Wellness Travel: bem-estar é cada vez mais importante também nas viagens

Wellness Travel: bem-estar é cada vez mais importante também nas viagens

Mari Campos

06 de fevereiro de 2022 | 19h34

Sejamos francos: nunca pensamos tanto em saúde e bem-estar quanto de 2020 para cá. A pandemia nos escancarou nossa própria finitude, doença e morte diariamente; e isso também levou o mundo a discutir, finalmente com a devida seriedade, saúde e bem-estar físico e mental. “Saúde mental” virou assunto recorrente nas revistas, jornais, programas de TV e redes sociais. Não é surpresa, portanto, o franco crescimento neste período do chamado wellness travel: bem-estar é cada vez mais importante também nas viagens.

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A busca de práticas e experiências voltadas para a manutenção ou a conquista do bem-estar, seja físico ou mental, é cada vez mais explícita por parte significativa dos turistas, refletindo uma mudança de mentalidade muito importante (e benéfica) para o setor. Mais que isso: durante a pandemia, muitos operadores e hoteleiros estão também agora associando em seus produtos e serviços a ideia da viagem também como parte do processo de “cura” e de equilíbrio de vida como um todo.

Por outro lado, cada vez mais viajantes estão procurando opções de férias (ou mesmo de escapadas de final de semana) que fortaleçam seu bem-estar mental e físico. Pesquisa recente da American Express mostrou que 76% dos entrevistados planejavam gastar mais em viagens e experiências deste tipo. E mais: 55% afirmaram estar plenamente dispostos a pagar mais por esse tipo de serviço ou produto.

Nos EUA essa transformação é ainda mais evidente. Segundo levantamento do Global Wellness Institute, o país sozinho respondeu por quase 30% do mercado global de turismo de bem-estar ainda em 2020. E a expectativa é que o setor, que movimentou US$735 bilhões no mesmo ano, chegue a US$920 bilhões neste 2022.

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Foto: Leading Hotels of the World (Divulgação)

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Transformações do setor são resposta à mudanças de estilo de vida dos viajantes

As transformações da indústria da hospitalidade são uma resposta importante à própria mudança de hábitos e estilo de vida de tanta gente ao longo da pandemia. O que as pessoas querem de suas férias vem mudando; o viajante de 2019 ficou para trás pelos mais diversos motivos.

Não sabemos até quando exatamente ainda teremos restrições pandêmicas, mas é inegável que muitos hóspedes têm manifestado constantemente o maior desejo de contato com a natureza, a busca por mais atividades ao ar livre e uma maior preocupação com saúde em geral.

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Justamente para atender essa demanda, boa parte da hotelaria vem aumentando  consistentemente suas ofertas de serviços ligados ao bem-estar de 2020 para cá. Até o setor de imóveis de temporada começou a investir muito mais nisso. Sejam quartos com recursos para prática de exercícios (como o programa Five Feet to Fitness, criado pela Hilton Hotels), maior menu de atividades possíveis ao ar livre, tratamentos mais elaborados no spa ou mesmo programas completos de estadia com foco em saúde física e mental, a tendência do wellness no turismo só cresce. 

Spas de hotéis em geral (que chegaram a ter 42% de queda nas receitas, segundo o Global Wellness Institute) passaram a caprichar muito mais nos menus de serviços personalizados, com diferentes opções focadas no bem-estar, do que nos tratamentos corporais e faciais mais convencionais e clássicos.  Propostas com menos foco em beleza e emagrecimento e mais foco em bem-estar e qualidade de vida estão em franca expansão. Com a mudança de prumo mais consistente no setor, o mesmo instituto já prevê um crescimento médio de 17% ao ano até 2025 no turismo de bem-estar.

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Novas noções de bem-estar

As noções de bem estar numa viagem também se expandiram imensamente nos últimos quase dois anos. Antes muito restritas aos serviços tradicionais de um spa, essas noções hoje também motivaram a inclusão no menu de hotéis e pousadas diversas atividades diferentes, como caminhadas, yoga ou meditação ao ar livre, por exemplo. Ou, pelo menos, o máximo de oportunidades de contato do hóspede com a natureza possível (o antigo  conceito “banho de floresta”, por exemplo,  foi “descoberto” por muita gente somente durante a pandemia).

A qualidade do sono do hóspede virou protagonista também, enfim – e o fortalecimento do slow travel, com menos deslocamentos numa mesma viagem e frequentemente estadias um pouquinho mais longas, vem ajudando bastante nisso também.

Restaurantes com propostas de alimentação mais caseira, orgânica e/ou natural também deixaram de ser vistos como “modinha” e passaram a ser encarados com toda a seriedade que merecem – até porque muita gente também aprendeu muito mais sobre alimentação de boa qualidade durante estes anos pandêmicos.

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Eu mesma sou um grande exemplo dessa tendência do wellness travel: vários dos meus hábitos mudaram na pandemia e tem sido fundamental para mim manter essa consistência de novas atitudes também nas minhas viagens – da alimentação ao sono, e valorizando imensamente cada oportunidade de contato com ar puro e a natureza ao meu redor.  Das escapadas de um par de dias às viagens mais longas, esse tipo de contato intenso com o natural virou prioridade para mim – assim como a sustentabilidade da atividade turística.

Não sabemos se ventos diferentes vão soprar nos próximos tempos. Também não sei como tem sido esse processo para você. Mas, ao menos por enquanto, essas mudanças nas minhas preferências viajantes não parecem que serão passageiras, não 🙂

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