Em defesa de Lula?

Margarida Vaqueiro Lopes

16 Março 2016 | 14h37

Pensei que não faria muito sentido falar de Lula da Silva num blogue que é suposto falar de Portugal. Pensei isso até hoje de manhã, quando se confirmaram as notícias de que o antigo presidente afinal vai mesmo ser Ministro da Casa Civil, e que até uma remodelação governamental ele exige para fugir fugir à justiça.

Só que passei a pensar de forma diferente quando, nas redes sociais, comecei a ver gente reagindo, aqui em Portugal, em analogias a José Sócrates – antigo primeiro-ministro de Portugal e, como sabemos, alguém de quem Lula é amigo. Gente de direita e de esquerda condenando Lula da Silva; gente de direita e de esquerda dizendo que ele faz bem.

Eu não entendo bem como podemos olhar para alguém que devia ser exemplo e acreditar que ele está fazendo bem sendo cobarde: no fundo o que ele quer é ter foro privilegiado, “impedir o ‘impeachment’ de Dilma” e garantir, a bem da verdade, que tudo fique igual, não é assim? Como pode alguém sair em defesa de que a cobardia ganhe à verdade? Sobretudo quando essa atitude vem de alguém que sempre ganhou suas campanhas porque queria, precisamente, lutar contra quem fazia dessa cobardia o seu modo de vida?

Há uns dias deixei aqui a questão sobre se o poder estava afundando ou somente mudando de mãos. Claramente, ele nem está afundando nem mudando de mãos…Depois de uma mega manifestação contra o atual governo, em várias cidades do Brasil – e que nós acompanhamos aqui – no passado Domingo, o Partido dos Trabalhadores sai com essa incrível nomeação de Lula?


Todos nós, um pouco por todo o mundo, estamos perdendo a fé na classe política – ok, a gente olha para o canadense Trudeau e tentamos voltar a acreditar – por questões como essas. Porque o mesmo cara que há 30 anos gritava que no Brasil “quando um rico rouba, vira ministro”, agora se juntou a eles e está fazendo exatamente o mesmo.

E aqui, onde vários processos graves correm na justiça – BES, José Sócrates… – essas notícias vindas desse lado do Atlântico só agravam nossa descrença no sistema judiciário. Porque se em algo que parece tão óbvio é possível haver uma reviravolta em menos de 48 horas, imagine o que ainda pode acontecer por cá…

Acompanhe a página no Facebook