Viagens de avião: como ter segurança na pandemia

Viagens de avião: como ter segurança na pandemia

Mari Campos

13 de setembro de 2021 | 11h52

Nas últimas semanas, temos visto a aplicação das segundas doses das vacinas contra a Covid-19 finalmente avançarem. Hoje, já são quase 35% dos brasileiros 100% vacinados e espera-se que nas próximas semanas esse percentual avance significativamente no país. Ao mesmo tempo, a cada semana temos novas fronteiras internacionais reabrindo para o Brasil e, consequentemente, mais viajantes decidindo fazer seus primeiros voos dos últimos dezoito meses. Mas, em viagens de avião, como ter segurança na pandemia?

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Voos mais curtos, dentro do Brasil, não costumam gerar tantas dúvidas. Médicos e cientistas em geral recomendam que o passageiro procure comer antes de sair de casa, vista a máscara ao sair para o aeroporto e só a retire ao chegar ao seu hotel no destino final. Fazer isso em voos domésticos, com duração entre 1 e 4 horas de duração, é algo bem viável – mesmo contando a espera extra no aeroporto e demais deslocamentos.

Mas como fazer quando estamos falando de voos internacionais, que exigem antecedência mínima de 3h para o check in no aeroporto e podem ter 10, 12, 15h de duração (no caso dos voos diretos intercontinentais a partir do Brasil)? É mesmo tarefa extremamente difícil conseguir passar todo esse tempo sem se alimentar.

Pensando nisso, na semana passada conversei com o pesquisador Vitor Mori sobre isso. Vitor é pesquisador na Universidade de Vermont (EUA) e membro do Observatório COVID-19BR. E trago para o texto de hoje os principais trechos do depoimento dele.

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Qatar Airways

Crédito: Qatar Airways

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Viagens de avião: como ter segurança nos voos longos na pandemia

Se você não conhece ainda, vale saber que Vitor Mori tem sido uma importante fonte de informação sobre prevenção e enfrentamento da Covid-19 para muita gente através de seu perfil @vitormori no Twitter. Foi um dos primeiros a ensinar com clareza e didática a importância do uso das máscaras tipo pff2/N95, por exemplo. Também tem um fio excelente sobre como reutilizar esse tipo de máscaras com segurança.

Com cada vez mais gente me perguntando das DMs do meu instagram @maricampos como tentar ter ao menos um pouquinho mais segurança ao enfrentar voos de longa duração na pandemia, na semana passada pedi a Vitor para me ajudar nessa tarefa.

E Vitor é taxativo na recomendação principal: “Como em aeroportos e aviões há muita gente em um mesmo espaço fechado, compartilhando o mesmo ar, não existe outra solução que não envolva usar máscaras de boa qualidade e bem ajustadas o tempo todo. Principalmente as máscaras tipo pff2, que são as mais seguras nesse caso”, afirma.

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Vitor faz questão de relembrar que, durante o voo, os sistemas de filtragem dos aviões são muito bons e eficientes hoje em dia. O fato de filtrarem todo o ar constantemente, em intervalos de 3 minutos, ajuda a reduzir bastante os riscos de transmissão da doença.

Ainda assim, com a rapidez e facilidade de contaminação da variante Delta, e como os voos de longa duração envolvem sempre muitas pessoas no mesmo local, e com muita proximidade, o risco ainda é grande e precisa ser evitado ao máximo.  “É fundamental retirar a máscara o mínimo de vezes possível, apenas quando for mesmo necessário fazê-lo, e sempre fazê-lo pelo menor tempo possível”, alerta. “Mesmo com a boa filtragem do ar nos aviões ainda temos um risco grande se uma pessoa próxima estiver infectada”, explica.

Então é preciso cuidado e atenção constantes, zelando para que intervalos para alimentação e mesmo para beber água sejam sempre rápidos e precisos. “Se a pessoa conseguir ficar sem se alimentar no voo, é melhor. Se não, é tentar comer o mais rapidamente possível e já colocar a máscara corretamente, bem ajustada no rosto, logo em seguida”, explica. Conselho válido inclusive para a classe executiva, mesmo tendo um pouco mais de distanciamento entre passageiros.

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aeroporto

Crédito: Pixabay

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Como zelar pela segurança sanitária no aeroporto

A mesma recomendação que ele faz para o comportamento do viajante durante os voos feitos durante a pandemia, ele repete para o tempo de permanência nos aeroportos. Afinal, trata-se também de um espaço fechado com muita gente respirando o mesmo ar o tempo todo – e sem o sistema de filtragem do ar presente nos aviões. “A minha recomendação é mesmo ficar o tempo todo no aeroporto de máscara”, afirma Vitor.

Mas sabemos que nem sempre é possível e que algumas pessoas precisam se alimentar em intervalos menores, inclusive por questões de saúde.  “Se for comer alguma coisa no aeroporto, o ideal é procurar fazê-lo numa parte externa, ao ar livre, onde o risco é sempre menor. Se não houver essa possibilidade, então tentar escolher um local o mais afastado possível de outras pessoas e só então retirar a máscara para comer”, sugere.

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Vítor Mori ainda alerta sobre a importância de evitar conversas e bate-papos em geral, tanto no avião quanto no aeroporto, mesmo com o uso correto das máscaras mais adequadas. “Quanto mais a gente fala, mais partículas a gente emite e maior o risco de transmitir o vírus se estivermos infectados. Mesmo na hora de comer, o ideal é fazer a refeição rapidamente e em silêncio, e colocar a máscara de volta no rosto, bem ajustada, logo na sequência”, ensina.    

Olho vivo também na utilização das salas vip: se houver muita gente compartilhando um mesmo espaço reduzido, não é seguro retirar a máscara para comer e beber ali. No aeroporto de Guarulhos, em SP, por exemplo, não existem espaços ao ar livre depois que o passageiro passa pelo raio-X e imigração.

Então vale buscar sempre, em qualquer um desses casos, lugares com a menor concentração de pessoas antes de tirar sua máscara para comer ou beber enquanto espera o seu voo. E levar consigo a orientação principal do pesquisador: “Usar máscara pff2 bem ajustada no seu rosto pelo maior tempo que der, sempre”.

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