86 anos de livros em Lisboa

Margarida Vaqueiro Lopes

27 Maio 2016 | 06h52

A 86ª  – leu bem! É a 86ª edição – Feira do Livro de Lisboa abriu portas essa quinta-feira, 26, dia de Corpus Christi, aqui na capital portuguesa. O evento é super badalado, e são raras as pessoas que não passaram por lá pelo menos uma vez ou duas durante a sua vida: basicamente, durante cerca de duas semanas, é possível entrar num espaço totalmente dedicado aos livros e às leituras, por onde passam vários autores mais ou menos consagrados para apresentar suas obras ou somente para sessões de autógrafos, e onde você pode comprar livros a preços bastante mais acessíveis que nas livrarias, durante o resto do ano.

Essa Feira nasceu em 1930 e ao longo desses 86 anos já passou por diversos lugares da cidade de Lisboa: Avenida da Liberdade, Rua Augusta e Praça do Comércio foram alguns deles. De há uns anos para cá – seguramente, desde que eu me lembro – ela sempre acontece no Parque Eduardo VII, um jardim enorme bem na frente do Marquês de Pombal, que tem uma vista privilegiada sobre a cidade e o rio Tejo.

Por norma, ela acontece sempre no final do mês de Maio, início de Junho, uma vez que é um evento ao ar livre e a gente precisa de contar com a ajuda do S. Pedro, lá em cima, verdade?

Mas adiante. Esse ano tem mais de 200 editoras presentes no Parque Eduardo VII. Elas estão organizadas por áreas ou por dimensão, e em todas elas é possível encontrar livros que já não estão à venda nas livrarias, novidades que estão sendo apresentadas e o melhor de tudo: descontos incríveis. Todos os livros têm um preço de feira, que geralmente é 10% ou 20% abaixo do preço normal e todos os dias cada editora apresenta pelo menos um ‘livro do dia’, que está com uma promoção particularmente deliciosa – é relativamente fácil você encontrar exemplares sendo vendidos com 40% de desconto. Sobre o preço de feira! Ou seja, muitos livros podem aqui ser comprados por metade do seu preço habitual. E estamos falando de edições de autores de todo o mundo. Tem também a vantagem de encontrar exemplares bem legais de, por exemplo, Fernando Pessoa traduzido para inglês ou em edições bilingues. Quem resiste, não é mesmo?


Todos os anos eu, por exemplo, digo o mesmo: ah, vamos lá, só para a gente dar uma olhada e tomar um sorvete. Todos os anos, invariavelmente, eu acabo vindo de lá com sacolas na mão de livros que estavam a um preço “absolutamente irresistível”.  Eheh. A vantagem é que como tenho tido pouco tempo para ler, essas aquisições geralmente duram todo o ano, e eu posso reforçar o stock de leitura somente na Feira do ano seguinte… Vamos ver o que acontece esse ano.

No espaço da Feira do Livro você pode ainda econtrar um monte de barraquinhas bacanas para comer desde frutas a sorvetes, passando por cachorro quente, hamburgueres, sanduíches, sucos, ginginha e doces diversos. Sim, é realmente possível passar um dia inteiro dentro do recinto [você não paga para entrar] e sobreviver. Mesmo com crianças: a feira está preparada com um MONTE de atividades legais para os mais pequenos: jogos de letras, pinturas de rosto, sessões de leitura de livros infantis… A ideia da Feira do Livro é ser realmente um espaço familiar, então se prepare para encontrar muito leitor-mirim passeando por ali com os pais, que podem deixá-los numa sessão de leitura, ir procurar um exemplar mais difícil e voltar, com todo o descanso e segurança.

Se estiver passando por Lisboa, não deixe de passar por lá. Prometo que você não vai se arrepender. Pode dar uma olhada na programação e no mapa do recinto aqui.

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