O poder está afundando ou somente mudando de mãos?

Margarida Vaqueiro Lopes

11 Março 2016 | 09h36

No Brasil, Lula da Silva está na iminência de ser detido e Sérgio Moro está sendo apontado como o novo super herói contra a corrupção. Em Portugal, a providência cautelar contra o grupo de media Cofina, que impedia o jornal Correio da Manhã e a revista Sábado, por exemplo, de divulgarem fatos sobre a investigação ao antigo premiê José Sócrates foi levantada – e a gente pode passar horas escutando as barbaridades que o cara falou no telefone e as mentiras que apregoou. Essa semana, a mesma revista divulga que José Maria Ricciardi, o único banqueiro da família Espírito Santo (ligada ao caso BES) que tinha mantido a idoneidade para continuar a trabalhar, está há anos sendo investigado por alegado tráfico de influências e fraude fiscal e lesão ao Estado português nas privatizações de algumas companhias. A Sábado aponta ainda que Jorge Tomé, que foi presidente do banco BANIF até à sua venda, há umas semanas, estará envolvido nessa história com Ricciardi.

Tudo isso na mesma semana em que Portugal troca de Presidente da República – e isso dava um texto novo – com Marcelo Rebelo de Sousa, conhecido e amado professor universitário e comentarista tomando o lugar de Aníbal Cavaco Silva, que durante 36 anos foi político ativo em Portugal (foi primeiro-ministro, ministro das Finanças, presidente da República…). É talvez um dos políticos mais odiados da atualidade e, talvez por isso mesmo, Marcelo Rebelo de Sousa já é o melhor Presidente do último século com apenas dois dias de mandato.

Paulo Portas, antigo vice-primeiro-ministro do governo, foi líder do partido português mais à direita, o CDS/PP, durante cerca de 16 anos e vai se afastar oficialmente esse Sábado, 12 de Março. Conhecido como um dos melhores oradores da política nacional, protagonizou alguns momentos [que seriam hilariantes se não tivessem sido quase trágicos] relevantes do anterior governo. Sobretudo quando anunciou a sua “demissão irrevogável” e bom…não se demitiu. Ele era também irmão do já falecido Miguel Portas – eurodeputado pelo Bloco de Esquerda e muito querido dos portugueses. Há desconfianças de que Portas, o Paulo, esteve envolvido no escandaloso caso dos submarinos que abalou Portugal há uns anos (leia aqui). Agora vai ser substituído por uma mulher, Assunção Cristas, antiga ministra do Mar e do Ambiente.

O poder está mudando de mãos, e muitos governantes e líderes de companhias públicas e privadas estão sendo [finalmente] julgados, tanto em praça pública como nos tribunais. Será que isso anuncia tempos de mudança, ou nós continuaremos somente a olhar para o lado e fingindo que nada está acontecendo no mundo?


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