A saga [bancária] continua

Margarida Vaqueiro Lopes

24 Maio 2016 | 09h55

A gente muda de governo, muda as políticas, repõe salários para os funcionários públicos, repõe as pensões para os aposentados, aumenta o orçamento na ciência, na saúde, reforça as obras públicas e dois anos depois de termos saído do programa de assistência financeira a gente acredita que afinal a crise passou e o mundo é lindo e cor-de-rosa.

Mas aí começam as desconfianças: as exportações baixam, os negócios continuam sem ver resultados positivos, o consumo não dispara como o governo calculou que aconteceria – o que significa que o Orçamento do Estado está em risco porque, lá está, estava contando com esse aumento de consumo, as pessoas têm receio do que vai acontecer e essa semana, para melhorar o cenário, a Caixa Geral de Depósitos apresenta prejuízos. A CGD é o nosso banco público, seria o nosso Banco do Brasil, e durante os úlitmos anos não tem tido uma vida fácil – pelo menos é isso que mostram as contas da instituição.

Esse trimestre, a administração da CGD revelou que teve prejuízos de 74,2 milhões de euros (no ano passado, no mesmo período, conseguiu um lucro superior a 2 milhões). E que não vai conseguir pagar ao Estado o empréstimo de 900 milhões de euros que contraiu junto dos cofres públicos em 2012, quando as novas regras das autoridades internacionais obrigaram a um reforço de capitais para cumprir as metas. Esse empréstimo foi contraído através de uma coisa chamada “instrumentos de capital contingente” ou CoCo’s, que basicamente fazem com que o não pagamento do empréstimo faça do Estado accionista com capital nas contas da instituição.

No entretanto de tudo isso, a gente ainda está lidando com os custos de uma nacionalização de um banco em 2008 (já vai quase nuns 4 mil milhões de euros de custos para o contribuinte), da resolução do Banco Espírito Santo, no ano passado (pode acrescentar outros 4 mil milhões) e ainda houve a resolução do Banif (dono do Banif Investimento, aí no Brasil), no final desse ano.


Contas feitas e a gente tem o nosso sistema bancário pesando absurdamente nas contas do Estado, que já não tem propriamente um balanço tranquilo com tudo o que tem acontecido com a economia nos últimos anos. O banco público, que supostamente vai asssegurando coisas tão incríveis como o crédito a pequenas empresas, o crédito à habitação e claro, os salários dos funcionários públicos e demais investimentos do Estado, está com essas contas ligeiramente preocupantes.

E nós olhamos, enquanto fazemos contas a quantos mais bancos teremos que pagar – e vendo  vários dirigentes defendendo a nacionalização do sistema financeiro, sem que tenhamos voz nessa questão.

Acompanhe o blogue no Facebook e no Instagram