Como uma escola pública faz milagres

Margarida Vaqueiro Lopes

21 Março 2016 | 09h30

Semana passada fiquei devendo um texto sobre uma história legal sobre educação que me comprometi a escrever. As minhas desculpas por esse fato, mas a realidade de repente se apoderou de mim e não consegui escrever. De qualquer forma!, aqui estou tentando me redimir J

Tive a oportunidade de ler, há uns dias, um livro bastante interessante chamado ‘A escola’, da autoria do jornalista Paulo Chitas. Parte de uma coleção editada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, esses livros pretendem mostrar, em jeito de reportagem alargada, o que se passa em alguns setores da sociedade portuguesa.

No livro de Chitas, ele conta a história incrível de uma escola pública, perdida no meio do Alentejo – uma região bastante desertificada e com graves carências econômicas – que tem sido um caso de sucesso educativo.

Conta o jornalista que o sucesso se deve, basicamente, à não desistência dos professores, e à implementação de um modelo disruptivo para garantir bons resultados: basicamente, todos os alunos do ensino médio – aqui chamado 7º, 8º e 9º anos – passam, durante dois meses, por uma turma, chamada ‘Turma +’, onde têm um acompanhamento diferenciado da matéria que estão estudando nas suas turmas de origem: com recurso a dois professores, a turma recebe os alunos por nota – primeiro, os melhores, depois, os piores. Essa discriminação, que num primeiro momento foi super mal vista, de repente começou a dar resultados estrondosos. Em apenas dois anos, a escola passou da lista das piores do país para um confortável lugar a meio da tabela e sempre subindo.


A escola pública tem sofrido vários revés com as crises sucessivas: turmas aumentando de número de alunos, professores cada vez menos experientes e sempre sendo recolocados, o que não dá para fazer um acompanhamento dos alunos ao longo do tempo, menos escolas – o que obriga os alunos a fazer um caminho cada vez maior para chegar…enfim.

No entanto, com pouco dinheiro, poucos professores e pouca vontade de aprender dos alunos, essa pequena escola transformou o nada em algo muito grande. E minha fé no sistema de ensino público ficou restaurada.

*Nota de interesse: sempre fui aluna de ensino público, e tenho muito orgulho nisso. Acho que a educação é algo que o Estado deve prover para todo o mundo, uma vez que só através dela é possível pensar em ascensão social, de uma forma democrática e meritocrática. Para muitos, a educação é a única forma de fugir a uma vida miserável. Por isso, se há obrigação que o Estado tem é realmente essa!

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