A Europa não sucumbirá

Margarida Vaqueiro Lopes

24 Março 2017 | 09h06

O atentado em Londres, essa semana, voltou a colocar na agenda do dia a questão do terrorismo na Europa. Afinal, o continente mais seguro do mundo parece estar sendo tomado de assalto. A gente ainda se refazendo de Paris, de Bruxelas, de Berlim, de Nice, e agora Londres. A cidade que sempre pareceu inexpugnável por suas forças de segurança efectivas e porque…bom, é Londres. A gente acredita em Londres acima de tudo.

O auto-proclamado Estado Islâmico continua tentando minar a confiança que temos uns nos outros, contando agora com algumas ajudas extra. Com um presidente menos moderado ao leme da mais poderosa nação do mundo, muitos pensaram que seria finalmente a vitória do nacionalismo: ainda esperamos ansiosamente pelas eleições francesas, para ver se realmente os franceses vão cometer a insanidade de eleger Marine Le Penn. Nos últimos dois dias, Londres tem sido, como é ao longo da História, uma verdadeira lição de diplomacia e seriedade: desde o ministro que tentou salvar o policial atacado até à tranquilidade aparente que rapidamente regressou à cidade, passando pelas mensagens de combate ao medo que figuraram nas estações de metrô…Não, radicais, a gente não vai deixar que o medo vença. Vocês nos apavoram, na verdade. Nos fazem pensar duas vezes quando entramos numa carruagem de trem, numa estação de metrô, numa sala de espetáculo lotada. Pensamos nos nossos filhos, porque não queremos que eles vivam num mundo tolhido pelo medo. Nos enchemos de informação sobre questões de segurança.

Mas a gente não vai sucumbir. Para combater o extremismo, a serenidade e o bom senso são as melhores armas, porque vocês ficam baralhados. Vocês não entendem que a vida tem um valor incrível para nós, e que não deixaremos de a viver porque vocês ameaçam que a podem tirar. A gente vai continuar lutando, a gente vai continuar vivendo. E isso vai enfurecer-vos. Mas a gente não vai deixar que o medo nos faça sucumbir. E vocês sabem o que diz o velho ditado: o que não nos mata, nos torna mais fortes. E se há coisa de que a Europa precisa é de se fortalecer. Por isso, lamento, mas a gente vai continuar viajando para Londres, para Paris, para Berlim, para Nice. E vocês não vão ganhar.


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