A Apple não gosta de negros. Nem de mulheres.

Margarida Vaqueiro Lopes

18 Janeiro 2016 | 15h24

No dia em que se celebra o aniversário do nascimento de Martin Luther King Jr., recordo uma notícia que saiu na imprensa portuguesa e que nos revela como ainda tanto há a fazer quando se fala de racismo. A gente bem tenta ignorar os sinais, dizer que não tem mais isso de racismo não, que já ninguém discrimina negros, que eles é que dizem que sim, mas bom…temos os exemplos dos tiroteios nos EUA (em que negros são mortos sem razão e polícias saem ilibados disso); das quotas para entrar nas universidades, em filmes, em empresas, à volta do mundo, e de repente temos também isso explícito num documento oficial da gigante tecnológica Apple, a queridinha dos iPhones – eu também tenho um, aviso já.

Num documento da administração da empresa dirigido aos seus acionistas, que pode ser consultado

Documento

, eles são aconselhados a “votar contra” o aumento da diversidade no conselho de administração e gestão de topo. Apesar de a diversidade ser algo importante para a empresa, o Conselho de Administração considera que a proposta de aumentar a diversidade e inclusão no CA e na gestão de topo da empresa “é demasiado morosa e desnecessária”, lê-se no mesmo documento. Que é como quem diz: esqueçam lá essa coisa de ter mulheres e negros nos quadros de topo que chega bem eles estarem no lá de baixo.

Curiosamente, na homepage do site da Apple, onde está esse mesmo documento, essa segunda-feira você pode encontrar um bonito tributo a Martin Luther King Jr. Irônico, não é?

Não vou me estender muito sobre o assunto, porque me parece que é óbvio o que está acontecendo aqui e deixo cada um tirar as próprias conclusões. Mas me pareceu importante deixar o alerta: o mundo mudou muito pouco desde os anos 1960, quando Luther King disse ter um sonho…


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