Dá para viajar com pouco dinheiro? Claro!

Margarida Vaqueiro Lopes

21 de junho de 2021 | 12h42

Há uns meses – anos? Na verdade, foi ainda bem antes da pandemia – alguém me perguntava como é que eu conseguia ter dinheiro para viajar. E como conseguia fazer viagens sem gastar três salários de uma vez. Não é segredo para ninguém que em Portugal os salários são ridiculamente baixos mesmo em profissões que exigem elevada qualificação, e que o custo de vida subiu bastante nos últimos anos.

Mesmo quem ganha um vencimento considerado médio – no ano passado a média nacional rondava os €950 – tem alguma dificuldade em que não lhe sobre mês no final do salário. O que significa que sim, ter dinheiro para viajar pode ser um desafio. Então, como fazer para quem gosta de viajar e não tem dinheiro sobrando para o fazer sempre que gostaria ou nos moldes que seriam os mais incríveis? Enfim, eu tenho algumas dicas que valem o que valem porque na verdade cada um precisa encontrar sua forma melhor de se organizar, mas…

  1. Estabelecer prioridades. Para mim, viajar é uma prioridade. Sempre foi. Acredito realmente que aprendo muito cada vez que conheço um lugar novo ou que revisito um de que gosto bastante. Então, abdico de jantares fora e finais de semana em hotéis se isso me ajudar a poupar dinheiro para uma próxima viagem; e no início do ano faço uma lista de lugares onde gostava de ir nos próximos meses. Nem sempre consigo cumprir tudo o que gostaria, mas ter uma planejamento me obriga a cumprir objetivos 😊
  2. Planejar com tempo. Marcar voos e alojamento com antecedência pode resultar em orçamentos beeeem mais baixos. Claro que, sobretudo agora, o risco de o planejamento falhar é ainda maior, devido às restrições. Mas a verdade é que há vários seguros de cancelamento que podem ajudar e, por vezes, ter algo planejado com tempo é super importante até para a pessoa se obrigar a descansar quando chega a hora.
  3. Escolher hotéis ou AirBnB no centro das cidades. Os preços até podem ser um pouco mais elevados, mas tem, para mim, uma grande vantagem: poder fazer os passeios a pé, se precisar pegar um táxi ou um Uber o preço ser acessível, conseguir fazer uma pausa a meio do dia sem que isso retire tempo de passeio. No final, as contas compensam bastante.
  4. Apostar no jantar. Eu A-D-O-R-O comer, daí que para mim a questão das refeições seja importante. No entanto, não podendo gastar todo meu orçamento em comida (lamentavelmente), geralmente opto por economizar no almoço – pego um sanduíche ou um hambúrguer que como em qualquer lugar, ou passo no mercado para comprar pão, um suco, frutas, enfim. No jantar, aposto num lugar legal. E, por norma, tento escolher um restaurante bem especial para pelo menos um dos dias. Uma espécie de comemoração por ter conseguido a viagem.
  5. Perguntar aos locais. Uma das melhores formas de economizar em viagem é perguntar às pessoas que ali vivem quais os melhores lugares para visitar, para comer ou para tomar um copo de vinho. Eles nos ajudam a fugir dos centros turísticos, onde os preços estão bem inflacionados, e a gente se surpreende muito com algumas descobertas bem tradicionais e sem aquela vibe despersonalizada que o turismo teima em fomentar.
  6. Aproveitar viagens a trabalho. Tenho o privilégio de ter uma profissão que me faz viajar bastante. Então, quando tenho viagens para lugares que não conheço – tento sempre estender a estada por mais uns dias, depois de terminar as tarefas profissionais, para aproveitar. É uma forma de economizar no transporte, pelo menos, que é para onde geralmente vai a grande fatia de um orçamento de viagem.

Claro que o facto de na Europa o preço das passagens ter descido bastante nos últimos anos ajuda a que mais gente possa viajar sem precisar de muito dinheiro. De qualquer forma, e como falei no início, cada um deve organizar uma viagem como se sentir mais confortável – por exemplo, eu pouparia bastante dinheiro se fosse mochileira e dormisse em hostel. Mas para mim isso não funciona. Gosto de um hotel – que nem precisa ser super chique, só precisa ser bastante limpo e central –, gosto de boas refeições, gosto de planejar os meus dias, de visitar museus, de me perder nas cidades para onde vou. Não adoro viajar com grupos enormes de pessoas, o que também sairia mais económico, e não viajo com todos os meus amigos.

 

O que funcionar para vocês é o que faz sentido. As viagens ainda não estão totalmente liberadas aqui, mas eu já estou pensando em destinos, assim que for possível não gastar o mesmo em testes à Covid-19 que numa passagem em alta temporada. E vocês, que planos têm para quando tudo isso passar?

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