Lisboa das intermináveis obras

Margarida Vaqueiro Lopes

04 Maio 2016 | 11h08

Uma das coisas mais irritantes dos últimos anos na cidade de Lisboa têm sido as obras constantes da cidade. A prefeitura – ou Câmara Municipal – inventa necessidades incríveis de vários em vários meses, o que nos troca todas as voltas quando queremos ir de um ponto A para um ponto B. É que se ao Domingo é possível fazê-lo por um percurso, é certo que na segunda-feira esse mesmo percurso vai ser impossível.
FullSizeRender-2-900x899.jpg
Depois de mais de um ano em que o Terreiro do Paço – bem no final da Rua Augusta, na Baixa – esteve em obras, condicionando todo o tráfego, houve ainda as obras na rotatória do Marquês de Pombal, que é SOMENTE o ponto mais central da cidade. Na ocasião, a prefeitura decidiu ainda mudar todo o sentido do trânsito nas ruas que cercam essa praça central, só para complicar.
No início dessa legislatura, o governo anunciou então que iria começar as obras na Segunda Circular, que é basicamente uma das principais artérias da cidades, e que tem muito – mas realmente muito – poucas alternativas em relação a certos percursos. Claro que começaram também, entretanto, obras no centro da cidade, ali nas  ruas que sobem do Marquês de Pombal, e algumas das quais vão tornar praticamente intransitáveis algumas importantes ruas da capital.
No total, até ao final de 2017 – quando termina o mandato do atual prefeito, ou presidente da Câmara – são mais de 30 as intervenções que a cidade das sete colinas vai viver. Legal, né? Isso significa que você nunca saberá que caminho poderá tomar para o percurso que precisa fazer.
Eu geralmente não ando de carro em Lisboa. A cidade é bem servida de transportes públicos, e nos meus caminhos habituais posso pegar um trem que em menos de 30 minutos me coloca no meu local de trabalho. Mas uma dessas manhãs precisei atravessar a cidade de carro, e claro que esqueci que essas obras tinham começado…Levei mais de 40 minutos para fazer um percurso de 8,5km. Foi incrível. As pessoas que estavam esperando os ónibus estavam todas com um ar totalmente desesperado porque nenhum chegava a horas. Os táxis estão com preços impraticáveis porque a gente não sabe quanto tempo vai levar um percurso que poderia ser curto.
E o problema é que vai ser assim TODO o dia durante os próximos dois anos. Então, caro turista querido: se vier a Lisboa – e não deixe de vir – por favor, pegue o metrô ou o trem ou caminhe. Mas evite, a todo o custo, fazer percursos de carro. Prometo que não vai se arrepender.

Mais conteúdo sobre:

Lisboaobras