espécie de passe digital unificado para cidadãos europeus vacinados, que deve ser anunciado em breve. O passe em questão permitiria a cidadãos europeus viajar livremente pelos países do bloco; mas vale lembrar que a vacinação pelo velho continente ainda caminha bem lentamente até agora. 

O assunto é bastante polêmico, na verdade. Diferentes armadoras de cruzeiros divulgaram nos últimos meses que exigirão comprovantes de vacinação de todos os seus passageiros antes de liberar o embarque em seus navios (quando retomarem oficialmente seus itinerários), como Royal Caribbean e Crystal Cruises. A companhia aérea Qantas também anunciou que não admitirá em seus voos passageiros que não tenham sido vacinados, e algumas outras companhias estão sinalizando que podem eventualmente aderir a esse movimento nos próximos meses.

Por outro lado, a OMS é contra a criação de qualquer tipo de passaporte de vacinação, dada a desigualdade de acesso (não há ainda vacina suficiente para vacinar toda a população do planeta) e distribuição de vacinas em países desenvolvidos e subdesenvolvidos.

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Foto: Mari Campos

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Passaportes biológicos podem se tornar realidade?

Vale lembrar que a maioria dos destinos abertos ao turismo internacional, mesmo que parcialmente, estão exigindo apresentação de testes negativos de Covid-19 para liberar a entrada dos turistas em seus territórios.

A ideia de criação/adoção de um documento único internacional visa principalmente evitar fraudes em certificados de vacinação e fechar o cerco contra o mercado ilegal de venda de exames negativos falsos de Covid-19 (como já aconteceu inclusive no Brasil). Mas especialistas alertam para a imensa dificuldade de criar um sistema que possa ser realmente global, acessível e eficiente para esse controle de vacinação.

Ainda assim, parte da indústria turística já vem testando alguns  “passaportes/passes de vacinação” que armazenam registros de vacinação e testes e outras informações relacionadas à saúde dos viajantes. Um dos principais exemplos é o Common Pass, da IATA, que já vem sendo testado por diferentes companhias aéreas internacionais desde o final do ano passado.

Vale lembrar que brasileiros, dentre algumas outras nacionalidades, há muito tempo têm que apresentar certificado internacional de vacinação contra a febre amarela (por exemplo) para ingressar em determinados destinos (como África do Sul ou Tailândia, por exemplo). “É esperado que alguns destinos exijam vacinas para a entrada e que outros exijam vacina e PCR negativo”, diz Jacque Dallal da Be Happy Viagens.  “Isso pode ser visto como obstáculo por alguns, mas que acredito que será facilmente incorporado nos documentos do viajante. Assim como já incorporamos a carteirinha internacional de vacinação contra a febre amarela há tanto tempo”, completa.

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Turismo de vacina pode se tornar uma realidade?

Sim, mas talvez isso ainda demore. E ainda é tudo muito pouco claro, anunciado apenas como intenção e possibilidade – não como fato concreto. Alguns destinos (como as Maldivas e Cuba) estão sinalizando que, quando seus cidadãos estiverem todos vacinados, poderão passar a oferecer a vacinação também para turistas internacionais que viagem para lá. Desde, é claro, que tais turistas sigam todas as regras pre-determinadas por cada governo para tal, incluindo custear todas suas despesas por todo o período necessário entre as duas doses das eventuais vacinas a serem distribuídas.

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Foto: Mari Campos

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Como se proteger ao viajar durante a pandemia?

Devemos lembrar que nossos cuidados para viajar, seja local ou internacionalmente, devem ser os mesmos até que o final da pandemia seja anunciado globalmente – mesmo após o esperado dia em que poderemos, enfim, receber também nossas doses da vacina contra a Covid-19. Afinal, ainda não se sabe hoje se pessoas vacinadas podem ou não seguir transmitindo normalmente o vírus ao serem expostas ao mesmo. Assim, somos todos responsáveis coletivamente pela nossa saúde e pela saúde dos outros. 

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Então o negócio é continuar seguindo aquelas velhas regrinhas que já sabemos, mas não custa repetir: usar sempre máscaras de boa qualidade, manter pelo menos 1,5 metro de distância de outras pessoas, evitar quaisquer ambientes mal ventilados ou com alguma chance de aglomeração, e higienizar frequentemente as mãos (lavando com sabonete ou passando álcool em gel). 

Antes de viajar nesses tempos, consulte um bom agente de viagens para fazer as escolhas mais adequadas, conhecer todas as regras pertinentes ao destino visitado e ter mais informações específicas sobre sua segurança durante toda a viagem.

E, claro, nem pense em viajar para canto nenhum sem fazer um bom seguro viagem com cobertura para Covid-19. Seguros viagem sempre foram essenciais e, hoje, são absolutamente fundamentais em qualquer viagem. Mas vale lembrar que é preciso olho vivo na hora de escolher o melhor seguro viagem  (há diferentes tipos de cobertura oferecido) para garantir que o viajante esteja realmente coberto num infeliz caso de contaminação durante a viagem. 

Vivemos tempos difíceis e precisamos agir coletivamente para que passemos o mais rápido possível por tudo isso com saúde. Se você pretende retomar suas viagens, lembre-se antes de mais nada que responsabilidade é absolutamente fundamental.

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