A vitória de Trump era mesmo impensável?

Margarida Vaqueiro Lopes

09 Novembro 2016 | 11h42

Quando a Europa acordou, hoje, Donald Trump tinha sido eleito o 45.º Presidente dos EUA. O ‘impensável’ aconteceu e eu confesso que precisei abrir cinco jornais diferentes e ligar a tv antes de acreditar que era realmente verdade. Mas é. E a partir de hoje, nada será como dantes – e não importa se será melhor ou pior, embora eu tenha minhas convicções.

Acredito que essa eleição é uma consequência de muitos anos de má política praticada pelos governantes que se acham superiores. Acredito que essa eleição é reflexo de uma sociedade que já não acredita na justiça, na verdade, como pilares. Acredito que é fruto de uma sociedade desacreditada e desencantada com as elites que nos têm governado. Acredito que essa eleição é fruto de comportamentos que também nós temos todos os dias – de falta de respeito para com o outro, de ódio, de nos acharmos melhores, de acreditarmos que vale tudo para chegar onde queremos – e que inevitavelmente acabam por ter reflexo em que se escolhe para um cargo.

Agora importa pouco fazer futurologia: Trump foi eleito e durante os próximos quatro anos será o presidente da maior e mais poderosa nação do mundo. Acredito que não fará tudo o que disse – como qualquer bom político – mas acredito também que vai mudar muita coisa na América e no mundo.

Acho que esse ano de 2016 – Marine Le Penn ganhando terreno em França, Reino Unido abandonando a União Europeia, Dilma sendo destituída – deve servir de lição para todos nós: é que mesmo que a gente teime em esquecer isso!, a culpa de quem escolhe os líderes – no mundo democrático – é nossa. E quando as coisas não dão certo, a culpa não é só deles: é sobretudo nossa, que os elegemos.


Acompanhe o blogue no Facebook e no Instragram

Mais conteúdo sobre:

Donald TrumpeleiçõesEUA