O continente dos sonhos

Margarida Vaqueiro Lopes

29 Janeiro 2016 | 08h48

O drama dos refugiados continua, na Europa, como vocês devem saber. A Organização das Nações Unidas (ONU) avisou ainda essa semana que é provável que mais de um milhão de refugiados tente entrar no ‘Velho Continente’ durante esse ano, o que significa que o número igualará o de 2015.

As notícias sobre o que está acontecendo com os refugiados aqui na Europa também têm sido bastante sido bastante divulgadas: a Dinamarca acabou de aprovar uma lei que permite confiscar aos refugiados o dinheiro e as jóias (“podem ficar com as alianças”) que trazem com eles, e cujo ouro poderá ser leiloado em público; a Holanda obriga a que os refugiados que estão trabalhando no país entreguem 75% (isso: setenta e cinco por cento) do seu salário para pagar as suas despesas nos locais de acolhimento; e a Alemanha está discutindo várias possibilidades, depois de ter endurecido o discurso em 2016, devido aos alegados estupros ocorridos no Réveillon – mas que afinal não se sabe se foi bem assim.

Nessa quarta-feira, a gente celebrou o dia Internacional de Memória do Holocausto (foi a 27 de Janeiro de 1945 que aconteceu a libertação do campo de concentração de Auschwitz pelas tropas da URSS) e o tema dos refugiados ainda estava quente. De repente, todas essas memórias e acontecimentos se cruzaram, fundiram, e pesaram novamente nos nossos pensamentos: o que estamos fazendo? Querendo novamente levantar fronteiras, impedir pessoas de entrar – a Grécia já foi acusada de não estar “impedindo refugiados de entrar no continente” – , negar a pessoas que estão fugindo da guerra alguma tranquilidade usando uma quantidade absurda de desculpas pouco consistentes.

Tenho consciência de que estou generalizando – mas é mesmo assim, em todos os povos existe gente boa e má, mas eu acredito que isso não é definido pela nossa nacionalidade, cor ou religião. Mas esse tema me preocupa realmente. Tal como a ascenção dos partidos de extrema direita me preocupa. Tal como a nossa crescente intransigência para quem não é europeu me preocupa. Só espero, verdadeiramente, que a gente não esteja caminhando para outro período negro da história europeia. Por outro lado, com tudo o que está acontecendo, não posso deixar de me perguntar: o que faz ainda o mundo inteiro acreditar que esse pode ser o continente dos sonhos?


Deixo aqui um texto ótimo da incrível jornalista Teresa de Sousa (jornal Público) para ajudar a entender o que está em causa. Se puderem dar uma olhada, vale bem a pena 😉

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