A Grécia disse que não. A gente aguarda

Margarida Vaqueiro Lopes

07 Julho 2015 | 10h20

Manchetou em todo o mundo o mega OXI grego no referendo do passado Domingo. Foi uma surpresa para Bruxelas – como os gregos ousaram desafiar o poder tecnocrata da Europa? – e foi uma surpresa, até, para o Syriza. Tal como já tinha sido a sua vitória nas eleições do início desse ano.

Varoufakis – o deus grego que era ministro da Fazenda – se demitiu passado algumas horas, e parecia que estava dado o primeiro sinal de que agora o governo grego queria chegar a acordo com os credores. Quem sucedeu a Varoufakis foi o ponderado Euclid Tsakalotos, que todo o mundo conhece porque ele coordenou o grupo de negociação grego.

Problema? Essa terça-feira o Eurogrupo – que reúne os ministros das Fazenda da zona euro – aconteceu, mas parece que Tsakalotos não entregou proposta alguma. A informação ainda precisa ser confirmada, mas se for verdade, é um saco.

Primeiro, porque significa que os gregos não mudaram coisa alguma na sua atitude, apesar de terem tido nervos de aço e uma coragem incrível ao avançar com o referendo de Domingo. Depois, porque Alexis Tsipras, o premiê grego, pediu de manhã um empréstimo de 7 biliões de euros (qualquer coisa como 20 biliões de reais) durante as próximas 48 horas.


É que na Grécia as fábricas já estão fechando por falta de matéria-prima e os hotéis estão ficando sem alimentos devido ao apertado controlo de capitais que foi implementado semana passada e que não permite que sejam sacados mais do que 60 euros (180 reais, mais câmbio menos câmbio) por pessoa. Fontes do governo da Grécia estão dizendo que não tem jeito: os bancos vão continuar fechados até haver dinheiro. A grande questão é quando esse dinheiro vai chegar, e de que forma. Porque se Tsakalotos efetivamente não entregou uma proposta essa manhã, algo me diz que os deuses do Eurogrupo vão, efetivamente, enlouquecer.

Enquanto isso, aqui em Lisboa, a gente vai assistindo de longe, comendo pipoca e rezando para que os juros sobre a dívida nacional pare de subir – hoje já aliviaram um pouco, mas continuam acima de 3% nas Obrigações a dez anos. Também seria legal que as bolsas parassem de cair e que o medo de uma potencial falência grega não nos preocupasse. Vamos ver.