Como o Daesh mudou as nossas vidas

Margarida Vaqueiro Lopes

04 Janeiro 2016 | 11h01

Ontem, dia 3 de Janeiro, fui ao aeroporto para a já rotineira despedida do meu pai, que está trabalhando fora de Portugal há vários anos. A gente morre de saudade mas já quase nem liga, e ir no aeroporto se torna uma missão familiar legal. Quando estava chegando, liguei para ele para saber onde ele estava. “Ah, perto do balcão 80 do check-in”. Cheguei, olhei e nada. Nem pai, nem mãe, nem irmã…Eu até sou rápida a encontrar pessoas e nada. De repente percebi porquê: o aeroporto estava cheiinho de policiais armados, andando em grupo ou isoladamente.

Eu vou bastantes vezes ao aeroporto, e nunca tinha visto tanto policial. O mesmo tem sido habitual em estações de trem – eu sempre uso o trem para ir trabalhar – onde se vão multiplicando as forças policiais, acompanhadas ou não de cachorros bem treinados.

Até os shoppings estão bastante mais policiados, e quando se fala em jogos de futebol então…da última vez que passei perto do estádio de um grande clube aqui de Lisboa, era a loucura em termos de forças de segurança.

Todas essas medidas têm sido tomadas desde que o Daesh se tornou uma ameaça real e próxima – ou seja, depois dos atentados de dia 13 de Novembro, em Paris. Bruxelas e Berlim cancelaram os espetáculos de Ano Novo que geralmente implicam muito fogo de artifício e milhares de pessoas na rua. Eles ganharam, comentava o meu marido quando escutámos as notícias. Houve amigos cancelando viagens para o centro da Europa – eles ganharam, novamente  –e as novas ameaças do auto-proclamado estado islâmico agora são dirigidas a Londres – uma cidade onde tenho amigos vivendo e onde tenho ido com alguma regularidade. Além disso, França também manteve o controlo de fronteiras, que é algo a que nós, residentes no espaço Shengen, já não estávamos acostumados.


O Daesh está instalando o medo e a desconfiança em nós, europeus. E sobretudo em nós, portugueses pouco dados a medo de conflitos – é a vantagem de estar numa pequeno pedaço de terra na ponta mais ocidental da Europa, e com metade do país cercado por mar. Não somos um país muito apelativo de conquistar.

Em 2016, minha resolução foi a de tentar não ceder ao medo. Temos uma ou outra viagem marcada que não vamos desmarcar, e temos uma vida que não iremos deixar de viver. O medo pelo medo é algo que me revolta, e precisamos combate-lo com todas as forças. Apesar de ser cada vez mais difícil, tendo que passar por policiais armados até aos dentes todos os dias da nossa vida comum…

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