Lisboa volta a confinar. Brasil continua de fora

Lisboa volta a confinar. Brasil continua de fora

Margarida Vaqueiro Lopes

27 de junho de 2020 | 13h13

Aumento de casos de infecção por coronavírus fez o Executivo português voltar a restringir as movimentações em 19 regiões da Grande Lisboa. Entretanto, e segundo o jornal francês Le Monde, a Europa já decidiu quais os catorze países cujos residentes que vão poder voltar a viajar para o ‘velho continente’ a partir de 1 de julho, mas o Brasil parece ficar de fora. Tal como os EUA ou a Rússia, lugares onde as infeções têm estado descontroladas.

Os números de infecção são elevados, mas felizmente a gente tem conseguido manter os internamentos e os internamentos em UTI bem abaixo do que seria dramático. Ainda assim, o facto de não estarmos entendendo de onde surgem tantas cadeias de transmissão tem estado a preocupar as autoridades de saúde portuguesas.

Medidas de confinamento esvaziam ruas da cidade de Lisboa.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou no final dessa semana que 19 freguesias (uma espécie de bairros) da região da Grande Lisboa voltam agora a viver sobre apertadas medidas de confinamento: o recolhimento é obrigatório exceto para trabalho, compras de bens essenciais e exercício. Apesar de essas medidas não se aplicarem à cidade de Lisboa (excepto em uma freguesia), os estabelecimentos comerciais, com exceção dos restaurantes e supermercados voltam a fechar às 20h. Também ficou proibida a venda de álcool depois dessa hora, e voltaram a ser proibidos os encontros com mais de 10 pessoas.

E quem desrespeitar as medidas, pode mesmo ser obrigado a pagar multas que começam nos 500 euros.

Só para a gente se contextualizar, aqui, Portugal registrou até agora 41 189 casos confirmados e 1561 mortes por Covid-19. No entanto, a gente já tem 26 864 pessoas recuperadas, e os números de internados desceram entre essa sexta-feira, 26 de junho e sábado, quando estou escrevendo esse texto, em 15 pessoas. Hoje, a gente tem 442 pessoas internadas (70 das quais em UTI), bem abaixo do pico de internamentos, quando chegámos a ter 1 302 camas ocupadas.

As medidas mais restritivas de socialização, que António Costa continua repetindo que poderá agravar se a gente não controlar a proliferação da doença, têm como objetivo travar um pouco as cadeias de contágio e tentar entender como elas estão surgindo. E a verdade é que não parece haver evidências que tenham algo a ver com turistas, por exemplo – apesar de já estarem entrando no País, ainda são em número bastante reduzido. E ainda bem, porque o problema é a falta de capacidade do SUS para responder a uma eventual segunda vaga de infecções.

Na verdade, a Europa está gradualmente abrindo suas fronteiras – entre os Estados-membros já é possível viajar desde o início de junho, ainda que com medidas restritivas em alguns casos (mesmo para Portugal) – tal como fez saber esse sábado o jornal francês Le Monde. Turistas da Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Japão, Nova Zelândia, Ruanda, Tailânia, Uruguai, Argélia, Marrocos, Tunísia, Geórgia, Montenegro e Sérvia estarão liberados a partir de dia 1 de julho.

Visitantes do Brasil, Estados Unidos, Arábia Saudita ou Israel continuam a não poder entrar na Europa, devido ao elevado número de infeções e ao aparente descontrolo da pandemia nesses países. A verdade é que, mesmo para os países que estão liberados, a vida não está assim tão fácil, tendo em conta que há pouquíssimos aviões levantando voo de e para qualquer lugar do mundo.

Por isso, infelizmente, a gente vai ter que continuar a se visitar apenas via Intagram, Facebook ou blogues. Com esperança de que em breve possamos nos encantar com os lugares novos que poderemos conhecer.

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